Oncidium Sw.
Tribo: Cymbidieae
Subtribo: Oncidiniiae
Etimologia: Do grego = Onkos.
Olof Swartz, em 1800, nomeou este gênero com o nome de Oncidium em razão do pequeno calo situado na base do labelo que tem aparência de um pequeno tumor, intumescência e que em grego é Onkos







 
   
  Sua característica é a calosidade principal do disco do labelo que tem o formato de um chifre (de rinoceronte). São três espécies, no Brasil, tem O. macronyx e O. longicornu que são muito semelhantes e, portanto, não são facilmente separadas. No entanto, um exame mais detalhado dos aspectos taxonômicos, permite sua diferenciação. O. longicornu faz um ângulo reto entre os lobos do labelo e o corno é comprido com a ponta agudíssima. O. macronyx faz um ângulo muito agudo entre os lobos do labelo, corno arredondado com ponta obtusa. O terceiro O. rhinoceros não é nosso.




 
  O. enderianum apareceu numa exposição do século 19 e o "The Gardener's Chronicles" que, além de publicar a descrição de muitas espécies, fazia as crônicas daquelas exposições, registrou o acontecimento.
Normalmente cada espécie é descrita por um botânico cujo nome é colocado após a identificação. Por exemplo, O. varicosum Lindley, O. warmingii Reichenbach e têm uns que ao invés de vir o nome do botânico está escrito hort., de horticultura.
Muitas vezes, um botânico, quando tem material para prensar e fazer o tipo, pode pegar uma destas plantas "hort" e descrever como espécie. E no "The Gardner's Chronicle" vem escrito O. enderianum hort. Admitiu-se, na época que fosse um híbrido natural entre O. curtum e O. crispum. Isto é o que se sabe dele. Ele nunca foi descrito, não tem material de herbário, tem só os três desenhos, onde faltam inclusive uns pedaços da flor. O que é corriqueiramente conhecido como O. enderianum está em total desacordo com este desenho onde o calo é bipartido.
As espécies da seção Crispa foram subdivididas, pelo Pabst, em duas subseções (ou alianças) de acordo com o formato do calo principal. Foi uma coisa muito feliz, não sei se alguém já tinha feito isto antes mas acho que não.
Em algumas poucas espécies o calo principal é um só: O. crispum, o que chamam de O. gravesianum, O. praetextum, O. marshallianum. Tem o outro grupo cujo calo principal é bipartido, aí estariam o O. forbesii, o O. enderianum, o O. gardneri, o O. curtum, o O. imperatoris-maximiliani, o O. zappii, o O. pectorale.
Embora acredite que O. enderianum realmente exista, Carlos Eduardo nunca viu, no entanto já encontrou O. rivierianum, que até ele mesmo achava que não existia.




 
  O. pohlianum foi uma das espécies que ele mais procurou e ficou muito decepcionado. Nunca encontrou e nunca conseguiu nem com o Barão Ghilany que aparentemente tinha.
  Examinando o O. pohlianum, no herbário de Bruxelas, descrito pelo Cogniaux pode concluir, pelo que viu , que é, na realidade, o O. harrisonianum, embora o desenho do Pabst seja uma coisa totalmente diferente desta espécie. O. harrisonianum - Photo/Foto: Sergio Araujo




 
  O. praetextum. Foto/Photo: Sergio Araujo Ele é dado pelo Pabst desde o Rio Grande do Sul até o Nordeste.
De acordo com o desenho da descrição, no "The Gardener's Chronicle" que Carlos Eduardo teve oportunidade de examinar, O. gravesianum tem as pétalas voltadas para baixo, sendo esta sua única característica diferente.
Tendo adquirido diversas plantas de diferentes origens, inclusive vindas de Pernambuco, nunca encontrou nenhuma com aquele pétala. Julga que foi uma determinada planta que tinha aquele defeito genético.
Para corroborar, o calo é igualzinho ao geralmente chamado O. enderianum, que ele acha que é na verdade o O. praetextum.
Assim sendo o três seriam a mesma coisa: O. praetextum e O. gravesianum e o que chamam de O. enderianum.




 
  Além de O. mantini, têm algumas outras espécies consideradas como sinônimas de O. pectorale, como O. larkinianum e O. duveeni, descrito por Fowlie.
A observação do material de herbário depositado no Kew Gardens e a comparação com flores vivas do O. duveeni fazem Carlos Eduardo admitir a identidade entre esta espécie e O. mantini.
Para ele, duas espécies seriam válidas: O. mantini e O. pectorale.
O
. larkinianum e O. duveeni seriam sinônimos.




 
 

O. varicosun - Arquivo/Archive - Carlos Eduardo

O. varicosum - desenho de Hoenner

O. euxanthinum - Arquivo/Archive - Carlos Eduardo

O. varicosum Lindl.
O. varicosum var. rogersii
O. euxanthinum Rhcb. f.
       
  As descrições encontradas na Flora Braziliensis de Martius evidenciam algumas diferenças tão relevantes que provocaram uma desconfiança de que se tratariam de duas espécies diferentes. Pesquisando nos Herbários de Kew e do Museu de História Natural de Viena, ele teve a oportunidade de esclarecer esta dúvida.
A planta que é o tipo O. varicosum, descrita por Lindley foi coletada na Serra de Mar (talvez ocorresse no local na época) e é a mesma espécie que ocorre em Goiás, na Chapada dos Veadeiros.
Foi descrita em l842, o quer dizer que deve ter sido coletada bem antes disto.
Tempos depois Reichenbach f. descreveu o O. euxanthinum que é, na realidade, o que todo mundo chama de O. varicosum var. rogersii e que dá no interior de São Paulo, no sul de Minas e que dava em Carandaí, Barbacena.
Esta espécie tem o calo e os lobos laterais do labelo diferentes do O. varicosum que Lindley descreveu.
O
. varicosum var. rogersii, também chamado de O. rogersii, apareceu numa exposição, em l868, e é hort. nunca foi descrito, não tem material de herbário. Foi citado no "The Gardner's Chronicles". No herbário de Reichenbach, existem exsicatas separadas de O. varicosum e O. euxanthinum apesar de haver também diversas outras exsicatas, fora o tipo. Em Kew, no herbário geral (não no herbário de Lindley, que é separado), o material de O. varicosum e O. euxanthinum está misturado, mas na Flora Braziliensis, de 1906, as duas espécies estão lá.
Para ele, O. varicosum var. rogersii é O. euxanthinum ou seja, teríamos duas espécies diferentes: O. varicosum com lobos laterias do labelo pequenos e arredondados e calo composto por duas séries de três dentes circundados por linhas de pequenas verrugas.
 
Pode-se ver melhor

a diferença entre os

dois, por este desenho

dos detalhes, feito por

Cristina Miranda.
  Pelas regras da nomenclatura, o que prevalece é o primeiro nome, então teoricamente o O. rogersii deveria prevalecer sobre o O. euxanthinum, mas acontece que ele não tem descrição e nem material, assim considera-se O. euxanthinum como nome válido e não o O. rogersii .
Em princípio, o habitat do O. varicosum seria Chapada dos Veadeiros, mas ninguém pode afirmar que não exista mais nenhuma planta na Serra do Mar, em São Paulo, onde a planta-tipo foi coletada.
O O. euxanthinum seria de São Paulo e Minas Gerais.




 
  Pabst considerava O. ottonis e O. concolor como sendo sinônimos, outros autores consideram como espécies diferentes. Hoehne diz na "Iconografia de Orquidáceas brasileiras" que as flores do O. ottonis seriam maiores, mais numerosas e suas pétalas e sépalas possuiriam estrias longitudinais. Karlheinz Senghas também assim considerou em sua revisão do gênero.
  Carlos Eduardo considera que, embora tenham o mesmo hábito vegetativo, flores semelhantes e o habitat das duas espécies seja o mesmo, existem algumas diferenças sensíveis entre as duas: o formato das flores, a presença de estrias marron-avermelhadas nas sépalas e pétalas e a existência de um calo acessório lateralmente a cada uma das duas quilhas do disco do labelo.
Independentemente do colorido, esta seria uma diferença que justificaria considerá-las como espécies independentes. O calo do O. concolor é como se fossem duas quilhas, no O. ottonis tem como se fossem duas barras para o lado.
Normalmente, o pessoal muito prático dos orquidários, diz que a parte de fora das sépalas do O. ottonis tem umas pintas vermelhas.
Carlos Eduardo não considera a diferença de colorido como determinante mas, para ele, é uma espécie válida por causa desta diferença de calosidade, que é bem característica.
Discrimina-se muitas espécies pela diferença na calosidade.








 
 
O. barbatum - Arquivo/Archive - Carlos Eduardo
O. ciliatum - Arquivo/Archive - Carlos Eduardo
 
São completamente diferentes mas a grande diferença é que O. barbatum tem os lobos laterais muito maiores e o lobo terminal é mínimo. O. ciliatum tem os lobos do mesmo tamanho.