Como primeiro assunto a ser tratado neste tópico, vamos transcrever as discussões que já foram exibidas no Orchid News #4 e algumas outras que chegaram depois. Não estamos mais propondo um fórum, mas se você tiver alguma contribuição a dar sobre este assunto, por favor , envie-nos por e-mail





Debatedores:

(1) Augusto Burle Gomes Ferreira
(2) Delfina de Araujo
(3) Francisco de Sales Carvalho e Silva
(4) Maria Esmeralda Soares Payão Damatté
(5) Waldemar Schelliga
(6) Roberto Agnes
(7) Nelson Barbosa Machado Neto
(8) Greg Alikas
(9) Ernie Anderson - Esta foi a mensagem que me fez criar este tópico.
(10) Luiz A. Menéndez
(11) Helio E. Marodin















(1)
O SUBSTRATO COXIM

Augusto Burle Gomes Ferreira, fabricante


Na década de 80, quando comecei a perceber um aumento exagerado do preço do xaxim, fui informado que isto decorria do início do seu processo de extinção. Voltei-me, então para a cultura de epífitas em casca de coco, tradicional no Nordeste brasileiro desde o século passado e passei a buscar uma técnica para reagregar o tecido parenquimatoso da casca do coco, algo tido como impossível pela ciência ( reagregação pela pectina natural do tecido vegetal), pois é nesse tecido que as plantas buscam seu alimento e não nas fibras, como muitos pensam. Com esta técnica, estariam resolvidos 2 problemas ecológicos: o da preservação da Dicksonia (de onde é extraído o xaxim), dos mangues e lagoas nordestinas que vêem sendo destruídos pelo despejo maciço do tecido parenquimatoso do coco pelas desfibradoras, além de permitir dar ao produto a forma mais conveniente para seu uso.
É preciso enfatizar que o Coxim é o tecido parenquimatoso da casca do coco e não a fibra que não se presta ao cultivo. Por ser um produto semi-industrializado, o coxim está sujeito a sofrer aperfeiçoamento e o atual já não é o mesmo de 6 anos atrás.

Quem conhece as plantações de coqueiros sabem muito bem que as mudas desta palmeira se enraizam na própria casca e só depois passam para o solo. Pode-se arrancar uma muda de coqueiro de 80cm de altura e deixá-la fora do solo por mais de 3 meses que não ela não morre nem ao menos murcha, a casca do coco a mantêm em perfeita forma. Percebe-se assim que é um alimento produzido pelo próprio coqueiro para alimentar seus filhos em sua fase inicial de crescimento. Ouso mesmo chamá-la de "leite vegetal".

A casca do coco, quando lançada ao campo, só se decompõe totalmente depois de 8 anos e isto sugere que o seu alto valor nutritivo não depende da decomposição do tecido, fato comprovado pela cultivo em coxim. Posteriormente descobri que este substrato é também bom para as terrestres não apenas para as epífitas encontrando assim uma solução para outra problema ecológico, no caso, ecologia do ecossistema humano: como ter plantas ornamentais em interiores sem trazer também os dejetos animais.

As qualidades do coxim:

1- Auto-estabilização do pH

Pelas medições feitas, durante 5 anos, pelo Departamento de Química da Universidade Federal de Pernambuco, foram encontradas as seguintes médias:

NovopH 5,53
1 ano de usopH 5,72
3 anos de usopH 5,18
4 anos de usopH 5,35
5 anos de usopH 5,25

Estes resultados mostram que o coxim apresenta um comportamento anômalo para uma matéria orgânica. No processo de degradação, as matérias orgânicas tornam-se alcalinas enquanto que ele conserva a acidez num nível bom para as orquídeas.

2- Riqueza de nutrientes

No exame das cinzas, realizado pelo Laboratório da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), foram encontrados os seguintes teores dos elementos não voláteis:

Potássio em K2O 0,722%
Cálcio em CaO 0,439%
Magnésio em Mgo0,234%
Fósforo em P2O50,196%
Ferro em Fe2O3 0,130%
Zinco em Zn 0,0029%
Cobre em CuO 0,0025%
Manganês em MnO 0,0020%
Boro em B traço

No exame de NPK, realizado pelo Instituto Tecnológico de Pernambuco, foram encontrados os seguintes valores:

Nitrogênio em N0,46%
Fósforo em P2O50,26%
Potássio em K1,39%

Estes resultados apresentam apenas uma carência de Molibdeno e Cobalto entre os micronutrientes e uma ligeira fraqueza de Nitrogênio. No entretanto, O exame feito pelo Professor Milton Leinig, da Universidade Federal do Paraná apresentou traços de Cobalto.

As minhas orquídeas são adubadas apenas uma vez por ano com a mistura de Torta de Mamona e Farinha de ossos para complementar o Nitrogênio. Aplico também o Peter 20-20-20 para garantir a extensão de todos os micro-nutrientes (Não posso desejar melhores resultados que o digam aqueles que os conhecem). Face ao exposto, posso afirmar que a cultura em coxim é uma cultura de baixo consumo de adubos. É preciso acrescentar que ele é muito rico em Silício, elemento catalisador de absorção dos outros nutrientes pelas plantas.

3- Gerador de ambiente rico em micorriza.

Não costumo remover os frutos que surgem naturalmente após a floração e depois de ter todo o cultivo do orquidário em coxim, constatei a presença "seedling" de diversos gêneros (Dendrobium, Thunia, Epidendrum, Cattleya, Caularthron, Phajus, Acampe, etc.) nascendo nas cestas de outras orquídeas sem que tivesse semeado. Tenho sido informado, por outros cultivadores que adotaram o coxim, que o mesmo vem ocorrendo em seus orquidários.

Com isto não estou pretendendo dizer que o coxim seja um meio de cultura para germinação comercial, apenas percebi que com ele, o orquidário torna-se rico nos fungos geradores da micorriza.

4- Menor necessidade de rega

Sendo o coxim um tecido esponjoso, é altamente absorvente. Ele pode chegar a absorver 200% do seu peso em água. Quando colocado nos vasos, a camada externa tem a propriedade de isolar a evaporação das camadas internas por isto, a necessidade de rega é menor do que em vários outros substratos.

Não se deve permitir que o vaso resseque, ao contrário dos outros substratos, a água da nova rega deve encontrar sempre resíduos de água da rega anterior. A água não acelera a sua degradação de modo significativo.

5- Durabilidade média de 4 anos.

A durabilidade do coxim, comparada à dos outros substratos orgânicos, é muito grande.
No clima equatorial de Recife, de grande umidade (mínima 55%, máxima 98%), dura, em média, 4 anos. Em outras condições climáticas pode durar até 8 anos.

Depois de lavado, pode ser guardado molhado por um período de até 6 meses para ser usado à medida da necessidade sem apresentar qualquer degradação.

6- Produto esterilizado

Pela própria natureza da casca do coco, a presença do tanino é muito forte e esta substância é bactericida e fungicida. Além disto, o coxim, na sua fabricação sofre um processo pasteurizador: é submetido a um lento aquecimento (7h) até 80ºC e permanece nesta temperatura no mínimo por 4 horas, submetido a uma pressão de 21Kg/cm3.

Por estas razões, posso garantir aos cultivadores, com segurança, que trata-se de um substrato isento de bactérias e fungos.

7- Fácil manuseio

É um substrato de fácil manuseio, habituando-se a usá-lo pode se instalar uma planta em um vaso em cerca de 3 minutos e não há, ao meu conhecimento, nenhum registro de reação alérgica.

Porém, como toda medalha tem seu reverso, o Coxim também tem uns poucos inconvenientes com os quais é preciso aprender a lidar:

1- Necessita de alguma adubação.

O seu teor de Nitrogênio poderia ser maior. Este fato foi minimizado com a criação do coxim E (enriquecido) que recebe 1,5% de Torta de Mamona e de Farinha de Ossos. Nesta composição, ainda é produzida em menor escala.

2- Varia de Volume

Ao absorver a água, o coxim aumenta seu volume em 7% (média) e ao secar volta ao seu volume original mas este fato não afeta as raízes. Por esta razão, os cubos devem ser colocados de forma desarrumada e não socados em vasos, para não estourá-los.

3- Necessita de lavagem.

É imprescindível a sua lavagem antes do uso para remover o tanino pois, do contrário, ele irá queimar todas as raízes novas durante uns três meses. Esta substância o protege de conduzir agentes patógenos mas é também um forte herbicida.

É recomendada a imersão em água por 4 dias para o granulado, por 8 dias para os cubos e tiras e por 15 dias para as placas e bastões. Depois deste período, pode-se verificar a presença do tanino colocando um pouco da água da lavagem em uma solução de Acetato de Chumbo a 1%.

4- Traz Mato para o orquidário

Com o cultivo em coxim, os orquidários passam a ter problemas de mato, qualquer semente que caia sobre ele irá germinar: desde musgos até árvores.

5- Necessita de mudança de hábitos.

Cada substrato tem suas exigências próprias, saber plantar orquídeas não quer dizer que se saiba plantá-las em qualquer substrato. É preciso que o orquidófilo se disponha a aprender a utilizar o coxim.

De acordo com a conclusão da tese de Livre Docência da Professora Maria Esmeralda Payão Demattê, do Departamento de Horticultura da Faculdade de Ciências Agrárias de Jaboticabal da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), dos substratos estudados, o coxim puro é o que reúne mais qualidades para substituir o xaxim.

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(2)
TIPOS DE SUBSTRATOS E SUPORTES
PARA ORQUÍDEAS EPÍFITAS

por Delfina de Araujo



Não existe um substrato ideal para todas as orquídeas mas até agora o que mais se aproximou foi o xaxim. O grande desafio atual do cultivo de orquídeas é encontrar-lhe um substituto, pois o xaxim está em vias de ter sua comercialização proibida em razão do processo de extinção da Discksonia selowii que, apesar de vir sendo replantada, ainda apresenta um consumo maior do que a produção, pois seu crescimento é muito lento. Ele é também extraído de espécies do gênero Osmunda, Cyathea e outros.
A proposta é colocar aqui em discussão esta questão através das opiniões de diversos estudiosos, cultivadores amadores e profissionais.

Todo substrato precisa ter algumas propriedades. Ele tem que reter a umidade durante algum tempo sem ficar encharcado, ser capaz de manter a planta firme (uma planta que fica solta nunca terá raízes saudáveis), ser de fácil uso e de longa duração. Outro fator importante é o pH do substrato, a eficácia da absorção do adubo depende de sua acidez. Certos meios de cultivo tais como cascalhinho, isopor, cortiça, espuma de nylon e a piaçava são inertes pois não apresentam valor nutritivo para a planta, são considerados como mero suportes. A planta precisa receber integralmente os nutrientes através do adubo. Outros meios de cultivo, tais como o xaxim, osmunda, cascas de árvore, esfagno e coxim, são considerados verdadeiros substratos pois apresentam algum valor nutritivo muito embora a planta continue precisando receber um complemento de nutrientes através de uma adubação regular.


Meios de Cultivo inertes


substratos


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(3)
Dr. Francisco de Sales Carvalho e Silva.

Engenheiro químico e cultivador há mais de 50 anos.




Na discussão sobre o substituto universal ideal para o xaxim eu tenho um raciocínio químico, não consigo racionar sem a química, em tudo, eu procuro uma explicação química. Primeiro é preciso entender todo o processo que envolve o envelhecimento do substrato pois o grande problema reside justamente aí e nós tivemos a preocupação de fazer um trabalho sobre isto.
Cultiva-se a planta num substrato seja ele qual for, se for uma orquídea no xaxim, esfagno, piaçava, num pedaço de madeira enfim numa porção de tipo de substância, e no fim de algum tempo, percebe-se que este substrato vai envelhecendo.
A grande pergunta é, então, a seguinte: O quê é o envelhecimento de substrato?
Concluímos que o substrato vai sendo atacado por fungos, bactérias, quer dizer, tem uma flora microbiana muito intensa que tem um papel importantíssimo, indispensável à vida na terra. Esta flora microbiana vai degradando, decompondo a matéria orgânica, transformando-a em húmus, gerando uma série de substâncias que são importantes para as plantas. Este foi o nosso caminho, o nosso trabalho foi baseado nisto.
Evidentemente a planta não tem condição de comer pedaços, é preciso que o alimento esteja solubilizado, ela só consegue se alimentar, absorver o nutriente se ele estiver solúvel.
Como é que se consegue isto?
Exatamente por ação das bactérias que atacam os resíduos orgânicos provocando sua decomposição lenta até chegar no reino mineral na forma de minerais simples, nitrogênio, hidrogênio, etc.. Logo, se o substrato não se decompõe, percebe-se de primeira mão que ele é um mau substrato porquê ele não fornece os elementos que a planta necessita.
Por que é o xaxim, sem favor nenhum, o substrato universal?
Porquê ele tem uma quantidade grande de celulose que vai se decompondo paulatinamente, não muito rapidamente, ele tem um controle de decomposição e vai gerando húmus num processo altamente complexo onde primeiro entra um grupo de germes, todos aeróbios, depois entram outros grupos, bactérias, fungos, etc... Chega num ponto em que se vai ter o húmus que é feito essencialmente da decomposição de resíduo vegetal. E isto é uma coisa que a gente vê todo dia. Junta-se um bocado de folhas, detritos vegetais, mantém-se uma certa umidade, aquele material vai se decompondo, aos poucos vai ficando com aspecto de terra solta, escura, que perdeu a estrutura das folhas e dos detritos vegetais e vai até o ponto de desaparecer, voltando integralmente ao reino mineral. Se entrarem bactérias anaeróbias, se o material for fechado por um processo de modo a impedir a entrada de ar, pode-se gerar componentes absolutamente indesejáveis, condições anaeróbias que não são ideais para a produção do húmus, criando um meio putrefato, alcalino, que pode trazer problemas sérios.
Quando você encharca o substrato demais, você mantém quase que um meio anaeróbio, quer dizer o oxigênio contido na água é consumido, porque no interior do substrato se formam substâncias redutoras, quer dizer, áridas de oxigênio, que o roubam da água, criam condições anaeróbias. O excesso de água, entre outras coisas, é pernicioso por isto.
Quando se compacta excessivamente o substrato, tem-se um problema semelhante. Eu não sou muito favorável, embora não seja totalmente contra, ao uso do adubo orgânico, mas ele tem que ser usado com muito cuidado e com muita orientação porque forma uma camada, uma tampa que veda o substrato, também gerando estas condições anaeróbias.
Há uma experiência clássica que se faz, pegam-se duas plantas com raízes bastante novas, ainda bem verdinhas na ponta, bota cada uma num copo e cobre de substrato, compactando bem um e o outro não. No fim de poucos dias você tira, aquela que você compactou, a raiz está morta e a outra, de substrato mais leve, continua viva.
A natureza nos dá uma grande lição disto, como é que se encontram as raízes das plantas? Penduradas, soltas, na superfície das árvores, das pedras ou então em terrenos extremamente fofos. Uma planta bem nutrida, bonita, em bom estado cultural, geralmente é encontrada em chão de mata onde se tem aquelas folhas bem soltinhas.
Assim sabe-se que o substrato que se torna anaeróbio, sem entrada de ar, é um substrato pernicioso. Então se ele permite a entrada de ar e vai se decompondo, chega num momento que se tem a formação do húmus.
O quê é o húmus?
São componentes químicos, quer dizer ácidos fúlvidos, ácido húmico e humina que é um substância química que não está bem definida. Além disto têm-se um pouco de melanina, a mesma que nós temos na pele que é produzida por fungos, agindo, decompondo os tecidos vegetais. Hoje em dia, sabe-se que o ácido húmico é fator de uma importância total nas plantas. É difícil dizer que é o mais importante mas certamente é um dos mais importantes componentes na vida das plantas. Ele tem uma ação múltipla que permite e favorece o enraizamento. É também estimulante, favorece a absorção de muitos elementos, nitrogênio, potássio, enfim tem um papel importantíssimo, indispensável à vida vegetal, não se pode concebê-la na sua ausência.
Tem-se um grande, gritante exemplo onde nós vemos isto de perto: são os rios da Amazônia. Há dois grupos de rios, os brancos e os pretos. O Solimões é um rio branco e o Negro é preto.
A diferença fundamental é que o rio preto corre em cima de terrenos rochosos, não tem argila e como a água é muito límpida, vê-se em profundidade, vê escuro porque a água é incolor.
O outro passa em terreno barrento, extrai uma quantidade muito grande de argila, fica com aquele aspecto barrento. Quem já esteve na Amazônia, já viu isto, o encontro das águas do Solimões com o rio Negro formando o rio Amazonas. Um é preto, o outro branco.
Estes rios transbordam todos os anos formando aqueles igapós enormes. Sabe-se que a flora às margens dos rios negros é muito exuberante, porque eles têm um teor muito alto de ácido húmico. Na cheia, eles invadem, formam os iguapós em cima de terrenos da mata, cheios de folhas. Extraem aquele ácido húmico, carregam e o fornecem para as plantas. Como estes rios sobem muito, algumas plantas ficam mergulhadas e tem-se um suprimento enorme de ácido húmico.
É claro que outros fazem a mesma extração mas têm um teor muito alto de argila que combinada com ácido húmico, acaba por seqüestrá-lo. A argila é seqüestrante assim como o ácido húmico. Há um grupo de substâncias químicas que têm a propriedade de seqüestrar. Naturalmente quando se fala em seqüestro, quer se referir a ion metálico mas a argila tem uma ação muito parecida com ele sobre o ácido húmico, ela o tira de circulação.
O que quer dizer isto? Na água tem-se uma quantidade muito grande de ions metálicos que vão passando: sódio, potássio, ferro, nitrogênio e o seqüestro é um processo químico, quase podemos dizer físico, em que a molécula do corpo envolve o ion metálico.
Têm-se, por exemplo, o ion do ferro, quando ele passa, o seqüestrador o envolve como se fosse uma cápsula. A argila prende o ion metálico, se você testar uma água que tem ferro e colocar um seqüestrador lá dentro, você não encontrará o ferro, não haverá uma resposta ao teste daquele metal, apesar dele estar presente e isto porque ele está seqüestrado.
A imagem perfeita é esta, uma cápsula envolvendo. A planta tem capacidade de absorver isto e romper o seqüestro. O teor de ácido húmico vai crescendo, todo dia regam-se as plantas fornecendo uma série de ions metálicos que estão dissolvidos: cálcio, magnésio, potássio que vão sendo retidos, absorvidos pelas planta. Então as águas dos rios brancos (rio Solimões e outros) são mais pobres do que as dos negros e a flora não é tão exuberante.
Esta é a evolução básica do substrato: decomposição até chegar a um ponto de produzir uma quantidade de ácido húmico. A decomposição vai aumentando e chega num ponto ótimo onde a planta tem um suprimento ideal. Depois a quantidade de substâncias lançadas ao meio começa a ficar muito alta e vai atingir um limite excessivo, insuportável e tornar-se tóxico.
O ácido húmico tem dois problemas paralelos, ele é um excelente estimulante e podemos enumerar duzentas vantagens, mas ele é também um agente redutor e um agente seqüestrante. Como redutor, começa também a roubar oxigênio do meio, fazendo um curva perfeitamente compreensível: tem-se o substrato ainda não decomposto, sem ácido húmico, sem humus nenhum, indiferente para a planta e pela ação da umidade, são criadas condições favoráveis para as bactérias, elas começam o desdobramento e vão formando humus, com ácido húmico ali presente.
O xaxim com 6 meses, 1 ano está no ponto ideal, está ótimo e não está excessivamente ácido. Está num pH bom para a planta, está fornecendo os componentes que ela precisa. Já se desdobrou uma parte, já se decompôs internamente, as bactérias já permitiram a liberação de nitratos, potássio, nitrogênio nas suas diversas formas - amoniacal, nítrica e etc... A planta vai absorvendo mas até chegar ao ponto que já falei, passando então a ser tóxico para ela
A experiência nos ensina que um substrato bem feito, não muito compacto, pode durar até 4 anos. Depois vê-se nitidamente que a planta começa a sofrer. Mas se o substrato está excessivamente úmido, a decomposição é mais rápida, se a temperatura é mais alta, ela pode mais intensa.
Para se fazer uma medida de pH que seja útil, é preciso não botar adubo nenhum, porque o adubo orgânico tem um teor de pH muito elevado. O esterco de galinha, por exemplo, tem pH 10, a própria torta de mamona tem um pH alto. Tudo isto altera o pH.
Os alemães inventaram, numa certa época, a melhor maneira de se regar uma planta, eu mesmo vi na Suíça, regam menor número de vezes mas quando regam, encharcam a planta para lavar o substrato. É uma coisa extremamente inteligente pois o substrato vai ficando saturado e o ácido húmico é bastante solúvel (embora não excessivamente). Se o pH não estiver ácido, ele é perfeitamente solúvel. Então lava-se, tira-se o excesso, especialmente de sais minerais, conseguindo recompor o substrato. Mas não se consegue tornar o substrato novo porque não se consegue extrair todas as coisas.
Não há substrato eterno. Depois que a degradação começa é difícil pará-la. Mesmo lavando, o meio fica muito cheio de bactérias. Criou-se um meio de cultura e quando para-se de lavar, as bactérias vão agir muito mais rapidamente do que se fosse um substrato novo.
Basicamente, este é o ciclo do substrato.
Nós temos que raciocinar, especialmente, na base do xaxim e a partir daí tirar-se a conclusão para os outros.
A pedrinha é um bom substrato? Não, não é. Ela não tem nada para fornecer para a planta. Tudo o que a planta vai receber, vai ser externo, vai ser através de adubo.
Em 1992, eu publiquei um artigo na revista Orquidário sobre a piaçava onde ela era considerada um substrato promissor. A piaçava é um substrato que tem características muito boas, é porosa mas ela é formada em grande parte de lignina que não se decompõe.
Eu abri um vaso, que eu usei há oito anos, e está como eu coloquei. Então, evidentemente, este substrato não pode ser igual ao xaxim.
á um outro fator que na época era imprevisível, nós não imaginávamos. Eu tenho a impressão que a flora microbiana procura um lugar para ficar Não é em qualquer lugar que ela nasce, não vai nascer numa pedra, e eu acho que a piaçava tem alguma coisa que repele, diminui a quantidade e a qualidade da flora bacteriana. Se não há decomposição, não há alimento para planta e é preciso pensar sempre assim, quando se coloca o esterco, se está preocupado especialmente em alimentar a flora microbiana pois é ela que vai alimentar sua planta. Ela faz um desdobramento mais específico, melhor para a planta, dá uma porção de formas de nitrogênio amoniacal, orgânico, nítrico, desdobra o fosfato sob diversas formas. Então este desdobramento feito pela flora microbiana, inegavelmente é melhor do que o que nós fazemos.
É claro que você pode cultivar em cultura hidropônica mas é um trabalho infernal, um negócio complicadíssimo, você tem que manter uma porção de coisas, muitas preocupações. No quotidiano, a gente tem que contar com a ajuda destes microorganismos que vão fazer o desdobramento. A piaçava é um ótimo suporte mas não tem nada para dar, é um péssimo celeiro.
Aliás tem um fungo desgraçado que dá um problema de pele e na vista, uma coisa meio brava.
Quando eu fui buscar a primeira carga de piaçava no fornecedor, fui informado que havia um problema sério com os empregados mas eu não dei muita atenção. Eu sou meio bruto para estas coisas, é difícil alguma coisa me pegar, mas tive um problema sério. Era só abrir para começar a dar problema na pele e na vista.
Quanto ao coxim, eu ainda não tenho experiência suficiente com ele mas a partir das análises preliminares que fiz dele, achei-o muito pobre em matéria orgânica e neste ponto ele é mais próximo da piaçava do que o xaxim.
Eu fiz uns vasos que enraizaram bem. A Rosário (Quinta do Lago) também fez uns vasos que enraizaram bem mas isto só se vê com quatro, cinco anos.
Eu acho que esta tese comete, no meu entender, um erro básico. Sua maior falha é não abordar o ácido húmico. Eu acho isto um negócio meio estranho. Qualquer livro de nutrição vegetal dá importância enorme, de capítulos inteiros, há teses de doutorado desenvolvidas sobre o assunto. Não pode considerar um negócio deste sem analisar a decomposição do substrato. E analisando a decomposição do substrato, fatalmente você cai no ácido húmico.
Eu vi coisas fantásticas na Amazônia com ácido húmico, realmente é de uma importância impressionante. Puxa lençol freático para cima, lençol que está lá em baixo porque desmataram , bota uma camada de folhas de 15 cm, o lençol sobe, porque age sobre a argila, coagulando-se, quer dizer, tem qualidades fantásticas.
A quantidade de ácido húmico do coxim é menor do que a do xaxim. Ele é um dos aspectos do cultivo, tem outros fatores, sais solúveis, diversos tipos de sais, pH, mas eu acho o mais importante para se medir.
Não se iluda! substrato que não se decomponha, que dura a vida inteira é um mau substrato.
Qualquer substrato precisa ser um celeiro.Eu não sou contra nem a favor do coxim, apenas não tenho ainda elementos para acreditar nêle e considero que todas estas afirmativas em torno de suas qualidades são temerárias. Nunca houve um controle de tudo isto.
Eu não concordo com as coisas que são ditas. Eu repito que não tenho experiência com o coxim mas, quando se pensa em substrato, tem que se pensar que ele precisa fornecer nutrientes. Veja como nós começamos o nosso trabalho sobre o substrato (publicado na revista Orquidário Volume 11, no 1, jan-março 97): "O substrato, sem sombra de dúvida, é a base de uma boa cultura de orquídeas. É, a um tempo, suporte e fonte de nutrientes para as plantas, devendo apresentar qualidades básicas e indispensáveis, como sejam consistência como suporte, boa aeração das raízes, capacidade de retenção de água, sem encharcar, pH adequado e, finalmente, possibilidade de se degradar formando húmus (ácido húmico em particular) com liberação dos elementos minerais necessários às plantas".
Ora, o coxim é um ótimo suporte, tem consistência, ótima aeração de raízes mas quanto à capacidade de retenção de água é mais ou menos, menos do que o xaxim.
Ainda não há um substituto universal para o xaxim. Você pendura a orquídea na árvore, ela vai muito bem, você coloca na casca de peroba, ela vai magnificamente bem. Você pode ter uma planta que vai bem num determinado substrato e outras não. Outras vão bem na piaçava. O esfagno é um grande, um fantástico substrato, que se decompõe muito bem, com muita rapidez, dura menos tempo que o xaxim e tem um antibiótico. Cascas de árvores resinosas são ruins porque não permitem o crescimento de bactérias.
Eu, por exemplo, uso uma mistura que fiz: madeira, esfagno, um pouco de xaxim e areia e algumas plantas vão muito bem, mas como média, não dá.
Nunca medi seu teor de ácido húmico mas não deve ser desprezível, deve ser uma coisa razoável, pois tem a madeira se decompondo, xaxim, tem esfagno. Tem o coquinho de açaí, a decomposição é rápida demais, tem casca de coco natural.
Você conhece alguma orquídea que não vá bem em xaxim? Eu não conheço.
Você pode até dizer que ela não vai tão bem no xaxim, vai melhor em outro substrato. Mas, em última análise, bota no xaxim que ela vai.
Em termos de raciocínio universal, para todo o tipo de planta, não se referindo a uma planta específica, se você quer uma média, isto é difícil, não existe ainda.
Para quem tem um orquidário, o problema é sério.


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(4)
SUBSTRATOS VEGETAIS
PARA CULTIVO DE
ORQUÍDEAS EPÍFITAS

por Maria Esmeralda Soares Payão Damatté



Texto extraído de tese apresentada à Faculdade Ciências Agrárias e Veterinárias do Campus de Jaboticabal da UNESP, para obtenção do título de Livre Docente na Disciplina de Produção e Utilização de Plantas Ornamentais do Departamento de Horticultura (l992).



No Brasil, o xaxim tem sido explorado em prejuízo da flora da Serra do Mar, sendo extraído, em grande quantidade, de espécies que além de não serem cultivadas em escala significativa, apresentam um crescimento muito lento. O xaxim verdadeiro, Dicksonia sellowiana (Presl.) Hook, já é difícil de ser encontrado e, por isso, atualmente, faz-se a extração principalmente de Cyathea shanschin Mart. Desde 1990, a legislação brasileira restringe o corte do xaxim, mas ele continua a ser feito dentro dos limites estabelecidos e o produto ainda é muito comercializado nos mercados internos e externos.

Por outro lado, é de grande importância o cultivo de orquídeas por duas razões, primeiro porque as espécies, em estado silvestre, estão também ameaçadas de desaparecer sobretudo em função da destruição de seus habitats e segundo pelo interesse comercial que representa a venda destas plantas.

Em conseqüência, tornam-se necessários estudos com materiais que possam substituir o xaxim como substrato, contribuindo também para proteger tanto as espécies produtoras de xaxim como as espécies da família "Orchidaceae".

Sem um substrato firme e arejado que propicie o estabelecimento, crescimento e funcionamento das raízes, uma orquídea não pode absorver água e os nutrientes que necessita. Embora haja muitos materiais apropriados, a escolha é limitada pela disponibilidade a custos razoáveis e pela facilidade de obtenção. As qualidades básicas de um bom substrato devem ser: disponibilidade, preço acessível, facilidade de manuseio, capacidade de sustentar a planta, durabilidade (deve durar de quatro a seis anos), firmeza, ausência de toxidez e boa aeração.

O xaxim apresenta estas qualidades além de ser rico em nutrientes e é considerado até hoje, o substrato ideal para as orquídeas epífitas.

No Nordeste, a própria casca do coco vem sendo usado na cultura de orquídea, desde o século passado e o coxim é um produto semi-industrializado, feito da casca de coco (Cocos nucifera L), prensada, formando pequenos blocos em forma de paralelepípedo, bastões e placas. É um material que tem se mostrado promissor e pode vir a se tornar um produto importante para a economia do Nordeste tendo como matéria-prima um resíduo industrial das fábricas de fibra de coco, a bucha. A agregação deste resíduo foi obtida por Augusto Ferreira. Com isto, foram eliminadas as inconveniências da casca in natura e obtido um material sem aditivo, com forte hidrofilia que pode vir a ser o substituto do xaxim. De longa durabilidade, propicia um bom desenvolvimento e boa floração, fornecendo às plantas, dispensando adubação. Segundo seu fabricante, não se alcaliniza ao apodrecer e estabiliza seu pH em torno de 5,2 a 5,3, apresentando um pH médio de 5,53.

O presente estudo foi realizado durante 36 meses tendo o Dendrobium tipo nobile Lindl. sido escolhido como planta teste. Os experimentos desenvolveram-se em ripado com 50% de sombreamento, em Jaboticabal, São Paulo. Os objetivos foram os seguintes:

- caracterizar materiais de origem vegetal utilizados como substrato para cultivo de orquídeas epífitas quanto às propriedades físicas (cor, textura, densidade, perda de água e alterações de estrutura em função do tempo) e químicas (pH e concentrações de nutrientes);

- comparação do desenvolvimento de Dendrobium nobile nos diferentes substratos estudados considerando o xaxim como testemunha;

- recomendar os materiais mais adequados para substituir o xaxim.

Foram utilizados os seguintes substratos:

1-xaxim desfibrado (testemunha)

2- Coxim

3- casca de Eucalpyptus grandis

4- mistura de coxim (50%) com casca de Eucalyptus grandis (50%)

5- mistura de coxim (70%) com e carvão vegetal (30%)

6- mistura de Eucalyptus grandis (70%) com carvão vegetal (30%)

7- mistura de coxim (38%), casca de Eucalyptus grandis (35%) e carvão vegetal (30%)

Os recipientes contendo os substratos estufados foram mantidos nas mesmas condições ambientes e foram realizadas amostragens periódicas para verificações diversas: perda de água em função do tempo, alteração da estrutura original em função do tempo, pH, concentração de macronutrientes e micronutrientes, média por planta de características de desenvolvimento vegetativo e floração, entre outros.

Entre os materiais estudados, o coxim é o que mais se parece visualmente com o xaxim e essa semelhança é interessante do ponto de vista da comercialização pelo efeito estético a que o consumidor está habituado. Com referência à densidade global, que se reflete no peso do vaso, nenhum substrato se mostrou mais vantajoso do que o xaxim enquanto que no coxim, seu peso constitui um problema para vasos suspensos e para o transporte. Por outro lado, o peso dos pequenos blocos auxilia a fixação da planta no vaso e o plantio de uma orquídea se torna mais fácil e rápido.

Os resultados verificados com o coxim confirmam que inicialmente não há grande retenção de água mas com o uso, o material adquire maior capacidade de permanecer úmido. O substrato que se conservou por mais tempo dentro da faixa de pH de 4,8 a 5,5 considerada ideal para cultivo de orquídeas, foi o coxim . Na mistura de coxim com carvão vegetal, o período em que o pH se conservou adequado foi mais restrito. O pH dos outros substratos não se enquadrou na faixa mencionada. Quanto à natureza de nutrientes, quando novo, ele se destacou, superando o xaxim novo nas concentrações de fósforo, cálcio, magnésio, boro, molibdênio e, principalmente, potássio.

O maior problema apresentado pela casca de eucalipto foi a alteração de sua estrutura, tornando-a, depois de certo tempo de uso, um substrato inadequado para o cultivo das orquídeas epífitas pela perda de porosidade indispensável à boa aeração. Neste aspecto, evidenciou-se a vantagem do coxim e do carvão vegetal.

O carvão vegetal, apesar de ser considerado um material praticamente inerte, apresentou concentrações significativas de nutrientes, com exceção de fósforo.

Deste estudo, concluiu-se que a casca triturada de Eucalyptus grandis pura não é adequada como substrato para as orquídeas epífitas. Dos substratos estudados, o coxim puro é o que reúne mais qualidades para substituir o xaxim.

Ele apresentou as seguintes vantagens em relação aos outros substratos propostos:
- aparência semelhante ao xaxim;

- facilidade de manuseio;

- aeração e drenagem boas;

- grande capacidade de retenção de umidade depois de algum tempo de uso;

- durabilidade;

- pH adequado;

- composição adequada de nutrientes após um período inicial de lixiviação.

Por outro lado, apresentou como desvantagens:

- apresentou maior densidade, o que encarece seu transporte e torna os vasos mais pesados;

- reteve pouca umidade quando novo, o que tornaria necessário deixá-lo imerso em água durante algum tempo antes de sua utilização(o coxim, fabricado atualmente, já sofreu modificações para aumentar sua capacidade de retenção de água);

- apresentou concentração inicial de nutrientes muito alta, que pode ser desfavorável para a orquídea

- ainda é um material relativamente caro e de disponibilidade restrita.

O preço é um fator de grande importância a ser levado em consideração na escolha do substrato.O coxim, no sul do País, é encarecido pelo transporte, já que é fabricado no Recife e precisa ser encomendado ao seu fabricante (*) mas é uma situação que se modifica com o tempo.

Com o objetivo de diminuir os custos, pode-se utilizá-lo em misturas com carvão vegetal, com casca triturada de Eucalyptus grandis ou com ambos os materiais embora essas misturas tenham sido inferiores quanto às outras vantagens citadas. A casca de eucalipto pode ser obtida gratuitamente e o carvão vegetal é vendido a preço relativamente baixo mas deve-se ressaltar que ele é fabricado, constantemente, a partir do corte de árvores que ocorrem em matas naturais, provocando sua devastação. Por outro lado, o preço do xaxim, cuja substituição se propõe, tem se elevado à medida que o material escasseia.

É necessário a realização de testes prévios com a espécie de orquídea a ser cultivada embora os resultados obtidos com o Dendrobium nobile tenham sido satisfatórios.

(*) O fabricante já conta com representantes em diversos estados do País: Brasília, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e naturalmente Pernambuco.

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(5)
Waldemar Schelliga

Orquidófilo há mais de 30 anos,
possui um orquidário no Rio de Janeiro
e outro em Petrópolis.




Eu introduzi o uso do coxim em meus orquidários há 5 anos. Isto está sendo feito de uma maneira gradativa. Para cada vaso que eu abro, faço um novo com xaxim e outro com coxim.
Devo dizer que os resultados obtidos são idênticos. Quanto à adubação, também não vejo diferença, uso adubo idêntico para os dois tipos de substrato. Eu só uso a mistura granulada de farinha de ossos, torta e mamona e cinza de madeira nos meses de setembro, janeiro e abril, não aplicando no inverno. Não há outro complemento.
Primeiro eu mergulho o vaso na água, coloco a mistura, rego ligeiramente de modo que o adubo penetre no substrato e não saia totalmente na primeira rega. Tenho atualmente 20% de meus vasos plantados com coxim em cubos.
A prinicpal vantagenm deste substrato é a aeração das raízes. Ele não pode ser colocado de maneira ordenada, é preciso ser jogado, sem socar, permitindo com isto que o sistema radicular fique devidamente arejado, o que não acontece com o granulado, por exemplo. Com esta apresentação, eu não acho que funciona.
Uma outra vantagem que vejo no coxim é facilidade com ele se desprende das raízes quando começa a se deteriorar, no reenvasamento. Com um jato de água, ele é completamente eliminado das raízes. Elas ficam limpas e então vai-se colocando os cubos novos entre as raízes, nos espaços vagos. Neste caso é extremamente simples. Hoje mesmo eu troquei o coxim de uma Vanda instalada num cachepot de madeira.
É um substrato de longa duração e pode ser usado por 5 anos, praticamente não apodrece ou leva muitos anos para se deteriorar e mantém o pH 5,4 até o fim e neste sentido, ele é superior ao xaxim.
Quanto às As desvantagens, elas são perfeitamente contornáveis.
Em primeiro lugar, é preciso deixar o coxim de molho, pelo menos 8 dias, trocando a água diariamente para eliminar o tanino, presente na casca do coco. O tanino é altamente prejudicial às raízes mas esta lavagem vai livrar o coxim completamente dele e depois disto estará perfeitamente adequado para o uso, sem acidez e umedecido.
Por outro lado, mesmo com o xaxim, embora não precise deixar de molho tanto tempo, eu tenho praticamente o mesmo cuidado. Primeiro, peneiro para tirar bem o pó e depois lavo muito bem para eliminá-lo totalmente. O ruim do xaxim é justamente a poeira que retém muita umidade e faz apodrecer as raízes. Esta desvantagem, o coxim não tem.
Com relação ao seu uso em si, é preciso aprender a colocar a orquídea nele, a maneira de plantar é diferente. O xaxim, por exemplo, segura mais a planta, ela fica mais amparada. No coxim, é preciso prendê-la bem para que não fique instável. Dá um pouco mais de trabalho. Eu uso os orifícios laterais do vaso para amarrá-la, coloco a traseira da planta bem junto à parede do vaso, entro com um fio pelo orifício próximo, passo-o em torno da planta, saio com ele no mesmo lugar que entrei e amarro em torno do vaso. Faço o mesmo com um dos outros orifícios e se é um vaso que vai ser dependurado, o arame também serve para ajudar a firmá-la.
Sei que tem outros métodos, mas para mim este é eficiente. Como disse, as desvantagens são perfeitamente contornáveis e não inviabilizam a utilização do coxim.
Quanto à retenção de umidade, ela é boa desde que se mantenha a regularidade de rega para conservá-lo sempre úmido. Ele exige uma rega um pouco diferente, este é um cuidado que temos que ter. Contrariamente ao xaxim, por exemplo que precisamos esperar secar para regar novamente, o coxim precisa ser mantido sempre úmido, a superfície seca muito rapidamente. É por esta razão que, no meu entender, ele não é adequado para plantar orquídeas de raízes muito finas tipo Miltonia, Oncidium etc... Neste caso, eu prefiro usar a casca de árvores, tipo corticeira, por exemplo.
Em relação aos tipos, eu só uso os cubos. Em pó, eu não acho aconselhável pois prejudica a aeração, fica muito compacto e neste caso retém umidade demais. No caso das placas, é justamente o contrário, fica muito ressequida comprometendo as raízes. É muito complicado mantê-la úmida. Para mim, coxim é cubo.
A respeito das outras opções que temos,a casca de corticeira, como já disse, é muito boa para Oncidium. Tem outros que são completamente inertes, por exemplo, o cascalhinho, a piaçava e precisam de muita adubação.
O cascalhinho tem retenção zero de umidade, a piaçava conserva pouquíssima umidade, são insuficientes, a umidade tem que ser uniforme.
A piaçava tem uma característica interessante, ela gasta, acaba mas não se deteriora, inclusive ela é usada no norte para fazer amarras de barcos. A casca de pinus me inspira preocupações, a usada aqui não é desinfetada e pode trazer muitas doenças. É muito usada nos Estados Unidos mas a vendida lá é esterilizada.
Considero o coxim um substrato perfeitamente adequado e com o qual temos obtido um bom resultado. Com exceção das orquídeas de raízes finas, no meu entender, o coxim é, pelo menos por enquanto, o substituto ideal para o xaxim. Se eu for obrigado a mudar todo o substrato dos orquidários, de uma maneira geral, eu mudo para o coxim mas enquanto houver xaxim, eu vou continuar usando e fazendo como tenho feito até agora, grande parte em xaxim e outra em coxim.



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(6)
Roberto Agnes

Sócio e diretor técnico do Orquidário Aranda




Aqui no nosso orquidário usamos basicamente o xaxim puro ou misturado com cascalhinho em diversas proporções, dependendo do gênero.
Com a Cattleya, a proporção é de 1/3 de cascalhinho para 2/3 de xaxim, com Cymbidium, é meio a meio. Com as orquídeas de raízes finas, só usamos o xaxim puro. Com Vandaceous, não utilizamos nada, apenas amaramos nos cachepots de madeira.
Gostaria de deixar claro que estou abordando o problema de um orquidário comercial de porte, pois quando se trata de pequenas coleções de amadores o controle praticamente individual de cada vaso é fácil e pode ser efetuado. Neste caso, pode-se ter a coleção dividida em diversos tipos de substratos, em diversos tipos de recipientes. Mas, no nosso caso, assim como no dos outros orquidários comerciais, nós precisamos de uma uniformidade nas bancadas. Com mais de 150.000 plantas adultas, fora os seedlings, não há possibilidade de fazermos regas muito diferenciadas.
Por diversas razões, em Terezópolis, todas nossas plantas, com exceção de Vandaceous e Oncidium, são colocadas em vaso de plástico.
Já fizemos experiências com substratos alternativos e todas elas podem ser consideradas desastrosas. Experimentamos usar o cascalhinho puro, não funcionou, resseca muito. Tentamos o cultivo na casca de acácia, desastre absoluto. Em virtude do baixo teor de lignina e por se tratar de uma leguminosa, muito macia, com muito retenção de água e pouca oxigenação, a decomposição se processa numa velocidade surpreendente. Às vezes, em 6 meses, já se tornava uma massa sólida.
Foi feita uma mistura de cortiça, bolinhas de isopor, esfagno, de início foi muito bem mas depois a composição química utilizada na cortiça foi alterada e aí não funcionou mais.
A cortiça vendida é sobra do fabrico de rolhas e portanto recebe tratamento químico inadequado ao cultivo de orquídeas. Além disto, trata-se de material extremamente caro. Resolvido o problema de controle de produtos químicos, poderá funcionar numa coleção menor, mas em grande escala não seria viável economicamente.
Agora já temos disponível o esfagno do Chile que é tão bom quanto o da Nova Zelândia, não esfarela como o nosso. Ele é um excelente substrato mas não para todas as orquídeas. Para a Masdevallia e outras orquídeas de raízes finas é fantástico mas sua decomposição é muito rápida, tem que ser trocado anualmente.
É excelente para recuperar plantas e para ser usado em vasos comunitários. O controle de rega tem que ser rígido. O problema é que também tem um desenvolvimento muito lento, não tem como ser reposto a curto prazo. Torna-se assim um substrato muito caro, inviável para utilização em grande escala.
Mas nesta procura, existem outras experiências que estão sendo ou já foram feitas. Nos Estados Unidos, a casca de abeto é muito usada, proveniente da região da Califórnia. Para se usar casca de árvores resinosas, é necessário se eliminar antes qualquer resina que possua. Parece que no sul do País, também vem sendo usada, funcionando muito bem mas ainda é muito caro. Já vi bons resultados com este cultivo.
A piaçava é um outro substrato que no início se mostrou interessante, mas o uso continuado provou que não funciona. Tem diversos inconvenientes, não tem retém umidade, provoca problemas de pele, é muito dura, ela machuca os dedos e a mão de quem manipula. Para se manipular 1 ou 2 vasos tudo bem, mas imagine manipular 12.000 vasos com um produto tão duro que inclusive não permite o uso de luvas de proteção. A luva teria que ser muito grossa para que a fibra não passasse através dela.
Quanto ao coxim, não posso falar sobre ele pois a Aranda ainda não o está usando. Trata-se ainda de um substrato muito caro.
Apesar de tudo, o xaxim ainda é a melhor alternativa mas tudo que é orgânico tende a acabar e por isto tornam-se cada vez mais caros.
Os substratos orgânicos já são ou estão se tornando inviáveis em termos de um grande orquidário. Isto é universal. A Austrália e a Nova Zelândia, onde há o cultivo com substratos orgânicos de espécies nativas, estão enfrentando o mesmo problema.
No meu entender, mais cedo ou mais tarde, em algum momento, nós vamos começar a usar o substrato inorgânico. Nós vamos tomar o caminho que a Europa e Estados Unidos já tomaram. Nestes locais, são usados substratos inorgânicos, tipo lã de pedra e floral que é este material verde, derivado do petróleo, que as lojas de flores usam para fazer arranjo. Eles funcionam muito bem quando usados em coleções muito bem controladas, em ambientes muito organizados. São inadequados ao cultivo ao ar livre pois absorvem praticamente todas as substâncias, água, resíduos químicos de adubos, resíduos de qualquer remédio aplicado. O controle deste excesso tem que ser rigoroso. É preciso medir a presença dos sais minerais no substrato antes de adubar.
Quem acertou estes controles todos, como é o caso dos orquidários da Holanda, tem um excelente cultivo. Antes de os adotarmos, é preciso fazer as adaptações e as pesquisas no sentido de verificar como a planta vai reagir com a combinação de calor dos trópicos, umidade elevada e acúmulo de água salinizada.
Tem que se levar em consideração a alteração da capacidade da planta de absorver os sais minerais e a alteração da composição química destes sais ou seja, como elas agem e reagem sob diferentes condições.
Existem muitas diferenças do clima europeu e norte americano para o nosso e suas estufas tem um controle rígido de temperatura. Com o frio o metabolismo é mais lento, tem menor poder de absorção. Com a elevação da temperatura, isto se modifica mas só até certo ponto, acima de 27o C, a planta volta a metabolizar mais lentamente.
Isto tudo tem que ser estudado antes de adotarmos estes substratos. Eu tenho observado este fenômeno com os Phalaenopsis, apesar de serem plantas de clima quente, o excesso de calor afeta o seu desenvolvimento. No alto verão, suas folhas ficam menos túgidas. Como ele reagiria a um substrato novo que vai reter mais água.
Enfim , na minha opinião, não há como fugir. No futuro, teremos que usar os substratos inorgânicos porque todos os que são orgânicos vão desaparecer.


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(7)
Nelson Barbosa Machado Neto




Sou engenheiro agrônomo e trabalho com genética e fisiologia de plantas, sendo orquidófilo há 15 anos, apesar de estar afastado por longo tempo desta atividade.
Em minhas andanças pelas matas do país, pude observar várias espécies de orquídeas, as quais, invariavelmente (exceto as terrestres e paludícolas), estavam com as raízes expostas, i.e., visíveis e muitas vezes cobertas de 'cisco' como dizem por aí.
Parto deste pensamento, se as orquídeas tem parte de seu velame coberto de húmus, este não é de todo danoso. Fico pensando em metros e metros de raízes confinados em vaso forrado de xaxim ou qualquer outro substrato que se decomponha. Logicamente o velame ficará coberto por húmus causando certa anoxia ao tecido radicular e favorecendo um ambiente anaeróbico como já foi lembrado.
Levando em conta o termo substrato, tenho que este serve apenas como matéria de suporte ao ser, em nada ajudando em sua nutrição. Os nutrientes de uma orquídea qualquer em cultura têm que ser adicionados de maneira periódica, como o seriam na natureza. O vento e a chuva encarregam-se de levar estes nutrientes das outras partes do suporte até que estes sejam interceptados pelas raízes espalhadas das orquídeas sejam elas epífitas ou rupestres.
Assim sendo, posso considerar como 'bônus' qualquer nutriente que exista no substrato, seja ele o xaxim, o Sphagnum, a casca de coco, o coxim, cacos de pedras e outros tantos.
A preservação de espécies é um tema importante e que merece e deve ser dada toda a consideração, mas quero crer que não são apenas os orquidófilos amadores do Brasil que estão consumindo esta fibra.
Os grandes orquidários daqui e de fora creio que respondem mais por isto do que os pequenos, embora não possua dados que corroborem esta afirmativa (olhem o site do IBGE).
Gostaria de pensar que os fóruns de discussão fossem versar mais sobre a extinção de estoques genéticos e de espécies, mesmo que de pouco valor comercial no momento. Espécies como Laelia alaori, Cattleya velutina e C. kerri e outras que, por vezes, aparecem nos catálogos internacionais como "espécies exploradas até virtual extinção na natureza agora disponível..."
Estes fatos devem ser considerados ao invés de discutirmos a retenção de sais e a qualidade do substrato.
É certo que para pequenos orquidófilos a ausência de um substrato prático será um empecilho, mas imagino para os grandes.
A propósito quando vamos falar do próximo a entrar nesta lista, o já citado Sphagnum???
Cordialmente


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(8)
Greg Alikas

Fotógrafo e cultivador. Responsável pelos sites
The Orchid Photo Page e The O Zone




Vocês, certamente, estão prestando um serviço à comunidade orquidófila global colocando em destaque a crise que ameaça a sobrevivência do xaxim.
De certo modo, isto é um problema para os cultivadores e de certo modo, não é.
Se toda uma coleção ou um orquidário comercial depende inteiramente do xaxim como meio de cultivo e tem que ajustar sua prática de cultivo para o uso de um novo material, isto constitui um problema.
Entretanto, como sabemos, as orquídeas epífitas crescem em, ou sobre, quase qualquer coisa que não se oponha a elas, o material sobre o qual vegetam é apenas um suporte. Eu tenho visto orquídeas vegetando em bolinhas de gude, em vasos de isopor, Vandas crescendo em ossos velhos de bifes, Oncidiums crescendo em placas de isopor, Encyclias crescendo em crânio de boi. Uma das mais saudáveis Cattleya aclandiae que vi, estava crescendo fora do vaso de barro.
Eu creio que a perda do xaxim como meio de cultivo é uma perda maior para os orquidários comerciais, com fins lucrativos e milhares de plantas, do que para os cultivadores amadores com algumas centenas de orquídeas que podem fazer e normalmente fazem, experiências com outros tipos de meio de cultivo.
Nos Estados Unidos, o xaxim tem sido caro e por muitos anos, foi difícil de ser encontrado. Muitos cultivadores já encontraram um outro meio de cultivo. Como já mencionado no fórum, muitos cultivadores aqui usam casca de abeto (pinheiro), que é relativamente barato e fácil de ser encontrado.
Realmente, juntamente com o esfagno, é provavelmente o mais usado dos materiais para o cultivo de orquídeas, especialmente nas regiões temperadas. Aqui no sul da Flórida, ela deteriora muito rapidamente para ser usada.
Há alguns anos atrás, nós começamos a mudar todas nossas orquídeas do xaxim para pedras vulcânicas e isto foi a melhor coisa que fizemos. Esta nossa mudança foi uma mudança de cultivo, não uma resposta ao decréscimo de suprimento do xaxim. Nós cultivamos nossa diversificada coleção de 700 plantas, em uma estufa aberta e sombreada, no sul da Flórida onde elas estão sujeita a prolongados períodos de chuvas e temperaturas elevadas.
Embora tenha sido o xaxim um suporte confiável para nós durante décadas, o material inorgânico está provando ser superior. Eu devo acrescentar que uso o esfagno para Phalaenopsis e algumas espécies crescem em cachepots e em molduras para espécies que necessitam disso.

As vantagens do meio inorgânico são: Há apenas uma ou duas desvantagens:
foto de Greg Alikas
Pedras vulcânicas (esquerda) e Aliflor (direita)
Existem muitos destes materiais orgânicos agregados: Solite, Aliflor e pedras vulcânicas e todos compartilham das mesmas propriedades e diferem da argila expandida por terem pequenos buracos em sua superfície para reter a umidade. Como já foi mencionado, as orquídeas crescem praticamente em qualquer material que não seja agressivo desde que as práticas de cultivo sejam devidamente ajustadas.

Para finalizar, deixe-me oferecer minha regra número 1:
Antes de mudar a sua coleção inteira para um novo meio de cultivo, primeiro experimente-o com um pequeno número de orquídeas (de preferência com duplicatas) durante um ano, pelo menos, ou até se completar um ciclo inteiro das estações, aquele que vier primeiro.


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(9)
Ernie Anderson





Prezado Sergio,
Não posso ajudá-lo, mas percebi o desapontamento em seu editorial de Orchid News no 5 e compartilho-o com você.
Entretanto, você precisa levar em consideração que você realmente está fazendo um grande trabalho em prol do movimento conservacionista. Você tem uma homepage fantástica que é acessada por muitas pessoas e ela continua crescendo.
É uma grande oportunidade para se fazer ouvir!
O seu primeiro apelo a respeito do xaxim plantou a semente. A germinação e a maturação da semente levarão algum tempo mas você começou o processo e pelo menos fez as pessoas despertarem para o uso do material e o impacto deste uso.
Volte ao assunto nos próximos números e acredito que você ficará surpreso.
Uma outra razão para eu não responder ao seu primeiro apelo foi constrangimento. Eu não estou no mesmo nível dos cultivadores experientes, como a pessoa entrevistada no Orchid News n 4 que milita nesse campo há tantos anos. Era difícil opinar com meu conhecimento limitado quando vocês tem cultivadores tão experientes e com tantas informações no Brasil.
Aqui na Columbia Britânica, Canadá, nós somos chamados "O Brasil do Norte" pela mídia norte americana e européia.
Nós temos antigas florestas que estão sendo ceifadas numa escala alarmante. Nós exportamos toras para a Ásia o que quer dizer que nem mesmo aproveitamos os empregos gerados pela nossa floresta. Nós estamos exportando os empregos junto com a matéria-prima.
Nós temos florestas temperadas de incrível beleza e aqui a batalha é igual à que você vem empreendendo.
Sustentabilidade
Quando começamos a cultivar orquídeas, o material recomendando como substrato era a casca para muitas espécies. Então um artigo foi publicado na revista da American Orchid Society abordando o uso de turfa misturada (Crescendo na Lama, era o nome do artigo). Nós trocamos nosso substrato e ele é mais estável para muitas plantas.
A turfa vem de Alberta, Canada. As áreas devastadas são normalmente terras úmidas e as áreas são escavadas em tiras no processo. Pântanos e terras úmidas sofrem pressão em todas as áreas devida à conclusão de que são "áreas desperdiçadas" quando, na verdade, elas são os "pulmões" da terra. Assim, agora, nós usamos este substrato para aplicações limitadas como por exemplo os Phalaenopsis que minha mulher cultiva, em alguns vasos grandes de Cattleya. Mas meu pensamento após meditar sobre seu artigo original foi para os meios disponíveis.
Nós estamos procurando a proverbial "bala de prata", um substrato de uso universal.
Talvez estejamos querendo demais e a volta aos substratos mistos é pertinente, dependendo da espécie.
Eu tenho um amigo aqui que trabalhava num orquidário no Hawaii. Ele exportava plantas para diversos locais do mundo, mas sempre como intermediário Através disto, ele adquiriu um considerável conhecimento, mas isto não é mostrado de imediato Agora ele importa orquídeas, induz a formação das hastes e as vende nos leilões de flores ou para outros mercados. Ele induz as plantas a lançarem suas hastes numa velocidade surpreendente e suas plantas têm uma aparência saudável e limpa como as da Aranda. Ele desenvolve substrato para seu uso e o que ele usa para a aliança do Oncidium, no qual eu estou interessado, é interessante.
Como disse, nós vivemos junto às florestas. O musgo da floresta é abundante e substancial. Ele cresce em grandes emaranhados nos troncos em decomposição ou no chão da floresta. Quando colhetamos, só pegamos pequenas porções deste crescimento que se regenera em mais ou menos um ano. É um musgo de floresta de fibra longa, provavelmente Claopodium Crispifolium ou do grupo do Heterocladium. Pode ser usado recem cortado, ainda verde, como eu uso ou pode ser colhido e armazenado para secar como meus amigos fazem.
O processo então envolve "pentear" o musgo. Meu amigo usa uma máquina para processar os emaranhados e que separa as fibras individuais, afofando o musgo durante o processo. Adiciona Sponge Rock (agricultural grade perlite, a heat expanded sand) com água e a mistura é colocada para drenar e depois é estocada.
Como eu sou um cultivador amador, eu afofo e faço a mistura manualmente mas o resultado é bastante similar. As plantas reagem extremamente bem. Dificilmente agua-se demais (vantagem para os principiantes) e não retem excessivamente os fertilizantes. O Ph é neutro, deteriora lentamente e é relativamente fácil de reenvasar.
Os substratos devem ser escolhidos com base em 3 itens:
Primeiramente ele tem que ter firmeza, em segundo lugar tem que ser simples tanto para o reenvasamento como para manutenção e, por último mas não menos importante, a planta deve responder adequadamente ao seu uso.




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(10)
Luiz A. Menéndez

(cultivador argentino e estudioso do gênero Oncidium)




Lamento muito que não tenha havido muito interesse em buscar substratos alternativos de cultivo para evitar o uso descontrolado do xaxim. Alguns amigos e eu temos optado por reduzir ao máximo o uso dessa fibra porque notamos que ao cabo de algum tempo as orquídeas param de crescer e muitas definham em razão de sua decomposição e acidez.
Para solucionar este problema, a orquídea devia ser transplantada em xaxim novo. Há muito tempo nós optamos não só por nos desfazermos de nossos anti-estéticos vasos, assim como também em usar uma pequena quantidade de xaxim, somente uma fina camada de aproximadamente 1cm de espessura, colocando-a debaixo das raízes cortadas, de modo a fornecer uma base úmida para as novas raízes e desta forma as atamos aos troncos. Tratamos de assentar todas as nossas orquídeas em troncos os quais, por sua vez, se encontram apoiados às paredes.
Vemos, dia a dia, como as raízes rapidamente passam da camada de xaxim para a madeira e pouco tempo depois para parede. Muitas plantas se agarram às paredes pintadas, crescendo e florescendo muito bem. Como por exemplo as Vandas. Eu, particularmente, fiz isto nos últimos meses com Cattleyas e Phalaenopsis, entre outras. Coloquei as raízes nuas diretamente sobre os ditos troncos e sobre elas, um pouco, só um pouco de musgo. Notei, ao mesmo tempo, um enraizamento jovem e vigoroso.
Deste forma abolimos o xaxim. Assim, como pode ver, em primeira instância, não é uma solução ecológica pois estou utilizando como recurso troncos de árvores (de madeira dura) talhados, mas há muito tempo não compro xaxim. É um meio alternativo que serve para iniciar o desenvolvimento das plantas, as quais, com o transcorrer do tempo, irão tomando as paredes de tal forma que nunca precisam sem replantadas. Finalmente, poupar o meio de cultivo, substituindo-o pela alvenaria e pelo fertilizante, creio eu, será uma pequena contribuição para frear, em parte, o corte das árvores assim como o do xaxim.
O nosso objetivo inicial não foi "salvar o xaxim", mas foi, como já disse, buscar um melhor substrato para nossas plantas.
Hoje, pelos seus comentários feitos na home page "Brazilian Orchids" me dou conta do perigo que corre essa espécie e então me engajo nesta luta. Não usar xaxim!




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(11)
Helio E. Marodin

representante do coxim em Porto Alegre - RS




No Estado do Rio Grande do Sul, desde o final da década de 80, foi proibida a exploração e a comercialização do xaxim e seus derivados, seja em forma de fibra, de pó ou mesmo de vasos.
Isto decorreu do grande boom da comercialização das samambaias que varreu nosso país naquela época. Devido ao longo prazo necessário para a sua regeneração, o xaxim está seriamente ameaçado de extinção. Nós, orquidófilos gaúchos, ficamos seriamente abalados pois o xaxim era, tradicionalmente, o substrato mais usado, senão o único, na cultura de orquídeas.
Já naquela época, muitos pioneiros experimentavam alternativas tais como cultivo em casca de peroba, casca de pinnus pura, misturada com sphagnum, com areia grossa e não sei mais o quê.
Na verdade, todos estes substratos tinham sérios problemas de enraizamento, decomposição e aeração.
Em razão da resina tornar a casca de pinnus impermeável não permitindo a retenção de água, sempre tive problemas com desidratação das minhas plantas cultivadas neste substrato. O enraizamento era pobre, o crescimento das plantas era deplorável, trazendo o enfraquecimento, fungos e todo o tipo de pragas oportunistas. Quando meu amigo, Dr. Alfeu Cardoso, trouxe de Recife algumas placas de coxim, minha motivação não foi muito grande devido ao preço e algumas experiências favoráveis com a casca de peroba. Mais tarde, porém, esta casca, embora seja o melhor substrato que já testei, também tornou-se inviável por causa de sua escassez e resolvi, então, testar o tal coxim em cubos, que obtive, inicialmente, através de Aldomar Sander. Meio a contragosto, devido aos insucessos anteriores com substratos alternativos, plantei algumas mudas de plantas inferiores de Cattleya intermedia, Laelia purpurata e Cattleya leopoldii.
No início, notei a queima das pontas das raízes novas, que alguns atribuíram à presença excessiva de tanino no material. No entanto, não acreditei nesta história de tanino e parti para outra experiência. Como o material fica solto no vaso, resolvi amarrar as plantas com estacas e suportes de arame para evitar o balanço das plantas com o vento. Os resultados logo apareceram. As raízes se desenvolveram, agarrando-se no cubos de coxim, com avidez. Os bulbos tornaram-se robustos, as folhas mais grossas e a floração veio com força. Alguns brotos novos até assustavam, de tão "gordos", parecendo que tinham larvas em seu interior, tal a força da planta. Logo percebi que, ao retirar algumas plantas do vaso, até as raízes "velhas" rebrotavam e a saúde da planta era excelente.
O coxim dá um enraizamento impressionante, com velame branco, pontas firmes e ramificação das raízes. Boas raízes geram pseudobulbos fortes, grossos e folhas grossas. O fato do substrato ser em cubos, deixa muito espaço vazio entre eles, o que nos dá aquilo que sempre procuramos nos demais substratos e nunca encontramos, mesmo no xaxim: AERAÇÃO DAS RAÍZES.
Claro que tudo isto deve ser acompanhado de regas e iluminação adequadas a cada espécie cultivada. Eu, praticamente, não adubo minhas plantas pois o coxim fornece quase todos os nutrientes necessários.
Hoje, depois de 4 anos, os primeiros vasos plantados com coxim apresentam sinais de deterioração do substrato, com musgo crescendo intensamente na superfície do vaso. No entanto, a troca de substrato não tem sido traumática pois o coxim esfarela-se e sai com facilidade do novelo das raízes. Os cubinhos que não se esfarelam, são retirados sem dano ou esforço embora com algum cuidado. A recuperação das plantas reenvasadas é normal, sem murchar.
Alguns orquidófilos como Dirceu Mendo e Zacarias Sulepa usaram e estão usando o coxim obtendo os mesmos resultados. O falecido Honório Trombini da mesma maneira utilizou este substrato. No entanto, muitos colegas não tiveram os mesmos resultados. Por que? Cultivar com o coxim não tem segredos mas algumas técnicas devem ser respeitadas:
1) Eu cultivo em vasos plásticos porque meu orquidário tem a tendência de secar rapidamente os vasos Com o vaso plástico, além da aparência mais bonita, eu ganho em conservação da umidade;
2) Antes de usar o coxim, coloco todo o material de molho, por uma semana, no mínimo, trocando a água diariamente, para reduzir a presença do tanino;
3) Manter o coxim úmido, principalmente no primeiro mês de instalação, para evitar a desidratação da planta;
4) Adubar minimamente, com adubos ricos em Nitrogênio e fracos em P e K pois o coxim já é rico em Fósforo e Potássio.
Hoje estou cultivando, além das Cattleyas intermedia, praticamente todo tipo de orquídea e só não tenho tido os mesmos resultados com as Laelia purpurata antigas, talvez devido ao longo envenenamento e à debilidade das plantas constantemente cortadas e divididas até tornarem-se quase seedlings, largamente infectadas por todo tipo de bactérias, fungos e até vírus.
Os seedlings de Laelia purpurata, no entanto, estão florindo com 6 anos agora, com plantas fortes, robustas e flores normais. As minhas Laelia purpurata cultivadas de sementes levavam de 10 a 12 anos para florir quando as cultivava em xaxim.
Os híbridos produzem bulbos e floração intensos.
Estou cultivando até Paphiopedilum no coxim deteriorado que retiro das plantas reenvasadas. E os resultados têm sido magníficos. E veja que cultivar Paphiopedilum em Porto Alegre, sem estufa, não é mole não. As mudas estão se transformando em touceiras e os Phalaenopsis também estão adorando, o substrato, não o nosso frio.




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