A Instituição

O Herbarium Bradeanum (HB), fundado no Rio de Janeiro em 19 de junho de l958 pelo pesquisador Guido J. F. Pabst, é uma instituição científica, não governamental, sem fins lucrativos, destinada ao estudo da flora brasileira, à formação, manutenção e ampliação de um herbário representativo da vegetação nativa, auxiliando as instituições oficiais, fomentando e fornecendo subsídios à pesquisa botânica e às pesquisas ligadas ao estudo da biodiversidade.
Desde l967, é reconhecido como entidade de Utilidade Pública Estadual pela Lei nº 1.497 , de 31 de outubro de l967.


  Guido Pabst
Seus fundadores

Com Guido Pabst, estava, na época de fundação do HB, um grupo de 17 personagens importantes da história recente da botânica do Brasil. Fizeram parte deste grupo de sócio-fundadores: Adda Abrendroth, Adyr Guimarães, Apparício Pereira Duarte (naturalista), Dimitri I. B. Sucre, Edmundo Pereira (naturalista) , Ezechias P. Heringer (agrônomo), Gert Hatschbach (naturalista amador), Graziela M. Barroso (naturalista), Helmut Sick (Zoólogo), Ida de Vattimo Gil (naturalista), Lauro Pereira Travassos (médico), Leon Geraldo Pabst, Liane de Jesus Teixeira (agrônoma), Luyz de Mendonça e Silva (médico), Odette Pereira Travassos (biologista), Rudolpho Abrendroth, Walter Alberto Egler (Agrônomo).
 
Seu nome, seu símbolo, seu patrono

Seu nome foi dado em homenagem a Alexandre Curt Brade (1881-1971), que estudou várias famílias e grupos botânicos, como as pteridófitas (samambaias e avencas) e veio a se tornar o patrono da instituição.
Arquiteto de formação, desde a infância se interessou pela natureza a partir das excursões que fazia com o seu pai, que era entomologista.
Encorajado por ele começou então a distinguir as diferentes espécies de vegetais que encontrava.

Alexandre Curt Brade
 
Assim, dedicava suas horas vagas ao estudo de botânica, freqüentando, aos domingos, um curso de sistemática botânica.
Brade possuía um irmão, Alfred Brade, que morava na Costa Rica e possui um orquidário em São José da Costa Rica. Atraído pela descrição que seu irmão fazia da flora tropical e sobretudo da beleza das orquídeas, Brade foi, em l908, para a Costa Rica e juntamente com Alfred explora os arredores de São José e outros locais, incluindo o paraíso das pteridofitas, La Palma.
Atraído pela diversidade deste grupo, lá ficou dois anos e meio e colecionou 912 espécimes, representando 500 espécies. Manteve correspondência com vários especialistas europeus que chegaram a descrever 60 espécies novas. E é esta coleção, ou pelo menos parte dela, que deu início, junto com a coleção de orquídeas de Guido Pabst, ao acervo do Herbário Bradeanum.
Da Costa Rica, veio para São Paulo, atraído pela flora da Floresta Atlântica e pela intensa atividade no mercado da construção civil na capital.
Em l928, passou a exercer um cargo no Museu Nacional do Rio de Janeiro e, com a biblioteca à sua disposição, passou a trabalhar sem ficar na dependência de especialistas para identificar suas coleções.
Dedicava seus domingos ao estudo da rica flora dos arredores da cidade do Rio de Janeiro e à pesquisa na Serra dos Órgãos e em Itatiaia, dando assim continuidade aos seus estudos com a flora de altas altitudes, englobando distribuição geográfica e filogenia.
Na década de trinta, tornou-se superintendente do Jardim Botânico, exercendo depois outros cargos e em l952, se aposentou. Voltou a São Paulo, onde se dedicou a completar seu trabalho na classificação de Pteridófitas e Melastomataceae, como bolsista do Conselho Nacional de Pesquisas - CNPq.
Brade publicou 86 artigos em vários periódicos científicos e foi reconhecido pela Universidade de Marburg, Alemanha, seu país natal, com o título de Doutor "Honoris Causa", pela importância de seu trabalho com a flora da América do Sul e Central.
Faleceu aos 90 anos, em l971.
  logo do Herbarium Bradeanum
Aos que se espantam com o fato do símbolo do HB ser uma Schizaea pacificans Mart. e não uma orquídea já que Pabst era um orquidólogo,
é preciso dizer que esta planta pertence à família das Pteridófita, grupo vegetal ao qual Brade mais se dedicou e é símbolo de paz e amizade
entre tribos indígenas no interior do Brasil, segundo a explicação que
o botânico Von Martius recebeu de um cacique que lhe trouxe a planta. Daí a razão dele ter escolhido "pacificans" como epíteto específico ou seja, como nome da espécie, quando a descreveu.
Com a escolha deste símbolo, os fundadores pretenderam demonstrar sua disposição em colaborar o máximo possível com os botânicos de todo mundo para uma grande obra de interesse comum.
 

Seu objetivo

O estudo da flora brasileira, a formação, manutenção e ampliação de um herbário representativo da vegetação nativa, a recuperação e manutenção de suas coleções científicas com valor histórico-cultural e o desenvolvimento de projetos que colaborem com a preservação da biodiversidade brasileira são os principais objetivo do HB.

Seu acervo

O acervo botânico inicial do herbário foi formado por duas coleções, importantíssimas sob o ponto de vista científico e histórico-cultural: uma de Pteridophyta da Costa Rica, doada por Brade e uma de orquídeas doada por Pabst.
Como o tempo, este acervo foi sendo enriquecido através do recebimento do restante da coleção de Guido Pabst, assim como através de doações de seus sócios, da coleta de pesquisadores e estudantes ligados à instituição e da permuta de material botânico com instituições científicas.
Este crescimento permitiu sua inclusão no Index Harborium em l961.
Suas coleções botânicas totalizam 84.000 excisatas, ou seja, exemplares de material botânico desidratado, uma coleção de 1.000 tipos nomenclaturais (typus ou tipos - exsicatas utilizadas na descrição original de espécies vegetais) raros e de inestimável valor científico.
Este elevado número de "Tipos" é devido ao intenso trabalho de coleta e estudos botânicos realizados por vários pesquisadores, alguns deles sócios fundadores do HB.
Além de Guido Pabst e Alexandre Brade, destacam-se Edmundo Pereira, A Castellanos, Graziela Maciel Barrroso, A P. Durate, Pe. Raulino Reitz, R. Lein, H. S. Irwin, R. C. Barneby, A. Krapovickas, C. Cristóbal, J.J. Wurdack, Gert Hatschabach, F. C. Hoehne, Dimitre Sucre, Ezechias P. Heringer, Oswaldo Handro, M. Kuhlmann, R. Kautsky, L.K.C. de Araujo, A Seidel e mais recentemente, Elton Leme.
Foram caracterizados 880 tipos pertencentes a 815 espécies distribuídos por 53 famílias, ressaltando-se as coleções de exsicatas da família Bromiliaceae (238) e Orchidaceae (257), sendo que esta última corresponde a 10% do acervo total do herbário.
Estas duas famílias de plantas estão sendo intensamente estudadas, pois suas populações naturais estão severamente ameaçadas pela destruição de seus habitats e pela coleta predatória dos indivíduos mais ornamentais.
Além da flora da Costa Rica (através da coleção de Brade), Equador, Guatemala,a flora de outros países também esta representada no acervo do HB.
Suas coleções de plantas herborizadas são bem identificadas, tornando-as imprescindíveis às pesquisas sobre floras regionais e estudos monográficos, principalmente na área de taxonomia vegetal.
O acervo do HB também é constituído por uma biblioteca com cerca de 6.500 documentos e 3.000 registros com dados de orquídeas, perto de 50 obras raras, mais de 400 títulos de periódicos e, aproximadamente, 4.000 separatas, além de editar,desde l969, o boletim científico BRADEA, agilizando a publicação dos resultados obtidos por pesquisadores brasileiros e estrangeiros, já em seu volume IX, com 328 números distribuídos.

 
photo/foto: Sergio Araujo
Considerado uma das preciosidades do Herbarium Bradeanum, o fichário de Pabst é constituído por 38.961 registros com dados sobre as orquídeas.
Todas as informações referentes aos gêneros e espécies da família Orchidaceae que ele colhia, ele transcrevia minuciosamente para estas fichas: fotocópias e originais de trabalhos referentes aos gêneros, como obras originais, redescrições, espécies, chaves de identificação, tipos, fototipos (fotografia do tipo), negativos de fotos, fotos das espécies, perianto, cópia das obras originais, obras princeps, basiônimos, sinônimos, aquarelas de Samuel Salgado e Margarete Mee publicadas no livro Orchidaceae Brasilienses, perianto aplainado, além do número de registro de exsicatas depositadas no Herbarium Bradeanum.
Às vezes, de uma mesma espécie, ele tinha várias fichas, com várias informações.
Estas fichas serviram de base para o livro Orchidaceae Brasilienses.
 

Exemplos das diversas fichas feitas por Pabst, que variavam
conforme o humor e o material disponível para a descrição, mas a
preocupação constante era a descrição mais exata possível

photo/foto: Sergio Araujo
Laelia longipes

photo/foto: Sergio Araujo
Cattleya autumnalis atropurpurea
 
photo/foto: Sergio Araujo
Laelia perrini
photo/foto: Sergio Araujo
Cattleya labiata Ldl.
 


Projetos em realização

Dentre os projetos desenvolvidos pela equipe do HB destacam-se as pesquisas sobre pteridófitas, bromélias, orquídeas, asclepiadáceas e o levantamento das espécies do Município da Flora do Rio de Janeiro com o apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro;

O Projeto Encosta da Vila Dois Rios.

Este projeto está sendo desenvolvido em conjunto com o setor de botânica da UERJ, em decorrência de convênio.
O projeto está concentrado nas encostas da Vila Dois Rios onde havia o presídio, desativado em l994, numa área localizada dentro do Parque Estadual da Ilha Grande. As matas de encosta, vegetação da Mata Atlântica, estão em diferentes estágios de conservação pois na instalação do presídio várias áreas foram muito desmatadas para construções diversas como a represa, casas para pessoas que trabalhavam no presídio, enquanto outras áreas foram menos mexidas. Por exemplo, a mata da Jararaca, que está em altitude elevada, mais inacessível, está muito bem preservada, já a área da represa da Mãe d'Água foi deixada em recuperação há 25 anos, outras, há 50 anos. Primeiro será feita o levantamento da flórula (flora de uma região limitada), verificando a vegetação total destas matas e comparando as matas em diferentes estágios de recuperação, verificando quais são as espécies que estão na mata mais preservada, quais são as espécies que estão na mata em recuperação. Muitas espécies interessantes estão sendo encontradas, bromélias, orquídeas, inclusive espécies que foram pouco coletadas. Esta é uma região menos estudada do que outras do estado. Várias pesquisas já estão sendo desenvolvidas pela UERJ no local, mas no caso da vegetação, principalmente das plantas vasculares, o estudo será realizado pela equipe do HB.

Projetos futuros

Dada a relevância de seu patrimônio, HB pretende disponibilizar suas informações científicas a nível nacional e internacional permitindo, ao mesmo tempo, a preservação física, diminuindo a necessidade do manuseio e aumentando a rapidez da consulta, através da informatização de seu acervo. Isto deverá ser obtido através da sistematização e armazenamento das informações que constam do acervo bibliográfico e das coleções botânicas.

Seus beneméritos

Desde a sua criação, de um modo ou de outro, diversas pessoas ou instituições vêm contribuindo através de doações financeiras ou de coleções para a manutenção do Herbarium Bradeanum. Dra. Berta Lutz legou parte de sua herança permitindo que a primeira diretora depois do falecimento de Guido Pabst, Dra. Margarete Emerich, pudesse mantê-lo durante tantos anos até a posse da atual diretoria.
Através de um convênio firmado com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, o Herbario Bradeanum está hoje convenientemente instalado no prédio Pavilhão João Lyra desde l989.
Após um período de inúmeras dificuldades com a quase total paralisação das atividades, houve uma retomada dos objetivos iniciais obtida pela diretoria, através do patrocínio financeiro do Banco Boavista, permitindo a recuperação e organização de todo o acervo científico do HB.
No ano passado, a Prefeitura do Rio de Janeiro assinou um convênio, com duração de seis meses que foi de grande ajuda permitindo que muitas obras fossem feitas e equipamentos fossem comprados, graças à intervenção do vereador Chico Aguiar, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal.

Diretoria atual

A atual diretoria do Herbarium Bradeanum é constituída por :

Diretor: Dr. Jorge Fontella Pereira- Professor do Museu Nacional do Rio de Janeiro-UFRJ
Tesoureiro: Dr. Luiz Felipe Nevares de Carvalho- Presidente da Sociedade Brasilera de Bromélias
Secretári: Prof. Maria da Conceição Valente- Pesquisadora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Superintendente Fitotécnica: Prof. Nilda Marquete Ferreira da Silva-Pesquisadora e Curadora do Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Bibliotecária: Prof. Maria Célia Vianna- Pesquisadora do herbário
Prof. Alberto Castellanos - FEEMA



Comissão editorial da Bradea:

Presidente - Dra. Margarete Emmerich
Vice-presidente - Dr. Luiz Felipe Nevares de Carvalho
Corpo de Assessores:
Ariane Luna Peixoto (UFRJ),
Berta Lange Morretes (USP),
Cecília G. Costa (JBRJ),
Doroty Sue Dunn de Araujo (UFRJ),
Elton Martinez C. Leme (HB),
Léa de Jesus Neves (MN, UFRJ),
Luiz Emygdio de M. Filho ( MN, UFRJ),
Paulo G. Windisch (UNESP),
Wilma T. Ormond (MN, UFRJ).

Além de seu próprio diretor, vários pesquisadores contribuem de forma voluntária na parte técnica, Fernando da Costa Pinheiro, especialista em orquídeas, Miriam Cristina Alvarez Pereira, bióloga (especialista em ecologia, conservação e manejo de vida silvestre e em fito-sociologia (a relação entre as plantas)), coordenadora de projetos, Leonor Ribas de Andrade, mestre em ecologia (participante do projeto da Vila Dois Rios, especialista no grupo de plantas trepadeiras). Iranilda Calado Santana, especialista em orquídeas, Flávio Cardoso Pereira, dois estagiários no Projeto da Vila Dois Rios, Ângelo e Leonor Cardim e Sergio Barbosa Gonçalves na parte administativa.

O Herbarium Bradeanum está entre os dez maiores herbários do País e seu acervo é hoje um dos representativos da América da Sul.


Endereço:
UERJ
Herbarium Bradeanum
Rua São Francisco Xavier 524,
Pavilhão João Lyra Filho, bloco E, 2o andar.
Rio de Janeiro - RJ
20 031-970
Brasil
Tel.: 587-7982 e 587-7979.
E-mail: herbarium@bol.com.br



Compilação de dados obtida a partir de pesquisa feita em releases, apresentações e impressos diversos cedidos pelo Herbarium Bradeanum, no boletim Bradea (Volume I, nº 1, 30.08.l969, volume III, nº 10, de 19.09.80, volume VIII, nº 27, de 16.12.l999, na publicação "Tipos Nomenclaturais do Herbarium Bradeanum, Angiospermae" e em entrevistas concedidas pelos membros técnicos da instituição.
Da esquerda para a direita:Jorge Fontella Pereira (diretor), Fernando da Costa Pinheiro, especialista em orquídeas, Miriam Cristina Pereira, bióloga e coordenadora de projetos e Leonor Ribas de Andrade, mestre em ecologia.

photo/foto: Sergio Araujo

 
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