Para melhor conhecer um Herbário
-Definições e nomenclaturas-


Herbário é uma palavra de origem latina e designa o conjunto de plantas destinadas ao estudo da botânica. Geralmente são coleções herborizadas (herborização - técnica utilizada para a conservação do material botânico), organizadas segundo uma classificação que as tornam acessíveis a consulta por pesquisadores e alunos de botânica.

As informações contidas no acervo de um herbário são imprescindíveis:
- Para a identificação e localização de espécies vulneráveis e ameaçadas de extinção;
- Nos estudos de biologia de populações e de comunidades visando o manejo ambiental;
- Na recomposição de áreas degradadas;
- Na determinação da distribuição geográfica de espécies ameaçada e/ou de relevante interesse comercial e
- No acompanhamento da época de floração e frutificação de plantas de valor econômico.
Estas informações também representam um registro permanente sobre a qualidade do meio ambiente em épocas passadas e presentes.

A importância de um herbário é devida à sua própria vocação de possibilitar a identificação, por comparação, de material botânico, de guardar e preservar coleções históricas (Tipos, por exemplo), subsidiar estudos na área da botânica, reconstituir os caminhos seguido por um botânico-coletor no passado, assim como servir de consulta a profissionais de outras áreas (farmácia, genética, engenharia florestal, sanitária e agronômica).

Um outro aspecto muito importante é a documentação, com espécimens representativos, da composição de floras regionais, nacionais, continentais e mundial (através dos tempos), contribuindo de maneira inestimável para o conhecimento da biodiversidade de determinado ambiente. O material botânico e bibliográfico contido nos herbários pode ser utilizado em práticas de educação ambiente e no ensino universitário.

As informações reunidas em um herbário são de grande utilidade para a conservação ambiental pois registra a ocorrência de espécies endêmicas, raras, ameaçadas de extinção ou até mesmo já extintas em determinadas regiões.

 
photo/foto: Sergio Araujo
Cattleya araguaiensis
Cada exemplar de uma coleção - exsicata - é formado por um indivíduo vegetal ou partes dele que foram herborizadas, ou seja, desidradatas, prensadas e montadas em uma folha de papel cartolina branco, com uma ficha anexada onde estão descritas as características do espécime coletado, de seu habitat, bem como sua classificação segundo as normas botânicas.

De acordo com o Código Internacional de Nomenclatura Botânica, um tipo nomenclatural é o elemento ao qual o nome de um táxon (qualquer unidade taxionômica, sem especificação da categoria. Pode ser gênero, espécie, etc.) está permanentemente vinculado, seja ele correto ou uma sinonímia e não é necessariamente o espécimen mais típico ou mais representativo de um táxon.

O material botânico coletado e conservado num herbário possui categorias para sua classificação.
São os tipos nomenclaturais (do latim: typus, i = figura, imagem, estátua)
 
Um exemplar Tipo (Typus) é um material botânico coletado e conservado num herbário, a partir do qual foi feita uma descrição original (diagnose) de uma determinada espécie, ou seja, este material representa esta espécie e a torna conhecida para a comunidade científica.
"TYPUS" é o nome geral.
 
photo/foto: Sergio Araujo
Cattleya silvana
"HOLOTYPUS"

(holo = totalidade) é a excisata feita da coleta em que foi baseada a descrição da planta.
Quem determina a exsicata que vai ser usada como holotypus é o pesquisador.
Um holótipo é o único espécimen ou ilustração utilizado pelo autor, ou por ele indicado, como o tipo nomenclatural.

 
Se este holotypus tem duplicata, ela é considerada "ISOTYPUS". Ou seja, se existe outro ramo ou no caso das orquídeas, outro pseudobulbo, advindo da mesma coleta, será considerado um isotypus (isos = igualdade), com o mesmo número de registro do holotypus. O isotypus é muito importante e deve ser enviado para um herbário diferente daquele onde está depositado o holotypus como medida de segurança. Esta medida visa manter a integridade do material caso o herbário onde o holotypus está depositado seja atingido por alguma catástrofe como foi o caso dos herbários europeus durante a 2ª guerra mundial, como por exemplo, o herbário de Berlim.

 
Há também o "PARATYPUS" (para = proximidade, semelhança) que é um outro material que o pesquisador cita ao lado daquele que ele indicou como holotypus. Se, por alguma circunstância, ele não conseguiu observar alguma característica da flor no holotypus, ele precisa usar um outro material para observar, para comparar, neste caso, ele indica o paratypus. É ele também que determina qual exsicata é o paratypus.
 
photo/foto: Sergio Araujo
photo/foto: Sergio Araujo
 
Stellis -holotypus
Stellis - paratypus
 

 

Uma forma de diferenciar bem, para não se fazer confusão entre o isotypus e o paratypus, é observar o fato de que o holotypus e o isotypus têm o mesmo número de coleta e o paratypus tem um número diferente. O paratypus é uma coleta diferente que ter sido feita em outra área inclusive.
"NEOTYPUS" (Neo = novo) é a designação de um novo espécimen coletado em razão de haver qualquer material original da descrição do táxon. Esta coleta deve seguir criteriosamente as informações contidas no protólogo.
Quando há perda ou destruição do holotypus ou quando o autor não o indica, um "LECTOTYPUS" (Lectos = escolhido, limitado, pequeno) deve ser determinado. Um especialista procura um material em bom estado e designa este material para ser o lectotypus Conforme o material original disponível, o lectotypus poderá ser um isotypus, um sintypus, um isosintypus, um paratypus, um desenho ou uma fotografia (a escolha deve ser feita nesta ordem). Cria-se um outro material para ser base para identificação daquela espécie. Existem outras categorias mas estas são as mais comuns que encontramos.
"SINTYPUS" (sin = junção, com) era usado antigamente, quando o autor citava vários materiais que ele usou para descrever a espécie e não especificava o que ele usou para a descrição quem é o holotypus, paratypus, etc... Hoje em dia, não, pega-se o primeiro material e o restante é paratypus.

"OBRA PRINCEPS" é a obra onde a espécie foi descrita pela primeira vez , é neste momento que ela vem à luz da ciência. O pesquisador coleta a planta na natureza, descobre que é uma espécie nova, publica sua descrição e este trabalho, publicado numa revista científica, é chamado de "obra princeps". Tem que ter uma descrição em latim, ou somente uma diagnose, diferenciando-a de uma mais próxima.



Pesquisa baseada em entrevistas concedida pela equipe de voluntários do Herbarium Bradeanum assim como no material impresso cedido também pelo HB de autoria da mesma equipe
Da esquerda para a direita:Jorge Fontella Pereira (diretor), Fernando da Costa Pinheiro, especialista em orquídeas, Miriam Cristina Pereira, bióloga e coordenadora de projetos e Leonor Ribas de Andrade, mestre em ecologia.
photo/foto: Sergio Araujo


 
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