Perfil profissional:
Carlos Eduardo de Britto Pereira é engenheiro químico especializado em química analítica. Apaixonado pelo gênero Oncidium, vem se dedicando ao estudo das espécies brasileiras de gênero, há muito tempo. Dividindo seu tempo entre o seu trabalho e seu hobby, faz, sempre que possível, visitas a diferentes habitats e herbários no Brasil e no exterior objetivando esclarecer dúvidas. Morando no Rio de Janeiro e possuindo sítio em região montanhosa, mantém naquele local um cultivo um tanto especial dispensando vasos, substratos, regas e adubos.


  -Por que começou a cultivar orquídeas? Qual foi o momento mágico da atração?

-Comecei por acaso. Simplesmente porque precisava de plantas para colocar em uma estante na minha sala, já que receberia convidados em casa. Não houve um momento mágico de atração.

  -Onde você cultiva suas plantas?

-Tenho plantas em uma varanda no meu apartamento em Botafogo. Esta varanda dá para o oeste e tem uma incidência de luz muito boa no inverno (quando as plantas mais precisam de luminosidade), quando fica ensolarada de 8 até 16 horas da tarde. No verão, é mais protegida e tem também uma grande vantagem, pois fica num corredor de vento, sendo portanto um local
  muito ventilado, além de dar para o morro do Corcovado, tendo abaixo dele tem uma grande área verde de mata.
Mas eu cultivo principalmente em meu sítio, que fica a 900m de altitude no município de Nova Friburgo, estado do Rio. Lá eu cultivo, nas árvores, na pedra ou no chão dependendo do tipo de orquídea. Não adubo e não rego, deixo por conta da natureza. É Mata Atlântica, chove muito. O solo é ácido e simula aquele das regiões de campos de altitude. Quando comecei a plantar as orquídeas na pedra, eu utilizei cimento e aprendi uma coisa. As plantas como Laelia rupicola e Bifrenaria se deram muito bem, mas as plantas de Oncidium detestaram. Acredito que seja por causa do PH do cimento. Estou tirando tudo e plantando diretamente no chão.
Plantei também a Scutaria irwiniana (de pedra), mas esta é mais recente e ainda não deu para se ter uma idéia.
Foto: Coleção de Carlos Eduardo
O. concolor

 
Foto: Coleção de Carlos Eduardo
O. longipes
-Quantas plantas possui?

-Não sei ao certo. No meu apartamento tenho cerca de 150 plantas. A grande maioria está no sitio, mas eu não sei quantas são.
Foto: Coleção de Carlos Eduardo
O. gardneri

  -Quais as orquídeas que você mais cultiva?

-No Rio, eu cultivo as orquídeas de clima quente. Tenho Laelia purpurata, Laelia tenebrosa, Laelia lobata, Laelia crispa, Cattleya forbesii, Cattleya nobilior, Cattleya trianae, Cattleya percivaliana, que floriu o ano passado pela primeira vez depois de muitos anos, Oncidium carthagenense, Oncidium lanceanum, Oncidium kramerianum, Oncidium macropetalum, Oncidium onustum . Tenho também algumas espécies de Catasetuns e Epidendrum purpureum,
  entre outras. Algumas espécies de Dendrobium como farmeri, superbum, fimbriatum.
No sítio, cultivo principalmente Oncidium, tudo do Brasil, desde que não seja da Amazônia. Tenho espécies da seção crispa como crispum, praetextum, forbesii, gardneri, curtum, zappii, de outras seções como Oncidium euxanthinum, dasytyle , concolor, praestans e polletianum (híbridos da seção crispa), harrisonianum, pulvinatum, divaricatum, pumilum, loefgrenii (nativo) cruciatum (nativo), waluewa, pubes, spilopterum, montanum, enfim quase tudo que não seja raro. Raro mesmo só tenho Oncidium aberrans. Tenho diversas espécies de Laelia rupícola nas pedras, Houlletia brocklehurstiana (nativa).
  Foto: Coleção de Carlos Eduardo
O. pulvinatum

  - Qual a planta preferida, entre as suas?

-Não existe alguma preferência especifica. Meu gênero preferido é Oncidium, mas adoro Cattleya walkeriana, Laelia pumila, gosto muito das laelias rupícolas, Cyrtopodium, Encyclia, enfim, acabo sendo muito generalista.


 
Foto: Coleção de Carlos Eduardo
O. maculosum
 
Foto: Coleção de Carlos Eduardo
O. praetextum
 
-Quanto tempo você gasta cuidando das orquídeas, por dia?

-Como eu só uso torta de mamona, e mesmo assim muito raramente (sempre em setembro e no máximo 2 vezes por ano), eu só gasto tempo para regar. São 10 minutos por dia, pois elas ficam quase todas juntas.
De tempos em tempos, algumas horas para replantar ou pôr remédio. Isto aqui no Rio, pois no sítio, como eu disse, eu nem rego e nem adubo.



-Além daquela primeira atração, houve alguma outra inspiração (pessoa ou fato)?

-Também não.


-Há quantos anos cultiva orquídeas?

-Dezoito anos.



-Quais são as condições climáticas encontradas em seu ambiente de cultivo?

-Clima do Rio de Janeiro, quente e úmido. No sítio, o clima é de montanha, também úmido, com inverno frio, mas nem sempre seco. Às vezes é chuvoso. O verão é muito chuvoso.

   
Foto: Coleção de Carlos Eduardo
O. remotiflorum
 

  -Você teria alguma dica de cultivo sua que quisesse compartilhar conosco ?

-Para orquídeas de clima muito seco, como Cattleya nobilior,C. walkeriana e Oncidium macropetalum, usar madeira como substrato, que assim as regas não causam maiores danos.


-Existe alguma história ou caso ligado à sua relação com as orquídeas que você queira nos contar?

-Uma vez, quando fui ao Orquidário Binot para comprar especialmente plantas de Oncidium, uma touceira de Laelia jongheana que estava pendurada em uma pilastra de uma das estufas grandes, como que telepaticamente me mandou a seguinte mensagem: "- Compre-me".
Em principio ignorei e segui o meu caminho, mas finalmente, como o apelo era muito forte, voltei e comprei. Alguns meses depois floriu a variedade alba.
  Foto: Coleção de Carlos Eduardo
O. kraenzlinianum

-Com o tempo, o cultivo de orquídeas torna-se quase uma prisão. Você já pensou, em algum momento, em abandonar por completo esse cultivo?

-O cultivo, assim como muitas outras coisas, torna-se uma prisão, quando a pessoa se estressa em relação a elas. Como esse não é o meu caso, eu não considero uma prisão ou uma obrigação.


  -Diz-se que a orquidofilia é uma manifestação branda de loucura. Você já fez alguma loucura orquidófila?

-Não. Talvez, de repente, comprar demais, mas isso no passado, ou seja, no inicio.


-Obrigado.



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