Carlos Eduardo Martins Carvalho

PhD em Química, atualmente atuando como Professor Dr. no Instituto de Química da
Universidade Federal Fluminense onde leciona Química Orgânica.


  ON- Por que começou a cultivar orquídeas? Qual foi o momento mágico da atração?

CE- Desde criança, sempre gostei muito de bichos e plantas, acho que em função da criação que tive.
Meu pai gostava de orquídeas e tinha algumas C. forbesii, C. intermedia, C. guttata, C. harrisoniana, etc., plantadas em árvores ou vasos de xaxim, mas nunca me chamaram a atenção.
Lembro-me que foi num aniversário de minha avó, que minha mãe teve a ideia de comprar o presente na Florália.
 
Foto/Photo: Sergio Araujo
C. harrisoniana
Foto/Photo: Sergio Araujo
C. guttata
  Foto/Photo: Sergio Araujo
C.
Sonia Altenburg
Lá chegando, havia uma espécie de exposição de orquídeas da coleção do Sr. Rolf. Fiquei fascinado, maravilhado. O colorido e o perfume das flores tinham me conquistado.
Não precisa nem dizer que o presente da minha avó foi uma orquídea e acabei conseguindo uma outra de presente do Rolf, que era amigo do meu pai. Uma C. Sonia Altenburg
A partir dai comecei a cultivar orquídeas e a olhar mais para as plantas do meu pai.

  ON- Há quantos anos você cultiva orquídeas?
CE- Já faz 27 anos. Eu tinha dez anos quando ganhei minha primeira orquídea do Sr. Rolf.
É bem verdade que estive em algumas épocas afastado das orquídeas, mas sempre teve alguém
cuidando da coleção.

  ON- Onde você cultiva suas plantas ?
CE- Atualmente elas estão em Iguaba Grande na região dos Lagos numa estufa de 120 m2 com cobertura de plástico e sombrite nas laterais. O local é bem iluminado, bastante seco, e com muito vento.
 

  ON- Quantas plantas você possui, aproximadamente?
CE - Cerca de 2000 plantas adultas e 3000 seedlings, numa estufa de 120 m2.

  ON- Quais as orquídeas que você mais cultiva?
CE- Hibridos de Cattleyas, Cattleyas nativas como warnerii e labiata e Laelia purpurata. Tenho também alguns Phalaenopsis e Dendrobiuns.
Foto/Photo: Sergio Araujo
C. warnerii

Foto/Photo: Sergio Araujo
Laelia purpurata

 

ON- Entre as orquídeas que você cultiva, existe alguma que seja a preferida?
CE- Gosto de todas as que tenho. A preferência é relativa, depende de como estejam floridas, isto é: prefiro as que estejam bem floridas.
Foto/Photo: Sergio Araujo

Blc. Erica Porto

ON- Você tem preferência por híbridos ou por espécies?
CE- Certamente os híbridos, porque eles são feitos visando alcançar padrões estéticos de flores que nos agradem mais.
Usando este conceito, eu preconizo que os híbridos que não sejam superiores às espécies devam ser destruidos.

Foto/Photo: Sergio Araujo
Blc.
Dora Louise Capen

  ON- Quais os gêneros brasileiros que você tem em sua coleção?
CE- Tenho Cattleyas, Laelias, Oncidium, Miltonia e até Pleurothalis.
  Foto/Photo: Sergio Araujo
Laelia crispata
Foto/Photo: Sergio Araujo
Oncidium cornigerum
  ON- Quanto tempo por dia você gasta cuidando de suas orquídeas?
CE- Infelizmente só algumas horas nos finais de semana.


ON-Além daquela primeira atração, houve algum outro fator de influência na sua relação com as orquídeas?

CE- Toda a historia da orquídea e da orquidofilia exercem um certo fascínio. Sem contar que é
uma das maiores famílias do reino vegetal.
Duas pessoas foram grandes incentivadores, meu pai e o Sr. Rolf Altenburg.

  ON- Quais são as condições climáticas encontradas em seu ambiente de cultivo?
CE- Clima tropical a nível do mar. O local é seco e com muito vento, não são as melhores condições naturais

  ON- Você teria alguma dica de cultivo sua que quisesse compartilhar conosco?
  CE- Especialize-se em um gênero ou em gêneros que tenham as mesmas exigências de cultivo. Todos os orquidófilos que se aventuram em cultivar muitos gêneros diferentes, normalmente matam
muitas plantas.
Quando cultivava as plantas em Niterói, minha estufa era muito abafada.
Foto/Photo: Sergio Araujo
Blc.
Castle Heritage
De 11:00 as 13:00 hs, no verão, não se conseguia ficar mais do que 5 minutos em seu interior e, apesar disto, as plantas cresciam, floresciam muito bem.
As orquídeas tem sua própria linguagem para dizer se estão sendo bem ou mal cultivadas.
Procure aprender esta linguagem e suas orquí
deas só lhe trarão alegrias.

  ON- Existe alguma historia ou caso interessante ligado à sua relação com as orquídeas?
CE- Sempre achei uma grande contradição a prática orquidófila.
Imagine voce que o hobby começou na Inglatrerra no século XIX.
Logo depois da exposição da primeira Cattleya labiata florida na naquele país, numa reunião da Royal Horticultural Society, apareceram os primeiros interessados, "orquidófilos".
Centenas de expedições foram enviadas para coleta de orquídeas, nas Américas. Milhares de plantas morreram no transporte e outras tantas pelo cultivo inadequado em estufas não climatizadas. Se estes caras são amigos das orquídeas, imaginem o que eles não fariam com os inimigos.....
Até os dias de hoje, os orquidófilos são grandes responsáveis pelo extermínio de muitas espécies no seu ambiente natural. Acho que as sociedades tem uma grande responsabilidade na orientação dos jovens colecionadores, para que não coletem ou comprem plantas coletadas. De modo que este tipo de prática não acabe com nossas estimadas orquídeas em seus ambientes naturais.

 

ON- Diz-se que a orquidofilia é uma manifestação branda de loucura. Você já fez alguma loucura orquidófila?
CE- Acho que o termo "manifestação branda" é um eufemismo.
Já vi orquidófilos dando choque elétricos em suas orquídeas. Outras formas de torturas como matar as plantas afogadas ou secas são mais comuns.
Várias vezes fiz loucuras, principalmente visitando habitats. Já enfrentei tempestades, caminhadas exaustivas e até incêndios.


Foto/Photo: Sergio Araujo

Blc.
Tropical Market

ON- Obrigado, Carlos Eduardo




  Fotos: Sergio Araujo
Obs.: As orquídeas aqui apresentadas não pertencem à coleção de Carlos Eduardo. Estão aqui a título meramente ilustrativo.



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