Foto/Photo: Sonia de A. Polonio  
Marlene Paiva Valim


Professora de Educação Artística, Secretária Escolar de 1º e 2º graus; Técnica em Análise de solo; Guia de Turismo Regional e Nacional, credenciada pela Embratur; comerciária e atualmente presidente da OrquidaRIO

 

 

 


  ON- Por que começou a cultivar orquídeas? Qual foi o momento mágico da atração?
 
MP - Na realidade, eu não comecei a cultivar orquídeas, eu cuidava de algumas "parasitas"que eram muito comuns na região em que eu trabalhava ( Sul da Bahia).
Somente depois que fui transferida para o Rio de Janeiro, isto depois de uns quatro anos que moramos naquela região, é que, ao receber a visita de alguns amigos que ficaram encantados com as flores das minhas "parasitas" e que comentaram que as mesmas pareciam demais com uma orquídea que tinham visto com o Carlos (outro amigo) comecei a procurar livros que falassem das meninas e descobri que minhas "parasitas"' nada mais eram que as lindas bi-foliadas.
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Cattleya harrisoniana
  O momento mágico? Foi quando estava com minha equipe retirando amostras de solo em fazendas, lá em Teixeira de Freitas. Nem vi a flor, mas a forma irreverente daquela planta que não precisava de terra, a maneira como suas raízes abraçavam os troncos e seu porte ereto, imponente me encantaram 

  ON- Há quantos anos você cultiva orquídeas?
MP - Considerando-se a época das "parasitas", que foi em 1968... Nossa!!! À 35 anos.

 
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Sophronitis cernua
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Acacalis cyanea alba

  ON- Quantas plantas você possui, aproximadamente?
MP - Umas 540 plantas entre adultas e adolescentes.
 
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Pleurothallis sp
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Bulbophylum sp
 
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Laelia Pulcherrima
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Oncidium sp

  ON- Quais as orquídeas que você mais cultiva?
MP - As bi-foliadas: C. gutata, amethystoglossa, forbesii ...
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C. forbesii

  ON- Entre as orquídeas que você cultiva, existe alguma que seja a preferida?
MP - Sim, a Cattleya amethystoglossa (minha primeira "parasita")
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C. amethystoglossa x Lc. Rolf Altemburg

ON- Você tem preferência por híbridos ou por espécies?
MP - Já deu para perceber que as espécies são minhas meninas dos olhos. Elas são livres, não são escravas de laboratórios, têm vontade e estilo próprios e mais: quando você as prende em um ambiente que não é os delas, elas te dizem, de uma forma bem enérgica, que "não gostaram" e ainda: se elas decidem ficar ali, nos dizem do que precisam. Elas têm personalidade e por isso eu as amo de paixão.
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Laelia grandis
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Dendrobium
     
  ON- Quanto tempo por dia você gasta cuidando de suas orquídeas?
MP  - Pouco tempo. Devido ao meu trabalho só disponho de 1 hora pela manhã e à noitinha para estar e conversar com elas.


ON-Além daquela primeira atração, houve algum outro fator de influência na sua relação com as orquídeas?

MP - Sim. De fato, ainda no Sul da Bahia, quando fazíamos o corte de áreas para tirar amostras, tínhamos contato com os caboclos e os índios Pataxós e com eles aprendi que aquelas "parasitas" que nasciam nas pedras (Cyrtopodium)e às dos coqueiros de Buriti (Catassetuns) serviam, além de alimentar o gado, de remédio para curar inflamação nos olhos.
Isso me deixou mais deslumbrada e curiosa a respeito delas.

  ON - Quais são as condições climáticas encontradas em seu ambiente de cultivo?
MP - As piores possíveis. O espaço é pequeno, visto que cultivo em meu terraço, há muito vento e calor intenso.

  ON- Você teria alguma dica de cultivo sua que quisesse compartilhar conosco?
 
MP - Como disse anteriormente, devido às péssimas condições que tenho, desenvolvi um estilodiferente, colocando nesse espaço pequeno alguns troncos de Samambaiaçu que tento manter vivos, bastante Marias-sem-vergonha que são meus termômetros de umidade, um sombrite de 75% e vigilância cerrada contra cochonilhas e caramujos.
Adubo de manutencão a cada 15 dias e quando o sol vem para matar, mantenho uma mangueira no chão com um filete de água escorrendo o tempo todo por baixo das bancas.



Foto/Photo: Sonia de A. PolonioFoto/Photo: Sonia de A. PolonioFoto/Photo: Sonia de A. Polonio


  ON- Existe alguma historia ou caso interessante ligado à sua relação com as orquídeas?
MP - Existem várias histórias: uma delas, aconteceu já aqui no Estado do Rio de Janeiro, precisamente em Resende, quando visitava minha sogra ouvi uma sra., muito irritada, fazendo uma simpatia num pé de abacate e, ao tempo em que proferia as rezas, mandava o caseiro cortar os galhos onde estava, pomposa, uma Aerides odoratum".  Ela dizia: "-Essa ... matou meu abacateiro. Tem que queimar. Isto é uma praga". Então, calmamente, eu pedi que ela me permitisse tirar dali aquela parasita e perguntei, se por acaso, não tinham mais árvores com a mesma planta. Para minha surpresa, respondeu:"- Tem sim, mas já envenenei todas. Esta aqui é que tá ruim de morrer!"
Por fim, peguei aquela "linda e perfumada praga", que me acompanha até hoje.

  ON - Diz-se que a orquidofilia é uma manifestação branda de loucura. Você já fez alguma loucura orquidófila?
MP - Manifestação branda? É loucura pura! O nome deveria ser Orquiloucos, em vez de orquidófilos.
A maior loucura que fiz foi quando estive em Porto Seguro, visitando a tribo Pataxós e o cacique, amigo de velhos tempos, me presenteou com uma imensa bola de Coryanthes, que imediatamente coloquei no carro. Só que na bola, formada pelas raízes, habitava uma imensa colônia de formigas Astecas.
  Foto/Photo: Sonia de A. PolonioCoryanthes sp Não preciso nem falar, vocês podem imaginar o que aconteceu no meu retorno para casa, com meu carro entupido de formigas nervosas e vorazes. Depois de muitas paradas e muito "sacrificio" consegui chegar, orgulhosa pelo feito, apesar das picadas. Chegando em casa tentei ser gentil e manter o que eu achava ser uma parceria natural. Peguei uma corda e fiz uma ponte, da planta até meu ipê na calçada e elas trabalharam bastante, pra lá e pra cá. Só que as ingratas estavam fazendo a mudança. Foram todas embora.
Tornaram-se "cariocas".

  ON- Obrigado, Marlene.


  Fotos: Sônia de A. Polonio



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