Caatinga (foto: CE)
CAATINGA
  Situada entre a Floresta Amazônica e a Floresta Atlântica, formada por parte dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, nordeste de Minas Gerais, temos a caatinga, ou sertão brasileiro, cobrindo aproximadamente 10% de todo o território brasileiro.
Esta região tem um clima semi-árido e é muito seca onde os cursos de água só existem em função das chuvas. Apresenta duas estações quentes e não muito bem definidas: uma seca e uma chuvosa (inverno)
A vegetação é bem característica com formações arbustivas e herbáceas de folhas pequenas espinhosas com ocupação irregular, apresentando áreas que se assemelham a floresta e outras de terra quase nua.
A caatinga mesmo é muito pobre em orquídeas, a não ser nas beiradas dos rios.
 
Catasetum barbatum (foto: SA)
Constatou-se a presença de Epidendrum ciliare (no Ceará), Catasetum purum, barbatum, Oeceoclades maculata (PE), Oncidium cebolleta, Brassavola sp. (Augusto Burle, em "Levantamento das Orquidáceas do Nordeste Oriental do Brasil").
Neste local, elas crescem bem protegidas de sol, em geral na parte de baixo dos galhos dos arbustos.

Oncidium cebolleta (foto: SA)
  No entanto, situado dentro da própria caatinga, existe um ecossistema que, no nordeste, convencionou-se chamar de Brejo de altitude.
Na verdade é uma Floresta Tropical Chuvosa de Montanha. Na área da planície litorânea (que avança 40km para o interior), se situa um planalto de mais ou menos 400m de altitude onde existem cadeias de montanhas ou montanhas isoladas de 800 a 1.000m. Durante o dia, as nuvens se elevam e ficam acima destas montanhas, já à noite, elas descem, param e as envolvem completamente. Assim, a vegetação é toda banhada pela neblina e quando vem o dia e o sol, por encontrar-se em região semi árida, seca quase que completamente, mas mantendo ainda assim uma certa umidade. São nestas montanhas ou cadeias de montanhas, verdadeiros oásis suspensos, que se encontram estes brejos de altitude. Apesar do nome adotado (brejo), o terreno não é alagado embora fique bastante molhado.
Esta alternância de umidade e seca, tão importante para as orquídeas, faz com que seja um habitat bastante rico. A montanha mais alta desta região é Triunfo que passa dos 1.000m de altitude.
"...É um micro-clima muito agradável contrastando com o clima quente e seco da caatinga. A temperatura média anual é em torno de 22º C, porém oscilando de 12º C para 22º durante a estação chuvosa (inverno) e de 18ºC para 28º durante a estação seca (verão) "
(Lou C. Menezes, em "Cattleya labiata Lindley")
 
Cattleya labiata angerei (foto: SA)
A Cattleya labiata só ocorre neste ecossistema (a partir de 400m de altitude). Cerca de 14 variedades de colorido desta espécie são descritas, a saber: alba, alba-plena, coerulea, concolor, flamea, lilás, pérola, rosada, rubra, semialba, semi-concolor, suave, vinicolor e pelórica, além da distinções de labelo (ametistina, ardósia, coerulens, vileta, amoena, solferina) e desenhos de labelo (anelato, atro, estriato, integro, marginato, oculato, orlato, punctacto, venoso, venoso estriado) .A Cattleya granulosa tanto ocorre na planície litorânea como nestes brejos.

Cattleya labiata 'suspensorio' (foto:SA)
    Espécies dos brejos de altitude:
Aspasia variegata, Brassavola tuberculata, Bulbophyllum sanderianum, Camplocentrum selowii, Catasetum barbatum discolor hookeri,, macrocarpum, purum, uncatum, Cattleya granulosa, Cattleya elongata , Cattleya labiata, Cattleya x le czar,Cochleanthes flabeliformis,Coryanthes speciosa,
 
Cattleya labiata autumnalis (foto:SA)
Cyclopogon bicolor, congestus, Cyrtopodium polyphillum, aliciae, gigas, Dichaea cogniauxiana, Dimerandra emarginata, Dipteranthus duchii, Epidendrum armeniacum, avicula, cinnabarinum, fulgens, schomburgki, denticulatum, nocturnum Encyclia acuta, euosma, longifolia,oncidioides osmantha,, patens, Gomesa recurva, Gongora quinquenervis,Ionopsis utricularioides, Isochilus linearis, Liparis nervosa, Masdevallia infracta, Maxillaria amazonica, desvauxiana, Miltonia flavescens,
 
Cattleya elongata (foto:SA)
Miltonia spectabilis var. moreliana, Notylia barkeri, microchila, Octomeria oxichela, linearifolia,, Oeceoclades maculata, Oncidium cebolleta, raniferum, ciliatum, phymatochilum, gravesianum, Phragmipedium sargentianum, Phymatidium delicatum, Pleurothallis rudolfi, trifida, saudersiana, Prescottia stachyodes, plantaginea, Prostechea, alagoense, fragrans, pygmea, vespa,Rodriguezia bahiensis, bracteata,Sarcoglottis grandiflora, Sacoila lanceolata, Schomburgkia crispa, moyabambae, Sobralia liliastrum, Trichocentrum albo-coccineum, fuscum, Trigonidium acuminatum, Trichopilia santos-limae, Rodriguezia bracteata, Stanhopea lietze, Vanilla planifolia, Vanila trigonocarpa, Schombucattleya x pernambucensi, Xylobium colleyi, Warmingia eugenii, Zygostates kuhlmanni.
 

Cyrtopodium gigas (foto:SA)


Sacoila lanceolata (foto:SA)



 
RESTINGAS, MANGUEZAIS (alagados)e BREJOS

A ocorrência de orquídeas em restingas foi assunto de artigo na Orchid News nº 14 e da entrevista com Cláudio Nicoletti Braga na Orchid News nº 16.

O Manguezal é uma ambiente salobro, situado na desembocadura de rios e regatos do mar (transição entre os dois ambientes: terrestre e marinho) onde cresce uma vegetação especializada, predominantemente lenhosa e arbórea, adaptada à salinidade das águas (Classificação da Vegetação Brasileira adaptada do Sistema Universal). É formado de águas lodosas e paradas e são salobras por causa da inundação regular das marés altas e quase secas nas marés baixas. É um ambiente rico em matéria orgânica e desprovido de oxigênio.
O Brasil é especialmente rico em manguezais, que podem ser vistos desde a desembocadura do Amazonas até Santa Catarina.

  Epífitas também podem ser encontradas,
Epidendrum anceps
(no Pernambuco) e Cattleya intermedia (na costa sul de
São Paulo).
Aparentemente é um ambiente de fácil germinação e difícil desenvolvimento apresentando plantas mais raquíticas que
quando transferidas para um ambiente melhor, desenvolvem-se normalmente (G. J. Pabst e F. Dungs.Orchidaceae Brasilienses).

Cattleya intermedia. (foto:SA)
  Nos estados do Rio de Janeiro, é habitat de orquídeas como Oncidium flexuosum (muito abundante) e Cattleya harrisoniana.
Espécies: Catasetum macrocarpum, luridum, Cattleya forbesii, harrisoniana, x venosa, Elleanthus linifolius, Habenaria hexaptera, Phgramipedium sargentianum, Rodiguezia obtusifolia, Vanilla schwackeana, entre outros.
Os Brejos são terrenos baixos, alagados onde há nascentes ou olhos d'água ou onde os rios se conservam mais ou menos permanentes em virtude dos transbordamentos anuais (estação das chuvas) e são espalhados por diversas regiões do País.
Em brejos, sobretudo do Planalto Central, ocorrem (não forçosamente

Oncidium flexuosum (foto:SA)
 

associados) Bletia catenulata (que ocorre também nas restingas), diversas espécies de Cyrtopodium como hatschbachii, paludicolum, parviflorum, Galeandra juncea, Eulophia, sarcogltottis uiliginosa, Pteroglossa macrantha, Habenaria, Cleites, Epidendrum dendrobrioides e outras espécies, Encyclia, Catasetum, Oncidium hydrophilum, Phragmipedium vitatum, entre outras.Em área de Cerrado, no estado de Minas Gerais, encontram-se também brejos semi-alagados (como na Serra do Cipó), onde ocorrem Zygopetalum mackay e Epidendrum sp.

 

 

Bibliografia

1) Astor Viana Júnior e Pedro Lage Viana, in Cattleya Walkeriana Gardn, Aspectos Botânicos, Estudo Cromático

2) Augusto Burle Gomes Ferreira - Levantamento das Orquidáceas do Nordeste Oriental do Brasil II Encontro Nacional de Orquidófilos e     Orquidólogos Exped - l990.

3) Augusto Ruschi, Orquídeas do Estado do Espírito Santo, Exped, l986.

4) Carlos Eduardo de Britto Pereira, " A Contribuição dos Naturalistas Europeus na Descoberta e Classificação de Orquídeas no Brasil. Ênfase para o    Gênero Oncidium", Revista Orquidário vol 6/4

5) Classificação da Vegetação Brasileira adaptada do Sistema Universal" , editado pelo IBGE em l991, por Henrique Pimenta Veloso, Antonio Lourenço     Rosa Rangel Filho, Jorge Castro Alves.

6) David Miller & Richard Warren - Orquídeas do Alto da Serra, 1996

7) F. C. Hoehne, Album de Orchidaceas Brasileiras, Secretaria de Agricultura, Indústria e Comércio de São Paulo, l930.

8) F. C. Hoehne, Flora Brasílica, Vol XII, VII Secretaria da Agricultura de São Paulo. 1953

9) Francisco Miranda, Orchid's Map Over the Continent - Brazilian Orchids, Sodo Publishing

10) G. J. Pabst e F. Dungs.Orchidaceae Brasilienses,

11) João Batista F. da Silva e Manoela F. F. Silva, Orquídeas Nativas da Amazônia Brasileira, Gênero Catasetum L. C. Rich ex Kunth. , Coleçao      Adolpho Ducke, Museu Goeldi, l998.

12) João A N. Batista e all. "Sarcoglottis heringeri Pabst", Revista Orquidário volume 7/2

13) João Paulo de Souza Fontes - in A Rainha do Nordeste Brasileiro, Edição Europa.

14) Jim & Barbara McQueen - Orchids of Brazil, The World of Orchids, 2, The Text Publishing Company, Melbourne, Australia, 1993

15) Kleber Lacerda, in Amazon Discovery of New Species and Extinction - Cattleya, The Queen of Flowers, Brazilian Orchids, Sodo Publishing

16) Lou Menezes, Orquídeas, Genus Cyrtopodium, Espécies Brasileiras,

17) Lou C. Menezes, in Cattleya labiata Lindley, Orquídeas Brasileiras, Editora Expressão e Cultura.

18) Lou C. Menezes, Schombocattleya x pernambucensis, in Boletim Caob vol III nº 4

19) Manuais Técnicos em Geociências, número 1, Manual Técnico da Vegetação Brasileira, IBGE, l992

20) Revista Brasil Orquídea, Ano ½ - Ago/set/out, editora Brasil Orquídeas.

21) Pedro Ivo Soares Braga, Orquídeas das campinas da Amazônia Brasileira, I Encontro de Orquidófilos e Orquidólogos.

Foram consultados os seguintes sites:

1) Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro - Projeto Manguezal. Os Manguezais e sua importância
    http://www.jbrj.gov.br/pesquisa/projetos_especiais/manguezal.htm

2) Fundação SOS Mata Atlântica
    http://www.sosmatatlantica.org.br/

3) Embaixada Brasileira em Londres.
    http://www.mre.gov.br/cdbrasil/itamaraty/web/ingles/meioamb/ecossist

4) Manguezal - Ecologia - Bahiasol.com
    http://www.bahiasol.com/ecologia/mangue001.htm -

5) Brazil Nature
    http://www.brazilnature.com/ingles/ecossistema.html


  Créditos fotográficos:
CE = Carlos Eduardo de Brito Pereira
FM = Francisco Miranda
SA = Sergio Araujo
Gostaríamos de agradecer a Carlos Eduardo e, especialmente, a Francisco Miranda pela cessão das fotos que ilustram essa matéria.

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