Palavras chave:

Hoffmannseggella conceicionensis, Brasil, Minas Gerais, Conceição do Mato Dentro, Hoffmannseggella crispata, minério de ferro, nova espécie.

Resumo:

Uma nova espécie de Orchidaceae do gênero Hoffmannseggella H. G. Jones é aqui apresentada.
Essa planta foi por nós descoberta na década de 80, no interior do Estado de Minas Gerais, junto à cidade de Conceição do Mato Dentro.
Na época já acreditávamos tratar-se de espécie nova, mas em função de uma melhor definição das espécies brasileiras do gênero Laelia protelamos a sua publicação. Com as pesquisas realizadas por Guy Chiron e Vitorino Paiva Castro Neto nesse grupo de plantas, que culminou entre outras coisas com o restabelecimento do gênero Hoffmannseggella, voltamos então a trabalhar com essa planta, cuja descrição foi feita na revista Richardiana II (3): 111-115, juillet 2002, conforme segue abaixo.

 
Hoffmannseggella conceicionensis
V. P. Castro & Campacci


Typus:
Brasil, Minas Gerais, município de Conceição do Mato Dentro.


Holotypus:
SP.


Coletor:
Marcos Antonio Campacci, nº 525, em maio de 2000.
Floresceu em cultivo em agosto de 2000 e no mesmo mês do ano seguinte.
  Descrição:

Planta rupícola, cespitosa;
pseudobulbos avermelhados, obclavados, atingindo até 20,0 cm de comprimento por 0,5 cm de diâmetro no ápice e 2,0 cm na base, unifoliados, muito raramente bifoliados;
folhas oblongas com ápice agudo, coriáceas, recurvadas, avermelhadas no dorso, em média com 15,0 cm de comprimento por 1,5 cm de largura na sua parte central;
 

espata linear truncada com ápice oblíquo, de 5,5 a 6.5 cm de comprimento e 0,6 cm de largura;
inflorescência apical longa, atingindo 40,0 cm de comprimento;
flores aglomeradas no ápice da haste floral, amarelas, simultâneas, entre as maiores do gênero;
sépalas levemente reflexas, a dorsal elíptica com ápice agudo, de 2,8 cm de comprimento por 0,9 cm de largura, as laterais lanceoladas, assimétricas, um pouco mais curtas que a dorsal;
pétalas levemente falcadas, também um tanto reflexas, com 2,6 cm de comprimento por 0,9 cm de largura;
labelo com 4 veias longitudinais elevadas no centro, profundamente trilobado, medindo 2,5 cm de comprimento por 1,7 cm de largura, o lobo mediano muito encrespado, de 1,0 cm de diâmetro, mais ou menos orbicular, os laterais ovalados com ápice agudo e medindo 2,0 cm de comprimento por 0,8 cm de largura;
coluna ereta, semicilíndrica, amarela, de 1,0 cm de comprimento por 0,4 cm de largura;
antera em forma de capuz, amarela;
8 polínias amarelas;
ovário quase cilíndrico, levemente recurvado;
pedicelo medindo entre 3,5 e 4,0 cm de comprimento.




  Distribuição:
Minas Gerais, endêmia dos arredores de Conceição do Mato Dentro.


Floração:
Final do inverno e estendendo-se pela primavera no Brasil.

Hábitat:
Montanhas rochosas em altitudes superiores a 800 metros, onde existe afloramento de minério de ferro, vegetando sobre o cascalho e outros resíduos existentes no meio da vegetação arbustiva.

Etimologia:
Referência ao local onde a planta foi descoberta.

  Discussão:
O gênero do qual faz parte essa nova orquídea é composto de orquídeas que formam um grupo naturalmente homogêneo, com plantas parecidas umas com as outras. Nesse presente caso, Hoffmannseggella conceicionensis tem maiores semelhanças com a Hoffmannseggella crispata (Thunb.) H. G. Jones, diferindo daquela no porte e aspecto físico da planta, apresentando folhas mais estreitas, longas e recurvadas que aquela outra; pseudobulbos mais altos e avermelhados e o verso das folhas também sempre avermelhado.
Seu hábitat restringe-se a algumas montanhas em Conceição do Mato Dentro (Minas Gerais), onde vegeta sobre minério de ferro que aflora na superfície, sempre junto a arbustos ou pequenas árvores, as quais filtram, em parte, o excesso de sol.
As flores dessa nova espécie, à primeira vista, assemelham-se às da Hoffmannseggella crispata, porém sua coloração é sempre mais forte, seu labelo tem lobos laterais mais curtos que o daquela espécie, lobo mediano orbicular, ao contrário daquela outra que o tem mais oblongo.
Uma outra característica interessante é que suas flores demoram muito mais tempo para se formar e abrir do que as flores da Hoffmannseggella crispata.

 

 

Fotos e desenho: ©Marcos A. Campacci

*  E-mail: vpcastro@terra.com.br
** E-mail: campacci@cpo.org.br


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