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  ENTREVISTA COM IRANILDA CALADO SANTANA


Iranilda Calado Santana fez seu mestrado em Botânica, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente, é responsável pela continuação do levantamento da família orquídeas, no contexto do projeto da Flórula da Vila Dois Rios .
Nesta entrevista, ela fala um pouco sobre o estágio atual do projeto.


  ON: Iranilda, você é a atual responsável pelo projeto de levantamento da família orchidaceae da reserva da Vila Dois Rios, continuando o trabalho iniciado por Fernando. O que você poderia nos dizer sobre o projeto em si.
Iranilda: A UERJ tem, já há algum tempo, um posto avançado na Ilha Grande que é o CEADS (Centro de Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável) e a Flora da Ilha Grande é um projeto grande da UERJ no qual estão envolvidos vários professores daquela e de outras instituições. Dentro deste projeto, está incluído o levantamento da vegetação terrestre e costeira da Vila Dois Rios. O Fernando da Costa Pinheiro, que fez mestrado em orquídeas, apresentou monografia em orquídea e já tinha todo um trabalho desenvolvido nesta área, assumiu o levantamento das orquídeas. E, durante mais ou menos 2 anos, ele fez excursões mensais junto com o pessoal da UERJ para coletar as orquídeas da Ilha Grande. Ele coletou bastante material, deixando uma coleção muito bem representada.

  Gomesa crispa   Aspydogyne fimbrillaris   Erythrodes arietina

  ON: Este material já está todo identificado? A maioria é terrestre ou epífita?
Iranilda: Quase todo material está identificado. Temos agora 59 identificadas a nível de espécie , cinco ou seis só em gênero. Destas, 11 são terrestres e o restante é epífita ou rupícola.
Encontramos muito material lá. A única coisa que temos que tomar cuidado, prestar muito atenção na hora de coletar, é com as espécies terrestres, às vezes passam despercebidas. Na parte mais úmida da mata, tem uma camada muito grande de folhiço e, às vezes, é uma coisinha mínima, simplesmente você não vê, passa direto, só mesmo quando está em flor e prestando muita atenção, você vê aquele pendãozinho assim. Tem sempre alguma novidade.

  ON: Como você se tornou responsável pelo projeto?
Iranilda: Eu já estava aqui no Herbário, há bastante tempo e estava também trabalhando com orquídeas. Eu já havia demonstrado interesse em participar das excursões, mas não havia ainda tido a oportunidade. Quando Fernando teve que ir para Brasília, maio ou junho do ano passado, ainda havia algum material a ser identificado.
Cochleanthes waylesiana   Dichaea pendula
 
Liparis nervosa
Então, eu botei a mão na massa pela primeira vez, sem ainda ter idéia de como era o trabalho. Comecei a estudar as exsicatas, observar, fazer algumas identificações, verificar os materiais que ainda não estavam prontos.
Assim, eu assumi o projeto no sentido de fazer um fechamento, de fazer uma chave e uma descrição não muito detalhada. Há algum tempo, tivemos a visita do professor Fábio de Barros que nos ajudou na identificação de algumas plantas que nem Fernando nem eu tínhamos conseguido: Pleurothallis, Octomeria, Stelis, gêneros muito complicados.

ON: Com muitas espécies...
Iranilda: Gêneros muito difíceis. Fábio deu uma ajuda grande para nós, identificou bastante material. Ele foi embora, mas estamos sempre em contato. Estamos trabalhando em cima da
Specklinia grobyi
 

chave, trabalho um pouco, envio para ele, ele corrige, refaço.

ON: Eu vi que há registro de Promenaea stapelioides, achei bastante interessante, pois para Pabst ela pertenceria à província I, o que significa área de frio, montanhosa.
Iranilda: Tem registro de Promenaea stapelioides para restinga também. Eu fiz um trabalho sobre Promenaea e constatei isto.

ON: Qual a característica da vegetação? É Mata Atlântica? Primária?

Phymatidium tillandsioides
 

Iranilda: Mata Atlântica em regeneração. Na maioria dos locais, é Mata Atlântica em estágio bastante avançado de regeneração. Tem uma parte mais alta da ilha, parte da Guarita, da Jararaca, que está um pouco mais preservada. É uma mata quase primária mesmo e alguns trechos da mata são muito úmidos. Tem uma camada muito, muito grande de folhiço e tem outros trechos em que a mata é um pouco mais aberta, mas a grande maioria é uma mata bem fechada.

ON: E com relação à altitude?
Iranilda. Têm locais de altitude bastante elevada com mais de 800m, o que já traz, por si só, uma variação importante.

ON: Então lá pode se encontrar variedade de espécies em termos de tolerância a locais mais frios.
Iranilda: Lá não é muito frio, mesmo em locais de altitude.

ON: E a área de restinga?

Iranilda: Há pequenos trechos de restinga, a Praia da Parnaióca, por exemplo, onde foram encontradas orquídeas. Lá tem uma variedade de habitats muito grande. A gente encontra orquídea na terra, num pedacinho de rocha, onde você nem espera. Têm áreas de afloramento rochoso,bem mais ensolaradas.

ON: Com relação ao projeto, você considera que já está em seu estágio final?
Iranilda: Acredito que já estamos num processo de fechamento. A chave está praticamente pronta e depois de terminá-la já podemos publicar, pois tudo o mais já está pronto. É claro que sempre aparece alguma coisa, nós devemos estar sempre buscando, sempre coletando, mas creio que da área visitada haverá pouca novidade aparecendo daqui para frente.


  Links relacionados:

1) http://www.sibi.ufrj.br
2) http://www.sr2.uerj.br/ilhagrande/campus_ilha2.html
3) http://www.angra-dos-reis.com/explorando_paraiso/praias_e_ilhas/praia_ilhagrande_dois_rios.htm
4) http://www.uerj.br/administracao/reitoria/proposta/interiorizacao.htm
5) http://360graus.terra.com.br/ecoturismo/default.asp?did=296&action=hist%C3%B3ria
6) http://360graus.terra.com.br/guilhermerocha/Pages/Ilhagrande1.htm
7) http://www.codig.org.br/dadosgeo.htm (Comité de Defesa da Ilha Grande)
8) http://www.zone.com.br/destinoaventura/index.php?destino=destinos&xdestino=Ilha%20Grande

  Todas as fotos ©Fernando Pinheiro


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