por Delfina de Araujo (final)

 Apa Morro do Leme

PHOTO / FOTO: PLÍNIO SENNA

 
Desde o final da década de 80, sob a liderança de Plínio Loures Senna, num trabalho conjunto da comunidade, através da SoAPA Leme, do Exército Brasileiro e da Prefeitura, através da Fundação Parques e Jardins, esta área vem sendo reflorestada e conservada.
A história da Apa começa em 1987, quando, através da Associação de Moradores e Amigos do Leme - Amaleme, após acordo com o Exército (o Forte Duque de Caxias e o Centro de Estudos de Pessoal  estão localizados no Morro do Leme), Plínio Senna solicitou à Prefeitura do Rio um trabalho de reflorestamento da área. A Fundação Rio Parques e Jardins iniciou os trabalhos no mesmo ano, servindo de alicerce para o projeto, dando assistência técnica e enviado pessoal para trabalhar nas encostas desmatadas, retirando o capim, plantando árvores e mantendo as áreas já trabalhadas.
Ao Exército Brasileiro coube apoio logístico, assim como transporte de mudas e alimentação das equipes, quando necessária e hoje é o guardião desta Área

 
PHOTO / FOTO: GUILHERME FRANÇA
PHOTO / FOTO: PLÍNIO SENNA
PHOTO / FOTO: PLÍNIO SENNA
 
1987 - NO INÍCIO DO PROJETO - Vê-se, em manchas amarelo-claras, o capinzal que incendeia, destrói e ocupa a Mata Atlântica (em verde-escuro, na foto). A estrada do Forte Duque de Caxias (ao centro, em cima) já está ladeada pelo capim-colonião e a floresta está desaparecendo.

1992 - APÓS 5 ANOS DE TRABALHO - O reflorestamento recuperou áreas degradadas na face NE do Morro do Leme, unindo as "ilhas" de mata remanescente. No Morro do Urubu, à direita, vê-se nova área em reflorestamento, com as leiras de capim roçado, em curvas de nível, e as mudas plantadas.

2003 - Vê-se a espetacular recuperação da Mata Atlântica, que consumiu 15 anos de trabalho.
Ainda há pontos que precisam de manutenção, e sempre há áreas recém destruídas por cidadãos, que precisam de novo trabalho para se conservar o restante.


 
A Diretoria de Meio Ambiente da Amaleme, gestão 1987 a 94, prestou uma inestimável colaboração neste Projeto de Conservação Ambiental trabalhando em conjunto com a Fundação Parques e Jardins, promovendo o estudo da flora, com apoio do Serviço de Ecologia Aplicada da FEEMA e outros pesquisadores, executando o levantamento da avifauna com apoio do Clube de Observadores de Aves - COA e obtendo o estudo das borboletas pelo Museu Nacional, da UFRJ. O Grupo Ação Ecológica - GAE também colaborou neste projeto.
Posteriormente foi criada a Sociedade de Amigos da APA do Morro do Leme - SOAPA Leme que continua o trabalho, que não pode ser interrompido. O resultado não deixa dúvidas quanto à importância de projetos como este e da coloboração dos diversos órgãos no sentido de garantir sua continuidade.
Com uma área talvez superior à área urbana do Leme, a APA, com 12 hectares de Mata Atlântica e mais 16 em processo de reflorestamento pelo Projeto de Conservação Ambiental, abrange o morro do Leme, propriamente dito, o morro do Urubu e a ilha de Cotunduba. Conta com mais de 90 espécies de aves, entre elas 5 diferentes espécies de beija-flor. As borboletas também estão presentes com 33 espécies. É habitat de 7 espécies de plantas ameaçadas de extinção e 6 espécies de figueiras nativas. Mostrando a qualidade da mata, orquídeas (7) e bromélias (16) são encontradas com bastante facilidade.
A importância da recuperação e preservação desta pequena área pode ser medida pelo grande número de espécies vulneráveis, em perigo ou ameaçadas de extinção de diversas famílias, tanto da flora como da fauna, tais como:
  PHOTO / FOTO SERGIO ARAUJO
a Dorstenia arifolia Lam. (Caiapiás),
PHOTO / FOTO SERGIO ARAUJO
a Caesalpinia echinata Lam (Pau Brasil),
PHOTO / FOTO SERGIO ARAUJO
a Tessarandra fluminensis (uma oleácea), gênero de uma só espécie endêmica para nossa região
  PHOTO / FOTO SERGIO ARAUJO
o olho de boi que abriga
os ovos da lagarta da borboleta capitão-do-mato( Morpho achilles achillaena),
PHOTO / FOTO SERGIO ARAUJO
o molembá Ficus hirsuta (que pode atingir 30m de altura),
PHOTO / FOTO SERGIO ARAUJO
o coqueiro indaiá,

  Pequiá-das-pedras (Aspidosperma gomezianum A.DC.).
Ou plantas de menor porte como a velósia Pleurostima purpurea Raf., Tillandsia araujei, neoregelia,
  PHOTO / FOTO SERGIO ARAUJO
bromélias: Vriesea procera, regina e goniorachis,
PHOTO / FOTO SERGIO ARAUJO
o Cephalocereus fluminensis, cactus ao qual a bromélia Tillandsia araujei ocorre associada,

  Plantas do tipo trepadeira como
Passiflora racemosa
, com suas
lindas flores alaranjadas,
PHOTO / FOTO: PLÍNIO SENNA
Isto tudo sem falar nas borboletas, brancas, azuis, alaranjadas, amarelas, cinza, num total de 33 espécies. Tem a estaladeira Hamadryas februa, uma interessante espécie que pousa de cabeça para baixo, com as asas abertas e também a única que tem audição e a belíssima borboleta azul capitão-do-mato (Morpho achilles achillaena).
O local foi eleito ponto-chave para observação das borboletas capitão-do-mato e corujão (Caligo) pela facilidade de acesso aos especialistas nacionais e estrangeiros, e pela segurança dada ao local pelo Exército Brasileiro.
Não se pode esquecer a presença das aves são 5 espécies de beija-flores e 90 espécies de pássaros onde se sobressai o Tiê-sangue (Ramphocelus bresilius) de colorido intenso e outros que enchem a mata com seus cantos durante o dia todo.

PHOTO / FOTO SERGIO ARAUJO
PHOTO / FOTO SERGIO ARAUJO

PHOTO / FOTO SERGIO ARAUJO
PHOTO / FOTO SERGIO ARAUJO
PHOTO / FOTO SERGIO ARAUJO

PHOTO / FOTO SERGIO ARAUJO
PHOTO / FOTO SERGIO ARAUJO

    PHOTO / FOTO SERGIO ARAUJO

 
Sem dúvida, a APA Morro do Leme é uma boa notícia principalmente porque só ouvimos falar de espécies ameaçadas de extinção, áreas desmatadas, habitats destruídos para a expansão imobiliária, agropecuária ou simplesmente para o comércio de madeira.
O local pode ser visitado aos sábados, domingos e feriados, de 9:00 às 17h.

As informações foram obtidas através do site SoAPA-Leme, em entrevista com Plínio Sena e artigos publicados na revista Albertoa.
Visite o site da SOCIEDADE DE AMIGOS DA APA DO MORRO DO LEME - SoAPA-Leme http://www.morrodoleme.hpg.ig.com.br

  Bibliografia:

- Revista Albertoa, volume 3(15): 141-152.1993 - Impacto Ambiental causado por eventos   comemorativos na escarpa rochosa do Morro do Leme, Rio de Janeiro, Plínio Loures Senna.
- Revista Albertoa, volume 3(16): 153-164.1993 - A Figueira vermelha e sua importância na alimentação   da avifauna e na conservação da natureza, Plínio Loures Senna.
- Orquídeas do Estado da Guanabara, Guido Pabst, 1966.
- Orquidário 5(1): 21-23. 1991, Augusto Fernandes Neves. O gênero Eulophidium Pfitz.
- The illustrated Encyclopedia of Orchids,. Timber Press, edited by Alec Pridgeon. 1994.
- Orchidaceae Brasilienses, Guido Pabst & Dungs  


Sites consultados
  http://www.morrodoleme.hpg.ig.com.br
  http://www.rio.rj.gov.br
  http://www.rio.rj.gov.br/smac/ap_list.htm

Fotos de: Sergio Araujo e Plínio Senna

 
Expressamente proibido qualquer tipo de uso, de qualquer material deste site (texto, fotos, imagens, lay-out e outros),
sem a expressa autorização de seus autores. Qualquer solicitação ou informação pelo e-mail orchidnews@oi.com.br