Oeceoclades maculata (Lindl) Lindl. é uma espécie que sempre despertou a atenção dos estudiosos, talvez em função de sua grande área de dispersão, a mais ampla de todas as espécies da família orquidácea.
Desde a sua descrição por Lindley, em l821, como Angraecum maculatum Lindl. seu nome foi modificado diversas vezes.
Conhecida por ser uma planta que não apresenta muita variedades, surgiu em
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Niterói, estado do Rio de Janeiro, encontrada pelo orquidófilo Nelson Luiz Bittencourt, uma colônia de variedade alba, cercada por plantas-tipo. Foi encontrada a 110m de altitude em sub-bosque bastante sombreado, vegetando por cima de uma camada de foliço, instalando-se superficialmente, estendendo suas raízes sem penetrar no solo.
Esta planta apresenta algumas caracaterísticas do ponto de vista vegetativo embora seja, na essência, bastante igual à planta tipo.
Apresenta-se mais robusta do que a maioria das plantas-tipo encontradas no local e seus pseudobulbos possuem de 3 a 4cm de comprimento e 2cm de diâmetro. Suas folhas medem 24cm por 6cm de largura e são mais claras. Suas hastes florais são longas, cerca de 44cm, e apresenta uma curiosidade: é bifurcada e verde-clara. Suas pétalas e sépalas são verdes translúcidas e o labelo é inteiramente branco. Auto-poliniza com a mesma facilidade da espécie-tipo.
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O gênero Oeceoclades Lindl. possui cerca de 31 espécies e é distribuído pela América do Sul, Central, sul da América do Norte, Flórida, África tropical, Ilha de Madagascar, Mascarene e Seychelles. São plantas terrestres, ocorrendo raramente como epífita.
A espécie Oeceoclades maculata (Lindl) Lindl., muito conhecida como Eulophidium maculatum (Lindl.) Pfitz, é a única espécie que ocorre no Brasil.
É uma planta terrestre vegetando principalmente em camada de humus ou folhiço, em restinga, desde o nível do mar até perto de 300m de altitude, é encontrada com freqüência em qualquer mata fechada.
Há um registro de coleta a 580m em Comoros, Mayotte, por O. Pascal, em março de l966 (New York Botanical Garden).
Suas folhas variegadas (manchadas) lembram uma Espada de São Jorge, bem pequena. Podem atingir 22 cm ou até 32cm de comprimento e são coriáceas. Os pseudobulbos são agregados e variam entre 2 ½ cm a 4cm de comprimento e possuem de 1 a 2cm de diâmetro.

 
Suas flores são rosas, pequenas de aproximadamente 1,5cm de diâmetro.
Pétala de 9 a 10mm de comprimento e 3 mm de largura.
Sépala 9 a 10mm de comprimento por 2 - 2 ½ mm de largura.
Labelo 7-8mm de comprimento por 6-7 de largura.
O labelo é branco e com duas faixas nas laterais na cor vermelho escuro. Sua inflorescência pode atingir até 40cm de comprimento e emerge da base do pseudobulbo. Pode carregar 12 flores e às vezes, até mais.
Sua época de floração é o outono e freqüentemente suas flores não duram muito, pois murcham após a polinização e tendo como característica a autogamia (autopolinização), isto ocorre muito precocemente.
A origem desta planta continua ainda um mistério, supoe-se que tenha se originado em Madagascar.
Na verdade, é a orquídea com maior área de dispersão, sendo distribuída
Foto:/Photo: Sergio Araujo
 
pela África tropical, do Senegal até Angola, Zimbábue e Tanzânia , Florida, Caribe, Porto Rico, República Dominicana, Bahamas, Brasil, Venezuela, Paraguai, Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina, Panamá, Peru, Trinidad e Guianas.Também no Brasil, tem uma área de dispersão muito ampla e ocorre, praticamente em todos os estados brasileiros, principalmente na costa, mas expande-se também para estados do interior: AL, AM, AP, BA, CE, DF, ES, GO, MA, MG, MS, MT, PA, PE, PB, PR, RJ, RN, RR, RS, SC.
O fato de ser autopolinizadora propicia a dispersão.



Basiônimo:
Angraecum maculatum Lindl.

- Descrita inicialmente em l821 e publicada em Collectanea Botanica No. 3: t. 15. sob o nome de Angraecum maculatum Lindl.
- Em 1821, Link & Otto descreveram a espécie como Geodorum pictum Link & Otto e publicaram em Icon. Pl. Hort. Reg. Berol. 3: 35, t. 14. 1821 July.
- Em 1822, Loddigesi propôs a transferência para o gênero Limodorum e a descreveu como Limodorum maculatum (Lindl.) Lodd. publicando seu trabalho em Botanical Cabinet
- Em 1826, Spreng propôs sua transferência para o gênero Aerobion e a descreveu como Aerobion maculatum (Lindl.) Spreng. e publicou seu trabalho em Systema Vegetabilium, editio decima sexta 3: 718.
- Em 1831, Frei Velloso descreveu a mesma planta como Epidendrum connivens Vell e publicou em Florae Fluminensis 9: t. 44.
- Em l833, Lindley transferiu-a para o gênero Oeceoclades e a descreveu como Oeceoclades maculata (Lindl) Lindl em The Genera and Species of Orchidaceous Plants 237-238.
- Em 1863, Reichenbach F. propôs a transferência para o gênero Eulophia e a descreveu como Eulophia maculata (Lindl.) Rchb. f e publicou seu trabalho nos Annales Botanices Systematicae 6: 647
- Em 1887, Pfitzer propôs a transferência para o gênero Eulophidium sob a denominação de Eulophidium maculatum (Lindl.) Pfitzer e publicou seu trabalho em Entwurf einer naturlichen Anordnung der Orchideen 88.
- Em 1877, S. Moore estabeleceu a especie Eulophia monophylla S. Moore que foi, posteriormente considerada como sinôniom de Oeceoclades macualta Lindl.(Sarah A. Thomas, Lindleyana 13(3):170-202.1998
- Em 1889, N.E. Br estabeleceu a espécie Eulophia ledienii N.E. Br. que foi, posteriormente considerada como sinôniom de Oeceoclades macualta Lindl.(Sarah A. Thomas, Lindleyana 13(3):170-202.1998
- Em 1891, Kuntze propôs a transferência para o gênero Graphorchis e a descreveu como Graphorchis maculata (Lindl.) Kuntze e publicou seu trabalho em Revisio Generum Plantarum 2: 662.
- Em 1976, L. A. Garay, & P. Taylor, em "The genus Oeceoclades Lindl. ", num trabalho publicado em Botanical Museum Leaflets, 24(9): 249-274 considerou a denominação Oeceoclades maculata (Lindl) Lindl. com a denominação válida para este espécie.
Posteriormente outros estudiosos, assim reafirmação esta assertiva:
- Em 1980, C. H Dodson,. & P. M. Dodson Orchids of Ecuador Icones Plantarum Tropicarum 2: 101--200
Em 1989, C. H Dodson,. & D. E. Bennett, Jr. Orchids of Peru (Icones Plantarum Tropicarum) Series II. Fascicle 1-2: 1-200
Em 1991, E. A. Christenson, Mesoamerican orchid studies I: Orchids of Panama Lindleyana 6(1): 42--48
Em 1993 - L. Brako, & J. L. Zarucchi , na publicação Catalogue of the Flowering Plants and Gymnosperms of Peru Monographs in Systematic Botany from the Missouri Botanical Garden 45: i-xl, 1--1286

 

Sinônimos:

Aerobion maculatum (Lindl.) Spreng.
Angraecum maculatum Lindl.

Eulophia ledienii N.E. Br.
Eulophia maculata (Lindl.) Rchb. f.
Eulophidium maculatum (Lindl.) Pfitz.
Eulophia monophylla S. Moore
Epidendrum connivens Vell.
Geodorum pictum Link & Otto
Graphorchis maculata (Lindl.) Kuntze.
Limodorum maculatum (Lindl.) Lodd.


Bibliografia:

1) Orquídeas da Guanabara - Guido Pabst
2) Nossas Orquídeas Menores - O gênero Eulophidium      Pfitz. Orquidário 5(1) 21.23.1991. Augusto      Fernandes Neves.
3) Missouri Botanical Garden -        http://mobot.mobot.org

Foto:/Photo: Sergio Araujo

  4) The Illustrated Encyclopedia of Orchids. edited by Alec Pridgeon. 1992.
5) Flora Brasiliensis, Martius, Vol. III, Pars VI.
6) A Preliminary Checklist of the Genus Eulophia Sarah A. Thomas, Lindleyana     13(3):170.202.1998


Fotos: José Alberto Senna e Sergio Araujo


 
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