por Luiz Menini Neto






Trabalho em andamento, em parceria com
Rafaela C. Forzza (Jardim Botânico do Rio de Janeiro) e
Ruy J. V. Alves (Museu Nacional / UFRJ).
Parte da dissertação de mestrado do autor




Foto / Photo: Luiz Menini Neto
Foto / Photo: L. Menini Neto
O Parque Estadual do Ibitipoca (PEI), situado no sul de Minas Gerais, no município de Lima Duarte, distrito de Conceição do Ibitipoca, foi criado em 04 de julho de 1973.
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Apresenta uma área de 1923,5 ha, com relevo escarpado e com altitudes que variam de 1100 a 1784 m.
O Parque abriga em sua área muitas cachoeiras, paredões e locais de extrema beleza cênica, somado a uma vegetação de pequeno porte que viabiliza a execução de caminhadas ecológicas com esforço relativamente baixo (Salimena, 2000).
A vegetação do PEI é um mosaico de comunidades singular,


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que abriga floresta atlântica, cerrados de altitude e campos rupestres. Como conseqüência desta união de tipos vegetacionais tão distintos, a região congrega espécies típicas da floresta atlântica médio e altomontana, dos campos rupestres da Cadeia do Espinhaço e do cerrado.
É relatada, para os domínios do Parque, uma grande diversidade de liquens, samambaias, gramíneas, orquídeas, bromélias, sempre-vivas, canelas-de-ema e carnívoras (Menini Neto & Forzza, 2002).

A diversidade de espécies registrada para a família Orchidaceae no PEI é alta. Atualmente, temos catalogado para a área 120 espécies pertencentes a 45 gêneros (Tabela 3). As espécies ocorrem em todos os ambientes como epífitas, terrestres ou rupícolas. A presença dos pseudobulbos e do velame, que atuam, respectivamente, no armazenamento e absorção de água, possibilita a estas plantas sobreviverem plenamente nos campos rupestres, onde o solo é raso, arenoso e não retém água ou ainda como epífitas nos troncos das árvores.
A grande maioria das espécies ocorre como epífita, no interior da Mata Grande (área de mata ombrófila), nas matas ciliares ou nas matas nebulares da parte alta do Parque, ambientes com alto índice de umidade.
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Dichaea cogniauxiana
Dentre estas podemos citar, por exemplo: Dichaea cogniauxiana, Eurystyles cogniauxii, Octomeria diaphana, Pleurothallis platystachys, Rodrigueziella gomezoides, Stelis megantha, Trichosalpinx montana, dentre outras. Foto / Photo: L. Menini Neto
Stelis megantha
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Malaxis excavata
Dentre as espécies terrestres de mata podemos citar: Cranichis candida, Erythrodes commelinoides, Galeandra beyrichii, Malaxis excavata (ocorrendo em ambiente arenoso, nas matas nebulares), Sauroglossum nitidum e Stigmatosema polyaden.
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Cranichis candida  
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Pleurothallis johannensis  

No campo rupestre podemos encontrar rupícolas (Bifrenaria harrisoniae, Bulbophyllum cribbianum, Hoffmannseggella crispata, Pleurothallis johannensis), terrestres sobre solo arenoso (as espécies de Cleistes, Habenaria e Zygopetalum) e epífitas (Isabelia violacea – também encontrada em interior de mata –, Pleurothallis rubens, Prosthechea allemanoides, Prosthechea vespa, Sophronitis brevipedunculata, etc.).
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Prosthechea allemanoides  
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Cleistes brasiliensis
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Habenaria rolfeana
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Zygopetalum triste
Devemos destacar a ocorrência no PEI de seis espécies de Orchidaceae citadas na Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas de Extinção da Flora de Minas Gerais (Mendonça & Lins, 2000):
Bulbophyllum warmingianum, Cattleya bicolor, Cattleya loddigesii, Isabelia violacea, Oncidium warmingii e Sophronitis coccinea.
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Bulbophyllum warmingianum
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Cattleya bicolor
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Oncidium warmingii

Mesmo tendo uma área relativamente pequena, o Parque Estadual do Ibitipoca é um dos Parques estaduais mais visitados de Minas Gerais, recebendo turistas de todas as partes do Brasil e do exterior. Na última década o número de turistas que visitaram o local cresceu aproximadamente 500%.
Em 1988, o Parque recebia por ano 7.632 visitantes. Atualmente, este número chega a 40.000 pessoas. Um dos maiores problemas relacionados à intensa visitação nas áreas de campos rupestres é o desenvolvimento de processos erosivos em trilhas, desmoronamentos e deslizamentos nas encostas e a ação predatória de espécies vegetais com apelo visual.
Algumas espécies de Orchidaceae do Parque vêm sofrendo, ao longo dos anos, um acelerado processo de redução populacional. Dois fatos podem estar contribuindo para esta realidade: o pisoteio e o extrativismo. Espécies como Hoffmannseggella crispata e Sophronitis brevipedunculata são plantas cada vez mais raras de serem apreciadas em seus habitats, fato este que, possivelmente, está relacionado a atratividade de suas flores, que são coletadas pelos visitantes ou extrativistas locais. Outras orquídeas como as espécies de Bifrenaria, Cattleya, Prosthechea, Oncidium e Zygopetalum, apenas para citar as consideradas mais ornamentais, também estão correndo o risco de desaparecerem do Parque.
Estes fatos demonstram a necessidade da elaboração de um plano de manejo para a área, com treinamento de guias para o acompanhamento dos turistas, bem como um programa de educação ambiental, mostrando aos mesmos a importância de não se coletar plantas nativas.


Acreditamos que estas sejam pequenas contribuições, mas ainda assim valiosas, para o conhecimento e, conseqüentemente preservação, da diversidade florística deste grande estado



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