Wladyslaw Zaslawski é polonês por nascimento e brasileiro por adoção.  Orquidófilo desde a década de 50, resolveu montar, em 1994, em sociedade com seu filho, Aleksandro Zaslawski, o orquidário AWZ Orchids, no estado do Espírito Santo, com estufas em dois climas diferentes. Um em Viana a 300m de altitude para o cultivo de plantas de clima mais quente e outro em Pedra Azul, a 1.100m de altitude. Ambos, mais colecionadores do que comerciantes, dedicam seu tempo quase que integralmente à manutenção de sua coleção particular e do orquidário comercial. Grandes conhecedores de habitats brasileiros, nos falam de suas andanças para conhecer as orquídeas na natureza.


ON: Wladyslaw, quando e como  você começou a cultivar orquídeas?
WZ: Nós, meus pais e eu, tínhamos chegado ao Brasil havia pouco tempo e morávamos num lugarejo chamado Santa Lúcia, na Praia do Canto, em Vitória, Espírito Santo. Naquela época tinha muito mais verde do que hoje e, atrás de nossa casa, no meio da mata, tinha uma pedra e nela estava uma planta toda florida. Mais tarde eu soube que era uma Cattleya guttata. Eu nunca tinha visto isto minha vida, onde tem isto na Europa? Em lugar nenhum. Aquilo me chamou atenção, levei a planta, cultivei, depois foi outra, outra, outra e assim por diante. Esta planta que eu achei florida em março de l953, ainda está aqui, em Viana, tranqüila, viva, saudável.

ON: Então você não é brasileiro?
WZ: Eu sou brasileiro, mas nasci na Polônia e cheguei ao Brasil sem falar uma palavra de português.

ON: São 52 anos de cultivo... Foi na mesma época que você começou seu orquidário comercial?
WZ: Não, eu fui engenheiro na Companhia Vale do Rio Doce onde trabalhei por 33 anos e também dei aulas na Universidade Federal durante 25 anos. Aposentei-me em l991, com uma excelente experiência ferroviária, em função disto,  eu era muito requisitado para fazer consultoria nesta área. Alek, meu filho, que é também formado em engenharia mecânica, e eu montamos um escritório de consultoria. Durante  4 ou 5 anos, demos consultoria ferroviária pelo Brasil afora para as grandes empresas. Quando a Rede Ferroviária e a Companhia Vale do Rio Doce foram privatizadas, saíram do ruim que é a estatal mas não caíram nada melhor na iniciativa privada. A Rede Ferroviária foi desmembrada e as regiões foram vendidas e as firmas que compraram isto tudo só têm interesse na utilização do seu trecho da ferrovia, elas só se empenharam em melhorar o transporte no que se refere às suas próprias necessidades. Estas ferrovias passaram a não ter muito interesse em desenvolvimento. Conhece a fábula do Esopo? Quando os animais se atrelaram à carroça e resolveram puxá-la. Havia um asno, um cisne, um peixe. Na hora da partida, o cisne quis voar, o asno quis uma nesga de capim, puxou para capim, o peixe viu água, quis pular dentro dela e a carroça não saiu do lugar. No meu ponto de vista, em termos de melhoria do transporte ferroviário nacional, nada ocorreu, não houve um desenvolvimento ferroviário nacional. Assim, a nossa consultoria ficou caindo e, antes que acabasse, nós decidimos encerrar.

ON: E aí vocês decidiram fundar o orquidário comercial?
WZ: Em 1994, 95, como Alek também gosta muito de orquídea, eu lhe propus uma sociedade. Nestes 50 anos de cultivo, eu havia formado uma ampla coleção de orquídeas naturais não só do Brasil, mas de todas as partes do mundo, sempre procurando primar pela qualidade das plantas em termos de formas e cores, entre outras características. Minha coleção estava em torno de 20.000 plantas do mundo inteiro, eu tinha boas espécies, boas variedades mas não eram só espécies. Mas, antes disto, em 1991, com o laboratório próprio já funcionando, resolvemos reproduzir muitas das espécies da nossa coleção, devido as dificuldades de obtenção das mesmas por serem raras, por causa do desaparecimento gradual de seus habitats naturais e também pelo fato de muitas serem estrangeiras e de difícil aquisição.
AZ: Nosso objetivo é fornecer orquídeas naturais de alta linhagem já que todas as matrizes utilizadas são plantas selecionadas ao longo dos anos. Toda nossa produção é feita neste laboratório único e específico para este fim no Espírito Santo. Está aparelhado com todos os equipamentos necessários e modernos, o que nos permitiu alcançar uma produção de mudas saudáveis e vigorosas, padrão exportação.

ON: Mesmo antes de ter seu orquidário comercial, vocês já tinham seu laboratório?
WZ: Já, eu gostava desta pesquisa, gostava de desenvolver mas nós dois aprimoramos o laboratório. Começou em Pedra Azul, nós dois fizemos juntos mas, na verdade, tudo isto que você vê é muito mais trabalho do Alek do que meu.

ON: E você, Alek, como você se envolveu com orquídeas?
AZ: Eu sempre gostei de acompanhar meu pai aos habitats e desde pequeninho eu ando no meio do orquidário.
ZW: Ele sempre me acompanhou e, diga-se de passagem, não só em orquídeas, ele foi excelente engenheiro ferroviário, demos consultoria em pé de igualdade com pessoal dos Estados Unidos, Canadá. E o pessoal aprendeu muita coisa conosco, então quando demos a guinada, não tivemos muito problema. Ele está gostando demais.

ON: Você parece tão apaixonado pelas orquídeas quanto seu pai.
AZ: Eu sempre gostei acompanhá-lo principalmente nos passeios, subir morros, achava isto muito bacana, sempre gostei de natureza, nunca imaginei que iria mexer com orquídea neste nível. Era uma brincadeira, um hobby de meu pai que eu acompanhava nas viagens. Mas tinha a engenharia que eu estudava, me formei, comecei a trabalhar com engenharia mecânica e de repente, deu esta virada, e passamos a mexer com orquídea quase 100% do tempo.

ON: O catálogo de vocês é direcionado para espécies?
WZ: 99%, nós preservamos espécies apesar de dizerem que isto é um quinhão muito pequeno na mídia, nós temos nossa ideologia e gostamos só de espécies. Híbridos todo mundo tem: Europa, Japão, Brasil. Espécies estão se perdendo, desaparece uma, desaparece outra. Nós temos uma coleção boa de Cattleya amethystoglossa, tenuis, schofieldiana, elongata, eldorado, violacea, assim por diante.
Fora de outras partes do mundo como a Cattleya trianaei. Nós estamos preservando Encyclia, uma planta que não é comercial. É bonita, nós gostamos, se der comércio, tudo bem, se não, deixa ela quietinha aí, está vivendo bem aqui, enfeitando, agradando. Nós somos orquidófilos, não somos exatamente comerciais. Se não existir esta faceta de gostar, não há progresso.

C violacea

C trianaei

ON: E a produção de plantas?
AZ: Quanto às espécies por nós produzidas, ultimamente temos diversificado bastante, entretanto as Cattleyas e Laelias ainda são nosso carro chefe. De cada lote, nós guardamos em torno de 50/100 mudas, não nos desfazemos dele inteiramente. Fazemos a nossa reserva para ver o resultado, o que vai florir, não adianta mandar vender tudo e não ver o resultado. E dali também podem sair matrizes que serão utilizadas depois. A nossa coleção é grande porque não queremos só planta espetacular, não seguramos só as plantas melhores. Seguramos também as plantas de valor histórico, presente de alguém, primeira planta e a coleção se avoluma. Tem gente que só quer o top, nós guardamos muita planta histórica, mas existe um custo para manter tudo isto e dá muito trabalho também.

ON: Sem muita expectativa de retorno. Vocês têm um lado colecionador bem forte.
AZ: Nós temos este lado de colecionador. Tem planta, por exemplo, que nós podemos eventualmente trocar ou vender, mas, se tivermos um exemplar, nunca vamos vender. Podem oferecer o que for, mas não vendemos aquele exemplar a não ser no dia em que formos dividi-lo. Nós mantemos  isto aí, é sagrado, é a coleção. É um trabalho meio abnegado e o custo de manter a coleção é muito alto porque, como disse, não nos desfazemos de plantas. Nós vamos mais devagar do que se visássemos só o comercial, mas pelo menos, é um trabalho muito sólido. Tem gente que acha uma planta, vende, exporta, se desfaz, ninguém nunca mais vê, vai para fora do Brasil, acabou. No nosso caso, não. Está tudo guardadinho: até, por exemplo, aqueles híbridos antigos da Florália, a gente tem praticamente todos. Aqueles meristemas da época do Rolf Altenburg  que talvez nem a Florália tenha.
WZ: Eu tenho a Bc Pastoral rosa, adquirida diretamente dele.
AZ: Tem muita coisa que foi feita no Manarini que hoje não se acha mais, que evaporou das coleções, morreu. Por exemplo, o Epidendrum pseudoepidendrum que temos é um meristema dele.

ON: E esta planta rara de Laelia praestans alba?
WZ: A matriz é planta única, eu adquiri há muito tempo, polinizei e é a primeira floração. Nunca analise uma flor na sua primeira floração, é preciso aguardar a segunda ou terceira. Esta espécie só existe aqui, em Santa Leopoldina.
AW: Esta espécie leva o ano inteiro florindo, sempre tem alguma planta florida.


Laelia praestans alba
(foto:Sergio Araujo)

ON: E Cattleya guttata que deu origem a tudo, ainda existe?
AZ: Sim mas antes de comprarmos este sítio em Viana, nós a levamos para o sítio mais frio e ela sofreu um pouquinho. Agora está se recuperando e ano que vem deve florir novamente.

ON: Vocês têm dois locais de cultivo com climas diferentes? Isto quer dizer que vocês tanto tem plantas para colecionador de plantas de clima quente como para colecionador de clima frio.
WZ: Nós temos dois sítios, o primeiro lá em cima, a 1.100 m de altitude, em Pedra Azul. É frio no inverno, o normal é ficar em torno de 6, 8ºC,  eventualmente pode até baixar mais. Mesmo no verão, à noite, a temperatura fica em torno de 17, 18º C. Como não tinha outra opção, levei todas as minhas plantas para lá, mas algumas sofreram muito. A Cattleya guttata, que não é daquela região, sofreu muito. Cattleya trianaei, Cattleya lueddemanniana, Cattleya amethystoglossa, todas estas sofreram muito. Assim, ou nós fazíamos uma estufa climatizada lá em cima ou comprávamos um sítio aqui em embaixo. Como os terrenos aqui não são tão caros e as instalações ficariam muito mais baratas aqui do que lá em cima, Alek e eu optamos por comprar este sítio em Viana, a 300m de altitude e trouxemos todas estas plantas de clima mais quente para cá.

Pedra Azul (foto:Sergio Araujo)
 
Viana (foto:Sergio Araujo)

ON: A Cattleya trianaei e a Cattleya lueddemanniana se dão melhor a 300m? Isto quer dizer que a temperatura nesta altitude já é bem diferente daquela a nível do mar e que já uma queda importante da temperatura diurna para a noturna?
WZ: Elas se dão melhor aqui. A cada 100m, a temperatura cai um grau, mais ou menos. Além disto, o sítio está envolvido pelas matas, é perto das serras de onde desce o ar frio de montanha. O ponto ideal é quando, de manhã, tem o orvalho e nesta altitude já existe o ponto de orvalho.
AZ: Tem uma queda boa de temperatura à noite.

ON: É o grande segredo da orquídea, luminosidade associada à queda diária de temperatura e também no inverno...
WZ: Sem dúvida, é o trio: aeração, luminosidade e temperatura. Nós temos boa aeração, tanto que na região, no passado, havia warneri, schilleriana, a 300, 400m de altitude, nos paredões, em cima da pedra.

ON: Basicamente, quais as espécies que vocês cultivam em Viana ou quais cultivam em Pedra Azul?
WZ: Em Viana, Cattleya acklandiae, amethystoglossa, eldorado, guttata, nobilior, schilleriana, trianaei, lueddemanniana, Epidendrum pseudoepidendrum, Dendrobium de clima quente. Cultivamos em Pedra Azul que é mais frio, mais alto, Laelia sincorana, Cattleya walkeriana...

ON: Ainda se acha muita orquídea, por aqui, na natureza?
WZ: Não, aqui na nossa região não existe mais nada.

ON: Em Pedra Azul, ainda se pode encontrar?
WZ: Ainda existe Bifrenaria tyranthina, Oncidium crispum, Oncidium zappii, Oncidium colnagoi, Scuticaria kaustsky, a Sophrinitis coccinea, Sophronitella violacea, Laelia cowani, naquela região.
Perto de lá, mais para o maciço de Forno Grande, existe a Laelia macrobulbosa. É uma rupícola de pseudobulbos grossos e folhas largas. As plantas podem ter mais de 30 cm de altura.


Laelia macrobulbosa e seu habitat





ON: Vocês prefirem continuar adotando a nomenclatura tradicional para as espécies de Laelia?
AZ: Nós não mudamos os nomes, só utilizamos os nomes já consagrados destas Laelias rupicolas, exceto para as mais recentes. Preferimos manter esta nomenclatura já difundida e esperar a poeira assentar, a temperatura se estabilizar com relação a esta nova e drástica mudança de nomes que está ocorrendo por aí.

ON: A Cattleya velutina e a Cattleya schilleriana dividem o mesmo habitat?
WZ: Não, a Cattleya schilleriana é mais embaixo, é mais onde existe a predominância dos ventos do mar. A maior concentração de schilleriana que ocorreu aqui no Espírito Santo era num local chamado Pedra dos Ventos, região de Domingos Martins. É um vale, aliás, melhor dizendo um canyon, com morros de ambos os

C. schilleriana
lados, no meio passa o rio Jucu e está posicionado na direção do oceano Atlântico. Os ventos predominantes do mar passam através deste vale e a evaporação do rio abastece de umidade as plantas. Nestes flancos é que ela crescia em cactos, na própria pedra, em pequenos arbustos, árvores um pouco maiores, tudo era literalmente coberto de Cattleya schilleriana. Saíram caminhões e caminhões ou melhor vagões e mais vagões da Leopoldina para o sul do Brasil, para o Rio e São Paulo e se perdiam todos. O pessoal não sabia cultivar e até hoje muitos não sabem, matam esta planta. Ela requer muita umidade relativa no ar, muita ventilação, tanto é que seu principal habitat é chamado Pedra do Vento, onde o vento chega a uivar.

ON: Por que? É uma planta complicada?
WZ: Cattleya schilleriana da qual as pessoas reclamam da sua cultura, não tem muita complexidade, não. Tem que saber como cultivá-la, se plantar no vaso, no xaxim, ela vai morrer. Se você pega planta e coloca em xaxim duro (xaxim pedra), numa casquinha de casca de peroba rosa (hoje peroba do campo é impossível), numa casca grossa qualquer, que não apodreça fácil, ou num tronquinho de camará, um suporte onde a raiz não penetre, que retenha a umidade e vá cedendo devagarzinho, deixa num lugar luminoso, muito arejado e forneça muito água, ela irá muito bem. Camará, é um arbusto que dá nesta região, que tem o cerne altamente resistente, dura cem, duzentos anos, sem problema nenhum e a casca é rugosa e a schilleriana se apega bem a ele
AZ: O Camará é muito abundante aqui e é fácil de conseguir. Você corta um galho e ele rebrota, não tem problema nenhum. Peroba é mais difícil arrumar.

ON: Como você resumiria o cultivo Cattleya schilleriana?
WZ: Ela cresce muito desde que não coloquemos em vaso, respeitemos a umidade requerida, forneçamos aeração e a luminosidade muito elevadas. Ela precisa de bastante água mas sem manter as raízes encharcadas pois não gosta de ficar com pés molhados por muito tempo. Se ela tiver condições adequadas, boa ventilação, raízes amplamente arejadas, muito boa luminosidade pois ela gosta de muita luz, muita umidade, ela irá bem.

ON: Mas tem planta de Cattleya schilleriana que não se desenvolve de jeito nenhum.
WZ: Este é um problema de planta que levou um baque, alguma coisa aconteceu que ela não gostou e leva tempo para se recuperar. Eu tenho uma schilleriana coerulea que foi o Rolf que me deu. Foi uma das que levei lá para cima e ela sofreu um baque. Eu trouxe de volta tem um ano e meio, ela não sai do tamanho que estava, mas um dia ela vai sair.

ON: Você acha que ela está extinta na natureza?
WZ: Ela está extinta aqui no Espírito Santo mas foi achado um pouco na Bahia. É uma área muito pequena, pode-se dizer está em vias de extinção.

ON: E o no gênero Promenaea, tem uma ocorrência boa Espírito Santo?
AZ: Tem Promenaea xanthina e Promenaea stapelioides. Promenaea stapelioides tem uma variação grande de colorido.
WZ: Ela ocorre a 600, 800m.

ON: E a Stenia pallida que apareceu na Bahia, vocês chegaram a conhecer?

AZ: Nós temos uma mudinha dela, mas eu acho que ela é um pouco diferente daquela da Amazônia, que tem a flor maior. O colorido e a forma se parecem, não analisei em detalhe, mas parecem ser plantas diferentes.


Cattleya elongata
ON: Falando na Bahia, você visitou e ainda visita muito os habitats daquele estado?
WZ: Eu gostava e gosto de visitar habitats até hoje mas não só da Bahia. Lá, nós conhecemos muito bem o habitat da Laelia sincorana, na Chapada Diamantina. A Serra do Sincorá é um lugar muito bonito, já fomos lá umas oito vezes. Conhecemos também o habitat da Cattleya elongata que é muito bonito na época da floração.

Cattleya elongata





Habitats de Cattleya elongata


Já fomos ver lá a floração de schofieldiana. Já fomos também ao habitat da Cattleya nobilior amaliae, em Tocantins, uma floração espetacular, também é muito bonito. Mas nós também aqui andamos muito no Espírito Santo.

AW: Teve um ano que nós andamos mais de 1.200km só aqui dentro do estado. Aqui no Espírito Santo tem um habitat de Cattleya guttata que é espetacular tanto pela quantidade de planta quanto pelo tamanho dele mesmo.

ON: Todo ano, vocês viajam?
AZ: Não, depende, ultimamente com o trabalho nos orquidários, nós diminuímos as viagens.



Laelia briegeri
ON: Acompanhando seu pai desde pequeno, você deve ter também um bom conhecimento de habitats.
AW: Fizemos muitas viagens juntas. Nós conhecemos os habitats mais bonitos como a Chapada de Diamantina, na Bahia, a região de Diamantina, em Minas Gerais. Em Minas, nós andamos mais do que na Bahia.
WZ: Muito mais. Praticamente, conhecemos todos aqueles habitats das rupícolas, são espetaculares. Nós já vimos floração no habitat de Laelia milleri, Laelia angerer, as mais difíceis, como a Laelia flava em São Tomé. A floração da Laelia briegeri no habitat é uma coisa.
ON: Alek, qual é o tipo de habitat de sua preferência?
AZ: Cada habitat têm a sua particularidade. A mata é bacana, mas você fica restrito, é mais difícil. Tem floração exuberante, mas as plantas estão no alto das árvores. Gosto mais de lugar de pedra onde se tem uma visão ampla. Numa montanha alta de pedra, você tem uma vista linda e ver aquelas plantinhas nascendo nas pedras, é lindo. Diamantina, por exemplo, é uma região fácil de andar, tem muita planta. Então, para mim, são os lugares mais bonitos, mais interessantes.

Serra do Espinhaço-MG
Habitat da Laelia briegeri, perto da cidade de Diamantina


ON: E estas rupícolas novas, vocês já foram nos habitats?

AZ: Já andamos pelos habitats destas espécies novas, Laelia kleberi, mirandae (Hoffmannseggella mirandae), colnagoi (Hoffmannseggella colnagoi).
ZW: Já vimos estas plantas floridas no habitat.



(Habitat da Laelia kleberii, recentemente descoberta. Fica na Serra do Espinhaço. A cor predominante é o amarelo claro, mas as plantas tem uma grande variação de cor.)


habitat de L. colnagoi
ON: E o habitat da Laelia colnagoi?
WZ: A subida não é longa mas é muito íngreme. Exige preparo e sangue frio, só sendo possível devido as bromélias que servem de suporte para se agarrar durante a subida.

L. colnagoi
AW: Já estamos reproduzindo estas plantas, estamos com sementeira. Hoje, estamos diversificando mais em termos de produção de espécie, para dar acesso ao pessoal.

ON: E a Laelia mirandae (Hoffmannseggella mirandae)?
Laelia mirandae
Laelia crispata
L. x britoi (híbrido natural de L.crispata x L. mirandae

   
Habitat da Laelia mirandae - Serra do Espinhaço na região mais ao norte.

AZ: Esta Laelia se parece muito com a Laelia angererii. A região é mais seca e nela ocorre tambem a Laelia crispata (Laelia rupestris). Não é difícil encontrar híbrido natural entre as duas, que foi recentemente descrito como Laelia x britoi.   (L.xbritoi - Hibr natural de L. crispata x L mirandae)
As cores destes híbridos variam bastante do rosa ao laranja, passando pelo vermelho.

ON: Reproduzindo vocês estão contribuindo para a preservação das espécies pois elas estão acabando nos habitats.
WZ: A Laelia milleri está acabando, porque dá justamente no topo das montanhas, ligada a minério de ferro. As mineradoras passam o trator para tirar aquela camada de minério pobre (canga) onde têm as milleri para atingir as camadas de hematita. Em Itabira, onde existia milleri, quando eu comecei a visitar, era uma montanha, hoje é um buraco. Naquela região, não existe mais, acabou.


continua


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