Este habitat está localizado no vale do Rio Araquá, entre as cidades de São Manuel e Botucatu, no estado de São Paulo.
A temperatura no inverno é relativamente fria, podendo chegar a menos de 5º C.
Tem uma época bem definida de estiagem e a temperatura no verão, que é chuvoso, alcança os 31º C.
O terreno fica totalmente alagadiço e, gradativamente, vai se drenando conforme as chuvas diminuem, mas jamais se torna seco. Em determinadas épocas do ano, há uma brusca mudança de temperatura do dia para noite.
Resumindo: uma descrição típica de clima temperado.
Quanto à altitude, não sei precisar, mas está bem abaixo de onde se encontra a cidade de São Manuel, que está em torno dos 800m em sua altitude máxima.
O vale se encontra entre colinas e pequenas montanhas que vão diminuindo conforme o rio corre ao encontro da represa de Barra Bonita.
Como se pode ver, existe grande concentração de Microlelia lundii e Cattleya loddigesii habitando quase em pleno sol, porem o híbrido é raríssimo de se encontrar e, um outro detalhe, neste habitat em especial, não se encontra mais nenhuma espécie de orquidácea.
Existem vários outros no vale com estas duas espécies, porém diversas outras também são encontradas com muita abundância, como Rodriguezia decora, Oncidium pumilum, espécies de Notylia, várias espécies de Epidendrum como latilabre, floribundum (=densiflorum), rigidum e também muitas espécies de Pleurothallis, entre outras.
Outro detalhe interessante é que muitas das arvores cheias de plantas estão mortas, algumas apodrecem e caem em meio da água e da vegetação.
E, por último, o detalhe mais triste, este habitat, infelizmente, aparentemente já foi visitado, pois nele há marcas evidentes de extração predatória, a área é muito grande e acredito ser difícil uma fiscalização eficaz, porém acho correta a denúncia.



I - Laelia crispilabia A.RICH e II - L. lundi REICHB. & WARM
Iconografia das orchidaceas brasileiras
Tab. nº 142




Microlaelia lundii (Rchb.f) Chiron & V. P. Castro

Tem ocorrência registrada para o Distrito Federal e para os estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul,
Foto/Photo:Sergio Araujo. Rights Reserved-Direitos Reservados
Paraná e São Paulo.
Embora esta espécie não seja muito comum para o estado do Minas Gerais, foi descrita a partir de uma planta coletada naquele estado (Otia Botanica Hamburgensia 2: 92), como Bletia lundii Rchb. f. & Warm. em 1881. No entanto, logo depois, aparentemente na mesma publicação, Reichenbach f. a descreveu novamente como Laelia. Ainda em l881, Barbosa Rodrigues descreveu a mesma espécie como Laelia regnellii
e a publicou em Genera et Species Orchidearum Novarum 2: 154.
Em l892, outra descrição foi feita sob o nome de Laelia reichenbachiana H. Wendl. & Kraenzl e publicada em Xenia Orchidacea 3(6): 97.
Em 2000, foi proposta a transferência para o gênero Sophronitis como Sophronitis lundii (Rchb. f. & Warm.) C. Van den Berg & M.W. Chase, Lindleyana 15(2):117.
Em 2002, foi proposto, por Chiron & V. P. Castro, o estabelecimento do gênero Microlaelia para abrigar apenas esta espécie [Microlaelia lundi (Rchb.f) Chiron & V. P. Castro], com publicação em Richardiana. II(1).24, emprestando o nome da seção Microlaelia, de acordo com a classificação do gênero Laelia, adotado por Pabst & Dungs em sua obra Orchidaceae Brasilienses, vol I, 1975.
Este espécie cresce em pequenas árvores em afloramentos rochosos ou diretamente na pedra, em lugares sombreados de matas ciliares.
Floresce no inverno, em hastes pequenas carregando de 1 a 3 flores que não ultrapassam 4cm de invergadura.
Cultivo indicado para clima mais ameno, local bem ventilado, umidade ambiental elevado e, aparentemente, necessita de mais luminosidade do que em seu habitat.
Em São Paulo, ocorre o híbrido natural resultado do cruzamento com Cattleya loddigesii Lindl.conhecido como Lc x fredna e descrita com o nome L cattleyioides Rich. e transferida para Microcattleya por V.P.Castro & Chiron [Microcattleya cattleyioides (Rich.) V.P.Castro & Chiron]
Foto/Photo:Sergio Araujo. Rights Reserved-Direitos Reservados

Histórico de ocorrências:
No Brasil, Microlaelia lundii (Rchb.f) Chiron & V. P. Castro tem ocorrência registrada para o Distrito Federal e para os estados de Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná São Paulo e na Argentina, para Missiones.
- Para os estados de DF, GO, MG e MT
Dungs & Pabst. Orchidaceae Brasilienses, 146;
- Ocorrência nos estados do Paraná e São Paulo podendo ir até o sul de Minas Gerais (não citando Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal).
Francisco Miranda - Orquidário Vol 2(3) 46.51.1988;
- Confirmação de ocorrência para o estado do Paraná
Eduardo Ferrarezi e Ricardo Faria, Orquidário 16(2):36.38.2002
- Missiones - Argentina por Correa, M. N., et al (http://mobot.mobot.org/cgi-bin/search_vast)
- Laelia lundii var. alba descrita por Lou Menezes a partir de planta encontrada por Antonio Schmidt, em Assis, SP.
Sinônimos:
Laelia regnellii Barb. Rodr.
Laelia reichenbachiana H. Wendl. & Kraenzl
Sophronitis lundii (Rchb. f. & Warm.) C. Van den Berg & M.W. Chase
Laelia lundii Rchb. f.

Bibliografia:
- The illustrated Encyclopedia of Orchids - Edited by Alec Pridgeon;
- Orchidaceae Brasilienses - Dungs & Pabst.
- Francisco Miranda - Orquidário Vol 2(3) 46.51.1988
- Missouri Botanical Garden - http://mobot.mobot.org
- Orchids of Brazil - Jim & Barbara McQueen


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Cattleya loddigesii Lindl.


Esta espécie ocorre nos estados da Bahia, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro mas sobretudo em Minas Gerais e São Paulo, em encostas de montanhas cobertas pela Mata Atlântica, em áreas alagadiças e beira do rio, em locais de bastante nevoeiro e com temperatura mais amena, situados entre 500 e 900/1000m de altitude. Em geral, protegida da luminosidade excessiva e com umidade ambiental elevada durante os meses mais quentes e um inverno mais seco. No entanto, pode ocorrer também em cumieiras, nos troncos de árvores recebendo bastante luminosidade.
Seu período de florescimento vai do outono até a primavera

com flores de até 9cm de diâmetro que, em plantas de qualidade excepcional, podem chegar a 12cm.
É uma espécie bem próxima da Cattleya harrisoniana Batem. ex Lindl.
Forma diversos híbridos naturais interespecificos, intergenéricos e, inclusive, de segunda geração:
Híbridos naturais interespecíficos
x dolosa Rchb. f. - MG. (C. loddigesii Lindl. x C. walkeriana Gardn.)
x hybrida Veitch - RJ x veitch - RJ (C. guttata Lindl. x C. loddigesii Lindl.)
x o'brieniana Rolfe - MG (C. loddigesii Lindl. x C. dolosa Rchb. f.)
x schroederaana Rchb. f. (ou schroederiana Rchb. f.) - MG (C. bicolor Lindl. x C. x dolosa Rchb. f.)
x sororia Rchb. f. - sine loco, (C. bicolor Lindl. x C. loddigesii Lindl.) (Sinônimo: C. x sanchesiana)
x valentine - ES (C. loddigesii Lindl. x C. warneri Moore)

Hìbridos naturais intergenéricos - Laeliocattleya
x amoena Hort. - RJ (x L. perrinii Lindl.)
x fredna (?) - SP (L. lundiiRchb. f.) [Microlaelia lundi (Rchb.f) Chiron & V. P. Castro]
x lambari Pabst - MG [L. crispata (Thunb.) Miranda]
x leeana Rolfe - [L. pumila (Hook.) Rchb. f.]

Registros e ocorrência do híbrido Laeliocattleya x fredna ou Microcattleya cattleyioides (Rich.) V P Castro & Chiron
Laeliocattleya x fredna (?) (Laelia lundii Rchb. f. X Cattleya loddigesii Lindl.)
- Citação para SP sob nº 916
Pabst & Dungs. Orchidaceae Brasilienses. 147.
- Não foi considerada no trabalho do Cassio Van den Berg & M. W. Chase
- Microcattleya cattleyioides (Rich.) V P Castro & Chiron in Richardiana
Richardiana. II(1).26.2002

Sinônimos
Epidendrum violaceum Lodd.
Cattleya arembergii Scheidw.


Histórico de ocorrências:
- Para os estados de ES, RJ, SP, PR, MG
Dungs & Pabst. Orchidaceae Brasilienses, 144;

Hibridação artificial

Cattleya loddigesii foi utilizada mais de 5.500 cruzamentos em 11 gerações, na formação de híbridos interespecíficos, Brassocattleya, Brassolaeliocattleya, Cattleytonia, Epicattleya, EpycLaeliocattleya, Sophrocattleya, Sophrolaeliocattleya; Schombocattleya (e/ou Myrmecocattleya) e Cattlychea (Prosthechea).
Em cultivo
Mais fácil de cultivar em locais de temperatura mais amena mas pode ser cultivada em locais mais quentes sobretudo se as noites foram bem frescas ou frias.
Deve ser protegida da luminosidade excessiva, tem necessidade de muita umidade atmosférica durante os meses mais quentes quando deve ser regada com freqüência. O inverno deve ser mais seco, reduza, portanto a rega mas tome muito cuidado com os pseudobulbos tipo cana pois quando enrugam por falta de água, dificilmente retomam seu estado normal. Fertilize com adubo orgânico no início de cada estação, com exceção do inverno ou use um adubo inorgânico com fórmula nitrogenada durante o período de crescimento do novo broto e uma fórmula fosfatada na fase adulta. Ou ainda, se preferir, use quinzenalmente, um adubo um adubo balanceado.
Aprimoramento
Planta muito apreciada, a Cattleya loddigesii é uma das espécies brasileiras mais aprimoradas e vem passando por sucessivos melhoramentos genéticos no sentido de se obter flores cada vez mais redondas, sem intervalo entre seus segmentos além de aumentar o leque de cores. Em entrevista à Orchid News (a ser publicada no próximo número), Álvaro Pessoa conta um pouco da história do aprimoramento desta espécie. Inicialmente, Adhemar Mannarini selecionou clones especiais e colocou no mercado, na década de 80, um número bastante expressivo de variedades obtidas em laboratório trabalhando sobre estriatas, puntatas, puntatíssimas, escuras. Outras cultivadores trabalharam com a espécie, como Harusi Iwasita que obteve plantas albas de altíssimo padrão. Sebastião Nagase fez excelentes trabalho obtendo cores vivas a partir de espécimes escuras, além de Nagkashima e Aldomar Sander (este último no sul). No Rio, Siegweald Odebrecht trabalhou com planta de cores claras a partir do clone‘Martinelli'. O próprio Álvaro Pessoa também participou deste grupo trabalhando a partir de plantas obtidas por Mannarini cujos nomes do cultivar remetem às cidades espanholas.
Assim hoje em dia, encontra-se uma grande variedade de cores, que vai do do rosa claro até o rosa escuro, punctata, punctatissima e a variedade alba, muito apreciada.


Foto/Photo:Sergio Araujo. Rights Reserved-Direitos Reservados
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Fotos dos habitats: Fernando Gallerani
Fotos das orquídeas: Sergio Araujo

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