Algumas considerações sobre Cattleya unifoliada venezuelana

por Jan Pahl, Gerardo Castiglione e Rafael Vaamonde








Introdução

Venezuela é um país bem representado no que diz respeito ao gênero Cattleya, subgênero Cattleya, um grupo de orquídeas que nós, freqüentemente, chamamos Cattleya unifoliadas. Venezuela tem 6 das 20-21 espécies reconhecidas, 5 endêmicas e 1 quase completamente endêmica. Somente a Colômbia ultrapassa a Venezuela em termos de número de espécie dentro deste subgênero.
Evidência genética nos mostra que Cattleyas (unifoliadas e bifoliadas) e Brassavolas são, realmente, grupos estreitamente relacionados e que a Cattleya derivou bem recentemente de uma espécie semelhante à Brassavola que teve a sorte de cruzar o pré-histórico hiato oceânico existente entre a América Central e do Sul, encontrando novos nichos ecológicos evoluindo para um tipo de Proto-Cattleya, que seria o ancestral comum dos dois grupos de Cattleya que temos hoje.

Como dissemos, ambos os grupos de Cattleya recentemente evoluídos de um ancestral comum e as espécies de cada grupo são ainda mais recente na história, assim, conseqüentemente, as atuais espécies unifoliadas se originaram das arcaicas populações remanescentes de unifoliadas advindas de anteriores disseminações que ocorreram durante as mudanças climáticas globais nas precedentes eras glaciais, no Pleistoceno posterior.
Colonização com isolamentos posteriores estão ocorrendo ainda hoje e isto é evidente entre duas grandes populações descontínuas de Cattleya dowiana da Colombia/sul do Panamá (Cattleya dowiana ssp aurea), e Costa Rica/norte do-Panama (Cattleya dowiana ssp dowiana), ou entre as duas populações isoladas de Cattleya labiata no Brasil. Estas disseminações bastante recentes com o isolamento ecológico e geográfico posterior são responsáveis pela riqueza de espécies que vemos hoje nas populações de unifoliadas encontradas na natureza mesmo fora de seu berço original do norte andino.
Considerando estes fatos, não é de se estranhar que as grandes unifoliadas compartilhem mais similaridades do que diferenças, geneticamente e anatomicamente falando, no entanto, não há necessidade de se ter evidentes diferenças estáveis para admitir que a especiação realmente ocorreu, evidentes diferenças estáveis são um luxo que somente antigos e bem estabelecidos gêneros ou subgêneros possuem.

Unifoliadas venezuelanas, como a maior parte de suas irmãs, preferem vegetar em cadeias de montanhas desde as encostas de baixa altitude até 2000 m acima do nível do mar onde ficam expostas aos elementos naturais. Nós podemos encontrar espécie adaptada a quase cada uma das circunstâncias mencionadas, vegetando em quase cada cadeia de montanhas da região andina até a costa e da costa até a cadeia de Turimiquire de lá até as terras altas do platô da Guiana. Apenas a cordilheira de Perijá, localizada na fronteira oeste com a Colômbia, não tem a sua própria espécie, um mistério insondável considerando que Perijá apresenta quase todas as condições preferidas por este sub-gênero.



Cattleya lueddemanniana Rchb. f. 1854


C. lueddemanniana ´María Gabiela´ x ´Maruja´

Cattleya lueddemanniana
é uma das unifoliadas mais fáceis de ser reconhecida entre as outras espécies assim como de possíveis híbridos primários. É também uma das Cattleya de melhor forma na Venezuela. A coluna é coberta pelo labelo de uma maneira notável formando os perceptíveis lobos laterais onde manchas (olhos) amarelas estão localizados de cada lado, com algumas poucas exceções encontradas em raras 'cegatas'. O labelo é normalmente espalmado e arredondado com bordas claramente franjadas. Com exceção das albas, elas possuem pigmentações ametista-púrpuras que ocorrem sem interrupção da parte interna da garganta, atingindo a parte frontal do labelo. Elas também possuem uma coluna floral particular com antera bicornuta bem desenvolvida que é fácil de ser notada, especialmente quando comparada com antera tipo 'gancho' das outras unifoliadas. Muitas candidatas a possíveis híbridos naturais as desenvolveram parcialmente, com algumas poucas exceções.
Cattleya lueddemanniana vegeta em dois diferentes tipos de habitat. O primeiro está localizado em florestas semi-xerófitas, decíduas e semi-decíduas florestas de terras baixas do Caribe, faceando as encostas das serras da "Cordillera de la Costa". Está localizada na parte mais ao norte da cordilheira, em uma faixa limitada de altitude que começa a 50/100 m acima do nível do mar e chega a 500 m (talvez mais em outros lugares) onde a interação das serras com a proximidade do mar fornece alguma umidade mesmo na estação seca. Na parte oeste da "Cordillera de la Costa", a espécie se dirige para o interior das florestas de terras baixas da depressão Yaracuy e, no final desta depressão, a espécie atinge o segundo tipo de habitat, o sopé das montanhas de "Los Andes", em uma área limitada pela depressão Carora (oeste), valle Mirimire (norte) e a cadeia do Andes (sul). Neste lugar, C. lueddemanniana está presente em altitudes mais elevadas, entre 400 e 700 m acima do nível do mar, em florestas xerófitas abertas, semi-xerófitas e decíduas, criadas pela sombra orográfica da cadeia dos Andes, num tipo de floresta composta principalmente por árvores pequenas, arbustos espinhosos e cactos colunares.
Uma vez que vegeta em dois diferentes tipos de habitat, esta espécie tem duas populações distintas com adaptações particulares para enfrentar as diferentes necessidades ecológicas, e, por estas razões, a espécie forma dois diferentes biótipos com a uma população de transição localizada na depressão Yaracuy. Este população de transição tem características intermediárias e forma uma variação clinal natural entre ambas populações contínuas. Uma vez que esta transição de biótipo está localizada numa grande e representativa área (Yaracuy central e ordeste do estado de Carabobo), a continuidade entre as populações garante um fluxo genético. Alguns colecionadores e cultivadores não consideram a população distinta como sub-espécies claramente separadas.
O biótipo da costa forma grandes colônias em árvores de pequeno e médio porte, de alguma maneira, tem as folhas mais coriáceas do que a Cattleya tipo, devido ao fato que as colônias de lueddemanniana permanecem, ao menos parcialmente, desprotegidas do sol direto quando as árvores perdem suas folhas desde os meses mais frios da estação seca. As plantas ficam bem protegidas na estação chuvosa mais quente quando as árvores estão com folhas.
Em geral, a Cattleya lueddemanniana da costa tem flores maiores que podem atingir 16-18 cm ou mais nos cultivares excepcionais, quase todas possuem um colorido suave (suaves e suavíssimas). Elas também possuem um labelo geralmente bem franjado com manchas (olhos) amarelo-claras, bem mais suaves do que o verdadeiro amarelo. A mancha frontal do labelo é, via de regra, pontilhada, muitas delas por centenas de pontos ametista-púrpura ou tem pequenas manchas circundadas pelas margens também pontilhadas. Algumas plantas são conhecidas por terem pétalas e sépalas de cor clara, algumas flameadas (aquinii), com a mancha do labelo completamente sólida e aveludada em direção à garganta, com as manchas oculares de amarelo intenso, algumas vezes disfarçada pela mancha púrpura sólida. Estes clones são conhecidos como “labelo sólido”. Além disto, é corrente que quase todas as albas, semi-alvas e todas as caeruleas vêm deste região. Via de regra, as melhores formas de lueddemannianas vêm deste biótipo, ainda hoje, algumas plantas coletadas poderiam atingir os padrões de uma exposição.

Cattleya lueddemanniana
´Oscura´
O biótipo xerófito é mais tolerante a longa estação de seca, mais calor e menos umidade do que a Cattleya lueddemanniana da costa. Forma grandes colônias em árvores de pequeno e médio porte e arbustos espinhos, mesmo quando exposto ao sol nos cactos colunares. Na Venezuela, este biótipo é conhecido como biótipo “Larense” porque a principal população ocorre no estado de Lara.
O biótipo xerófito tem folhas ainda mais coriáceas do que o biótipo da costa, mais manchas, especialmente os novos brotos e, para enfrentar as condições mais secas e quentes, no aspecto vegetativo geral da planta, as adaptações especiais tendem a ser mais perceptíveis. Geralmente, as plantas da C. lueddemanniana xerófita têm flores médias ou pequenas (11 to 16 cm). Este biótipo tem pétalas estreitas e "ombros" eretos, fazendo do biótipo da costa, em termos de forma e tamanho, muito melhor do que o biótipo xerófito. Mas este biótipo é apreciado por outras qualidades em termos de colorido. O biótipo xerófito tem as flores de colorido mais intenso (róseas, púrpuras e rubras), isto quer dizer que as lueddemannianas xerófitas têm um desejável estoque genético que carrega as cores mais intensas das Cattleyas unifoliadas. O labelo deste biótipo tende a ser notoriamente menor e não tão bem formado, normalmente a mancha ametista-púrpura no labelo não é sólida mas densamente estriada ou com veios e muito escura. Cores muito intensas, quase iridescentes, e as manchas oculares amarelas têm tendência ser amarelo-brilhantes (amarelo canário).
A estação de floração começa em novembro e termina em março, com pico de floração em fevereiro que pode variar de uma maneira ou de outra, em cultivo devido aos fatores culturais e climáticas, como a falta de um período de repouso ou condições de mais frio. Dado isto, C. lueddemanniana pode florir uma segunda vez no ano, normalmente entre agosto e setembro. Na natureza, ficam em repouso por muitos meses, mas em cultivo não tem necessidade de um período de repouso muito definido. As flores se desenvolvem de uma espata simples, raramente sem ou abrindo de velhas espatas secas. Excepcionalmente, alguns cultivares podem produzir 5 flores.
È difícil falar sobre a aparência que C. lueddemanniana deveria ter em cultivo, só podemos dizer que o objetivo desejado por diversos cultivadores comerciais, é ter sucesso na melhor combinação de cada grande biótipo, em outras palavras, deveria ter a aparência exatamente igual a uma flor valiosa da zona de transição, com forma, tamanho e padrão de labelo igual à lueddemanniana da costa e o colorido intenso brilhante e denso da C. lueddemanniana xerófita.
Alguns clones de destaque:
- tipo da costa: ´Maruja´, ´Haydé´, ´Calex´;
- labelo sólido: ´Tibisay´, ´Francis´, ´Centellas´;
- tipo xerófito: ´Yamilé´, ´Cecilia´, ´Morella´,
- alba: ´Morocha´, ´Candia´,
- semi-alba: ´Mamacita´, ´Isabel Nataly´, ´Stanley´s´, ´Orquilara´;
- caerulea: ´Mariauxi´, ´Siquisique´, ´Francisco´, ´Amparo´.


Cattleya lueddemanniana ´Maruja´

Cattleya lueddemanniana ´Centellas´


Cattleya lueddemanniana alba
´Candelaria´ x (´Morocha´x ´Paola´)

Cattleya lueddemanniana semi-alba
´Isabel Nataly´

Cattleya lueddemanniana caerulea ´Mariauxi´



Cattleya mossiae Hooker. 1838


Cattleya mossiae ´Carlo Aulisi´ x self
C. mossiae é uma espécie estupenda fácil de ser reconhecida. Duas características fazem com que esta espécie seja única: Labelo largo, crispado e com venações e pétalas largas que têm tendência a cair. Estas características podem estar presentes de alguma maneira nas plantas da natureza assim como em plantas cultivadas. A despeito do forma da flor (que não é a melhor entres as cattleyas venezuelanas), a C. mossiae foi declarada em 1951 como a flor nacional da Venezuela. As razões que prevaleceram para selecionar a C. mossiae em detrimento das outras espécies venezuelanas foram: este espécie vive próxima às áreas mais populosas da Venezuela; seu pico de floração ocorre durante os feriados da Páscoa e o dia das mães, produz muitas flores e duram quase 4 semanas.
C. mossiae é endêmica para a Venezuela. Cresce em grande área ao longo da cadeia de montanhas chamada "Cordillera de la Costa", assim como nas encostas do nordeste e do sudeste.
Pode também ser encontrada na face sul das encostas dos Andes venezuelanos. Prefere vegetar em florestas semi-decíduas ou matas pluviais, de 800 a 1500 metros acima do nível do mar. A "Cordillera de la Costa" é uma cadeia de montanhas que se estende desde a parte nordeste do estado de Miranda (perto de Caracas) até a parte oeste do estado de Yaracuy. C. mossiae aparece novamente nos estados fronteiriços de Lara e Portuguesa e ainda se estende ao longo da Cordilheira dos Andes até o estado de Táchira State, perto da fronteira colombiana, onde a depressão Táchira estabelece uma barreira natural.
C. mossiae
vegeta especialmente em árvores grandes e abertas tipo Bucares (Erythrina sp), Ingas e Ceibas. Prefere crescer nos galhos mais altos, formando grandes colônias e protegidas do sol direto. É possível também encontrá-la crescendo na rocha onde a vegetação vizinha a protege do sol direto. C. mossiae cresce, em geral, perto dos rios e riachos que a provêm com a umidade necessária para a sobrevivência durante a estação de seca.

Cattleya mossiae caerulea ´San Luis´
Isto quer dizer que a C. mossiae prefere as condições temperadas que predominam nas montanhas.
A despeito da ampla distribuição, C. mossiae não possuem ecotipos, biótipos ou sub-espécies bem diferenciados. Apenas diferenças sutis podem ser encontradas entre as plantas do complexo mossiae. Uma destas diferenças é a estação de floração entre as populações dos Andes e as da costa. As plantas do Andes começam a florir no princípio de fevereiro com pico em março e terminam sua floração em meados de maio. Plantas da costa começam a florir no final de abril com pico em maio e terminam no princípio de julho. As flores da C. mossiae têm uma ampla gama de cores e maneira com as cores se misturam no labelo são incontáveis. As variações de cor podem mascarar diferenças entre as populações andinas e as da costa ou até mesmo das populações matas pluviais semi-decíduas.
Depois da estação de floração, a planta forma novos brotos que completam seu desenvolvimento no princípio de agosto. A partir daí, fica em repouso de 4 a 8 meses. Em muitos casos, o período de repousa acaba e um segundo broto nasce do anterior. Normalmente, isto ocorre em novembro e dezembro. De janeiro a maio, pseudobulbos do ano anterior formam os botões em espata simples que pode ser seca ou verde. Este primeiro broto, normalmente, floresce de espata seca e o segundo de espata verde. Na média, ambos vão florir ao mesmo tempo, mas também é possível que floresçam em datas diferentes, num prazo menor do que 3 meses.
Uma só haste pode carregar de 2 a 7 flores. Normalmente, as flores medem mais de 16cm de diâmetro. Alguns cultivares podem atingir 20cm facilmente. Eis porque grandes plantas de C. mossiae são uma surpreendente visão na natureza ou em cultivo.
Cattleya mossiae ´Chispa´
A gama de cores das flores da C. mossiae normalmente é limitada aos suaves (róseas, suaves e suavíssimas). Flores de cores escura nos tons purpúreos ou rubras nunca foram coletadas. O padrão comercial do colorido do labelo C mossiae é: vermelhos, ocres e tons intensos de amarelo-canário que intensificam as outras cores do labelo. A mancha púrpura do labelo pode ser sólida, estriada, variegada ou venosa (estriata, variegada e venosa) exceto na forma alba onde só amarelo está presente. Existe também alba, semi-alba, concolor e variedades coeruleas.
Alguns clones mais conhecidos são:
Cor: ´Natalia´, ´J.H. Patterson´, ´Canoabo´,
Sem-ialba: ´Aurora´, ´Blanca´, ´Featherston´, ´Julieta´,
Alba: ´Barroeta´, ´Crusizio´,

caerulea: ´Macayra´, ´Ayala´, ´María T.´, ´Lizette´.
C. mossiae raramente cruza com C. percivaliana nas montanhas andinas, formando o híbrido natural conhecido como Catteya xperegrine. O híbrido natural não apresenta os melhores aspectos visuais de seus progenitores e, por razão, raramente levado em consideração, assim pouca coisa se sabe a respeito dele. A C xperegrine ocorre em mata pluvial no estado de Trujillo e na fronteira de Lara-Trujillo, onde ambos os pais se sobrepõem.

Cattleya mossiae semialba ´Patrizia´
Em alguns lugares dos estados de Lara e Yaracuy, populações naturais de C. mossiae e C. lueddemanniana se sobrepõem formando o híbrido natural C. xgravesiana. Este híbrido natural parece ser mais comum na natureza do que C. xperegrine. Não há grandes introgressões como aquelas encontradas entre espécies como Guarianthe skinneri e G. aurantiaca (Guarianthe xguatemalensis). Apenas pequenas populações introgressivas entre C. mossiae e C. lueddemanniana foram encontradas em poucos lugares. Além do mais, existem algumas plantas em cultivo coletadas de C. lueddemanniana ou C. mossiae que são exemplos de erros de identificação, por exemplo, C. lueddemanniana s/a “Caracas” é uma verdadeira C. xgravesiana coletada na natureza.
Grandes populações de C. mossiae ainda existem na natureza, especialmente em algumas partes das montanhas andinas. Mas o desmatamento e a coleta predatória desta espécie, mesmo em áreas de proteção, a colocam em grande risco de extinção. Em algumas décadas,
Cattleya mossiae poderá ser tornar escassa assim C. lueddemanniana e C. gaskelliana são hoje em dia.
C. mossiae alba 'Barroeta'
C. mossiae semi-alba aquinada 'Llamarada'.
C. mossiae semi-alba Featherston x self



Cattleya percivaliana O´Brien. 1883

Cattleya percivaliana é uma encantadora espécie endêmica para os Andes venezuelanos localizados no estado de Trujillo. Diferente de outras Cattleyas labiata, C. percivaliana prefere crescer nas encostas rochas ou pequenas árvores a 1400 - 2000 m. Neblina matinal e, especialmente, os riachos próximos dos rochedos provêem a umidade necessária para crescer exposta à luz do sol e fortes ventos.
C. percivaliana
freqüentemente cresce associada a outros tipos de vegetações (samambaia, musgo, liquens, gramas, arbustos), assim não sofre nunca de desidratação.
C. percivaliana
é também adaptada ao crescimento em matas pluviais, muitas colônias saudáveis ocorrem neste tipo de habitat.

C. percivaliana não é distribuída por uma área muito grande, se considerarmos a orografia dos Andes, a média de altitude é mais elevada do que a máxima tolerada por esta espécie, assim a continuidade populacional não é possível e a espécie fica isolada na parte mais ao norte dos venezuelanos, próxima à depressão Carora.
Cattleya percivaliana ´Morena´
Alguns autores consideram que C. percivaliana cresce na face sul das montanhas dos Andes venezuelanos, localizados nos estados de Mérida e Táchira, mas isto não é verdade. Nestas montanhas, só ocorre a C. mossiae. Existem alguns relatos que sustentam que C. percivaliana também cresce na fronteira do norte do estado de Santander, Colômbia, mas visto que há um vínculo natural entre a população andina da Venezuela e da Colômbia, não é difícil ver C. mendelii e C. percivaliana nos dois lados da fronteira.
C. percivaliana é a menor das grandes unifoliadas, apenas em termos de tamanho da flor. Flores em plantas na natureza, em geral, medem de 11a 12 cm. Existe uma variedade conhecida como grandiflora (percivaliana de tamanho grande), não comum que se tornou o padrão de plantas cultivadas. Flores de C. percivaliana var. grandiflora pode medir de 15-18 cm. O tamanho da planta desta espécie é semelhante aos das outras Cattleyas labiatas. Normalmente, a haste carrega de 2 a 4 flores.
No fim de fevereiro, enquanto que outras cattleyas venezuelanas estão preparadas para florir, C. percivaliana acorda de um período de repouso de cinco meses. Os novos pseudobulbos estarão prontos para florir em espata verde, no final de agosto, mas em muitos casos, os botões pode ser formados em qualquer tempo de agosto a novembro. Nos Andes venezuelanos, não é raro ver plantas cultivadas florindo o ano todo. C. percivaliana só floresce uma vez por ano mas muito fatores culturais podem mudar a época normal de floração. Não tem uma segunda brotação como a C. mossiae.

Cattleya percivaliana ´Enrique Jr.´ x ´Summit´
Duas características fazem a C. percivaliana única dentro do gênero e a torna fácil de ser reconhecida quando em floração. A primeira e, talvez, a mais significativa, é o cheiro que lembra a grama recém-cortada que pode ser considerado como não agradável e também a forma da flor que muitas plantas encontradas na natureza tem e que pode ser considerada quase perfeita para o julgamento de orquídeas. As flores de boa forma são muito redondas, bem apresentadas e simétricas. Pétalas, em muitos casos se sobrepõem e têm boa substância. O labelo é pequeno, franjado e tem uma mancha púrpura sólida que pode variar de forma e tamanho. Não há evidência de venosas e estriatas nesta espécie, apenas alguns clones aquinados e variegados foram encontrados. C. percivaliana tem um labelo com uma mistura surpreende de colores que nenhuma outra Cattleya grande pode produzir.
Existe uma larga gama de variedade de sombreamento de cores presentes no labelo, entre as mais bonitas, podemos mencionar, marrom-chocolate, goiaba, laranja, maçã vermelha e ouro espanhol entre
outras. O tipo tem a cor púrpura que pode variar de médio até muito escuro (clones variegados); clones alba, albescens, semi-alba e caerulea são também conhecidos mas há as formas 'concolor verdadeira' e 'delicata'.
Alguns clones famosos são:
- tipo: ´Summit´, ´Karen´, ´Primavera´, ´Albert´s´,
- sem-ialba: ´Carache´, ´Sonia de Urbano´,
- alba: ´Oro Cochano´, ´La Puerta´, ´Quintero´,
- caerulea: ´Ondine´.
Gostaríamos de assinalar que plantas semi-alba conhecidas como ¨Farah Diba´, ´Jewel´ e ´Carache´ originam-se de uma única planta de propriedade do senhor Rafaelito Cañizales que vive em Carache, uma pequena cidade no estado de Trujillo, na Venezuela.
C. percivaliana ('Sonia' x self)
Cattleya percivaliana semi-alba ´Sucre´ x ´Sonia´


Cattleya gaskelliana Rchb. f. 1883


Cattleya gaskelliana caerulea ´Divina´
A Cattleya venezuelana com menor área de dispersão é a Cattleya gaskelliana. Ela só ocorre numa pequena área ao nordeste da Venezuela, chamado Turimiquire. Esta pequena montanha está localizada na confluência de três estados vizinhos (Monagas, Sucre e Anzoátegui). Como a C. mossiae, C. gaskelliana cresce melhor em altitude situada na faixa de 800 a 1500 m acima do nível do mar. Cresce em florestas temperadas semi-decíduas ou sempre verdes em árvores de grande porte. No morro de Turimiquire, chuva e neblina matinal está presente o ano todo.
Grandes populações de gaskeliana ocorrem nas florestas enevoadas na fronteira dos estados Monagas e Sucre. Outra população prospera na fronteira nordeste do estado de Anzoátegui, em uma pequena área chamada de Nuevo Mundo. Nuevo Mundo tem floresta semi-decídua, onde a C. gaskelliana pode ser encontrada crescendo nas árvores e nas rochas, formando grandes colônias.
Alguns autores consideram que a população de C. gaskelliana originária do Nuevo Mundo é um ecotipo diferente daquelas encontradas em Monagas e Sucre State. O ecotipo do Nuevo Mundo é caracterizado por ter pseudobulbos pequenos e flores de coloridos mais escuros.
Alguns autores acreditam que esta espécie pode ser encontrada vegetando nas penínsulas de Araya e de Paria, assim como nas Ilhas Margarita e Trinidad. Entretanto, muitas excursões provaram que não existe habitats adequados nestas áreas. Alguns relatos destas áreas são, normalmente, equivocados, já que as possíveis constatações desta espécie sempre ocorreram em jardins abandonados e, em muitos casos, nem mesmo eram gaskelliana.

C. gaskelliana tem folhas eretas e largas e, normalmente, produz brotações no final de dezembro que estão prontas para florir de abril até julho, sem período de repouso. Os botões sempre se formam dentro de uma espata simples de grande tamanho. Plantas em cultivo podem florir duas vezes ao ano embora a segunda estação de floração não seja bem definida. As flores da Cattleya gaskelliana, em geral, não têm substância; não tem pétalas verticais que são, em geral, estreitas. Geralmente, tem uma coluna espessa que apresenta dois , it has a thick column which displays two lateral tops that stand out from the anther. Na média, o colorido das flores varia de suavíssimas a suaves. A mancha púrpura do labelo é bastante variável, especialmente no que diz respeito à intensidade de cor e tamanho, normalmente triangular e quase sempre misturada com o cor amarela e veios marrons alaranjados que saem do parte inferior do da garganta. A parte frontal do tubo, normalmente, apresenta tons cremes ou brancos, mas como as flores claras são normais nesta espécie, esta característica não é sempre evidente. É relativamente fácil encontrar as variedades alba, semi-alba, concolor e caerulea, por outro lado, é difícil encontrar flores de colorido escuro.

Cattleya gaskelliana semi-alba
´Calex´ AM-AOS
Clones famosos são :
- color: ´Elena´, ´Black Tiger´, ´Carmen´,
- semi-alba: ´Calex´, ´Nuria´, ´Red Flame´,
- alba: ´White Heritage´, ´Schnee´, ´Sara´,
- caerulea: ´Blue Dragon´, ´Drago´, ´Aida´, ´Mimí´.



  Cattleya jenmanii Rolfe 1906

Cattleya jenmanii foi descrita originalmente por Rolfe em 1906, Kew Bulletin, nunca mais foi vista até que G.C.K. Dunsterville a redescobriu em 1969 em meio a algumas plantas que vieram da parte sudeste do estado de Bolívar. Esta bela Cattleya divide o habitat com C. lawrenceana no platô da Guiana, Venezuela. Esta espécie pode ser encontrada crescendo próxima à divisa Venezuela-Brasil-Guiana (Platô Roraima), entre a cabeceira do rio Caura (estado de Bolívar, Venezuela) e Roraima (junto à fronteira venezuelana e guianense). Grandes populações de C. jenmanii ocorrem acompanhando a fronteira Venezuela-Guiana, entre os parelelos 5º e 6º. Este espécie é endêmica para a Venezuela, no entanto se considerarmos que o platô "Guiana" é uma área inexplorada, há uma chance de que populações desta espécie possam ser encontradas no Brasil (existem alguns poucos relatos não confirmados), ou na Guiana, sempre próxima da fronteira venezuelana. Entretanto, não há registro de que C. jenmanii cresça fora da Venezuela.
Esta espécie cresce em área temperada úmida conhecida como a 'La Gran Sabana', com alitudes que vão de 800 a 1200 metros acima do nível do mar. Nesta área, as gramas são predominantes, assim C. jenmanii cresce somente em poucas matas que sobreviveram com sucesso a despeito do Ph baixo e das condições arenosas do solo. Pode também ser encontrada exposta diretamente à luz do sol, em fendas dos rochedos chamados Tepuys (Chapadas). Por alguma razão, não há relato de populações introgressivas entre C. jenmanii e Cattleya lawrenceana, embora elas se sobreponham na natureza. Nós conhecemos duas plantas coletadas deste híbrido natural que não foi ainda registrado. Duas foram propostas: C. xgransabanensis e C. xcanaima. O formato da flor é semelhante, na média, à C. jenmanii mas com um labelo muito semelhante a uma grande C. lawrenceana.
Cattleya jenmanii ´Marie-Anne´
As folhas de C. jenmanii são eretas e estreitas, com um formato elíptico que nos lembra as folhas da Cattleya. mossiae, embora, muitas vezes, elas apresentem uma tonalidade púrpura no verso; e sempre apresentam uma só espata o que nos dá uma chave para nos ajudar a diferenciá-la da Cattleya labiata.
Cattleya jenmanii semialba ´A.M.C.´ x self
As flores têm um perfume adocicado, possuem de 12 a 17 cm de diâmetro, ereta, elegante, mas, geralmente, as pétalas e sépalas são estreitas. O padrão de colorido do labelo é muito semelhante ao da Cattleya labiata, sendo muito difícil diferenciá-las. A garganta é amarela com venações marrom-avermelhadas em direção ao topo, as bordas são delicadamente onduladas, rosa-púrpura com os característicos “olhos” brancos de cada lado. A mancha púrpura pode lineata, estriata ou completamente sólida. Como na C. gaskelliana, os botões começam a crescer dentro da espata antes que o novo pseudobulbo complete seu crescimento.
C. jenmanii tem sua principal estação de floração entre fevereiro a abril, com um segundo período entre setembro e outubro. É uma espécie relativamente nova em cultivo e apenas poucos clones de qualidade são conhecidos. TO colorido rosa-púrpura que pode variar desde os tons claros (suaves) a muito escuros (rubras); formas alba, semialba, concolor, clones delicatas e caerulea são também conhecidas.

C. jenmanii 'Rubra'
Os melhores clones conhecidos são:
- tipo: ´Rubra´, ´Gran Sabana´, ´Carlos Castro´;
- semialba: ´Armando Mantellini´.


C. jenmanii ('Carlos Castro' x self)



Cattleya lawrenceana Rchb. f. 1885



Cattleya lawrenceana
concolor
´Luz de Luna´
Cattleya lawrenceana é uma das mais atípicas Cattleya unifoliadas e os pseudobulbos estão entre os maiores. As plantas, em geral, possuem pseudobulbos com uma pigmentação avermelhada bem distinta, as folhas também apresentam uma profusão de manchas marrons sobretudo as que estão expostas ao sol direto. Suas flores são fáceis de serem conhecidas já que são de tamanho médio com um labelo tubular num formato de disco e sem franjas. Pétalas e sépalas são normalmente estreitas e as flores tem uma grande semelhança com as grandes Sophronitis (antigas Laelias) como S. purputata, tenebrosa, grandis e lobata do que com as outras cattleyas unifoliadas.
No platô da Guiana, a Cattleya lawrenceana possui uma grande e irregular área de distribuição, especialmente no estado da Bolívar, as populações sempre acompanham os grandes rios e as formações de chapada chamadas Tepuys que são distantes entre si. Uma das principais populações está localizada no estado do Amazonas (Serra do Sipapo), e as outras estão localizadas irregularmente em chapadas (tepuys) de Roraima, Auyán-tepuy, Kukenán, Chimata; rios High Caroní, Carrao, Aponwao e Cuchivero, também no Vale Kamara-ta e área de Kanavayén no estado Bolívar. A espécie é também encontrada em grandes quantidades do lado Guiana-Roraima. Também foi relatada como ocorrendo no lado brasileiro, embora só confirmado por algumas poucas constatações visuais.
Uma vez que esta espécie é bastante adaptável e possui uma área de dispersão muito grande, há mais probabilidade da Cattleya lawrenceana ser encontrada em outras regiões além das localizações conhecidas na Venezuela, Brasil e Guiana do que a Cattleya jenmanii.
Cattleya lawrenceana
vegeta desde baixas altitudes (400 m acima do nível do mar) até altitude de 1900 m. Em seu habitat natural, é uma orquídea bastante adaptável crescendo em árvores de médio e grande porte, em florestas úmidas e sombreadas, em clima variando um pouco mais quente a temperado e frio. As colônias de altitudes elevadas se adaptaram a espaços maiores, crescendo nas encostas, expostas ao sol, protegidas apenas pela vegetação da vizinhança. Esta área, em particular, é muito úmida o ano todo, assim C. lawrenceana (como a C. jenmanii), mesmo quando está atravessando a "estação seca”, recebe sempre os benefícios da umidade elevada, neblina e chuvas ocasionais. Como estão localizadas em locais bem ventiladas, conclui-se que não ficam úmidas por muito tempo. Em cultivo, C. lawrenceana é reconhecida como uma planta de difícil crescimento.

Na natureza, a estação de floração de C. lawrenceana vai de fevereiro a abril. Como muitas outras espécies do gênero, as flores nascem de pseudobulbo que passou por um período de dormência de alguns meses. O mais comum é apresentar de 2 a 8 flores rosas-magenta, de porte médio. Alguns cultivares podem até produzir mais flores por haste (até 12 multifloras conhecidas), mas é bastante raro.
C. lawrenceana não tem variedade no padrão de cor do labelo com as outras unifoliadas venezuelanas possuem. Todas lawrenceanas têm o labelo púrpura-magenta, completamente sólido, podendo se estender até a parte externa do tubo, com exceção da concolor e semi-alba que possuem o labelo rosado. Alguns cultivares possuem aquinado nas pétalas (aquinii ou flâmea). A ausência de variedade do padrão do labelo é altamente compensada pela intensidade da cor no labelo e pelas cores brilhantes das tépalas, como por exemplo, as coeruleas de colorido forte estão entre os mais intensos azuis encontrados no gênero Cattleya. Poucas variedades de cor são conhecidas - semi-albas: ´Sara´, alba: ´Misia María´, concolor: ´Diana´, caerulea: ´Aulisi´.




C. lawrenceana alba 'Misia María'


Autores e proprietários de plantas:
Jan Pahl, orquidologista
Gerardo Castiglione é juiz de orquídeas e membro fundador da Sociedade de Orquídeas de Mérida e sua coleção é muito bem conceituada entre os orquidólogos venezuelanos.
Rafael Vaamonde é membro da Associação Venezuelana de Orquidologia e responsável pela versão para o Inglês.
As plantas premiadas aqui mostradas são da coleção particular de Gerardo Castiglione e de Armando Mantellini. Armando Mantellini é um dos poucos cultivadores venezuelanos responsáveis pelo melhoramento das espécies venezuelanas.

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