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Habitat de Cattleya walkeriana Gardn. e Cattleya x dolosa Rchb. f.
por Guilherme de Paula Salgado (1)

Cattleya walkeriana

Este habitat está localizado em uma reserva ecológica, a uma altitude média de1200 metros, no estado de Minas Gerais. Seu clima é dividido em duas estações bem definidas: uma muito seca e com noites frias e outra, muito chuvosa. Além disso, a região, situada na bacia de um rio, está em uma zona de transição de Mata Atlântica e Cerrado sendo que este último bioma predomina nas áreas onde a C. walkeriana ocorre. Existem também grandes extensões de afloramentos rochosos, onde a vegetação é típica de campo rupestre.
A Cattleya walkeriana é, geralmente, encontrada sobre grandes rochas, vegetando a sol pleno ou apenas sob a proteção de algumas poucas árvores. Elas podem crescer diretamente sobre a pedra, entretanto é mais comum estarem sobre uma camada de substrato, formando grandes touceiras. É muito raro vê-la como epífita. Bastante adaptada à seca, suporta meses sem chuva, tendo como única fonte de umidade a névoa das noites de inverno.
Um fato interessante é que quase todas as plantas estão voltadas para o norte.
A floração ocorre, normalmente, na primeira quinzena de abril, quando a maioria das plantas florescem.
O número e o tamanho das flores variam muito de acordo com o rigor da área onde as plantas estão localizadas. Em locais onde a exposição ao sol é mais prolongada e a umidade é menor, as hastes costumam portar apenas uma flor pequena.
Além da Cattleya walkeriana, também podemos encontrar Cattleya loddigesii e Cattleya x dolosa (híbrido natural entre as outras duas).
A C. loddigesii é de rara ocorrência neste habitat específico, o que pode ser explicado pela falta de uma fonte permanente de umidade, mas nas matas próximas ocorre com mais exuberância. Só encontrei uma planta em uma pedra próxima à uma mina de àgua. Acho que não seria correto generalizar e dizer que as plantas de Cattleya loddigesii desse lugar são rupicolas, até porque isso é uma anormalidade. Já a C. x dolosa forma grandes populações, vegetando nas mesmas condições da C. walkeriana, porém separada desta.
As plantas de Cattleya x dolosa encontradas na natureza possuem um aspecto vegetativo muito diferente das que normalmente vemos em cultivo. São maiores e mais robustas. Já seu período de floração, assim como nas C. loddigesii, estende-se por vários meses, começando em março e terminando em julho.
Apesar de parecer que estas plantas são abundantes nessa região, isto não ocorre, já que a área em que ainda são encontradas é extremamente restrita, limitando-se a alguns poucos hectares de reserva. Portanto, é muito importante impedir que a degradação progrida, evitando, assim, o desaparecimento dessas plantas tão exuberantes.
Nesta mesma serra, ocorrem outras espécies mas nem todas dividem o mesmo ambiente.
O Oncidium crispum e o Epidendrum sp estão em áreas próximas às walkerianas, só que bem mais úmidas.
Oncidium crispum
Epidendrum sp
Cattleya walkeriana
Cattleya walkeriana
on
Cattleya walkeriana durante a seca
Cattleya loddigesii
on
Cattleya x dolosa
Cattleya x dolosa

Algumas também vegetam na pedra, outras na mata ou no campo, mas, em geral é tudo muito próximo e estes habitats podem ser assim divididos:

Campo rupestre:

Bulbophyllum warmingianum
e plumosum, Epidendrum secundum, Pleurothallis johannensis.


Epidendrum secundum

Pleurothallis johannensis


Bulbophyllum warmingianum

Campo alagado (alto da serra):
Phragmipedium vittatum
e Epidendrum dendrobioides.

 

Epidendrum dendrobioides


Campo limpo:
Cyrtopodium triste



Pedreiras:
C. walkeriana
, C. dolosa, Brassavola tuberculata (ou perrinii), Epidendrum (Lanium) avicula, Sacoila lanceolata (nas fendas), Maxillaria sp., Cyrtopodium cardiochilum, E. secundum (sobre Vellozia), Pleurothallis johanensis.


Brassavola tuberculata

Brassavola tuberculata
Brassavola tuberculata
Epidendrum avicula

Pedreiras em que escorre água no verão:
Bletia catenulata e Habenaria sp.

Bletia catenulata
Habenaria sp

Borda de mata:
Campylocentrum sp, Polystachya sp.Isochilus linearis, Sophronitis cernua, Epidendrum (Lanium) avicula, C. walkeriana, B. tuberculata (ou perrinii), Bulbophyllum plumosum, Oncidium varicosum var. rogersii


Interior da mata:
Oncidium varicosum
var rogersii, Oeceoclades maculata, Pleurothallis sp, Brassavola perrinii.


Oncidium varicosum

Oncidium varicosum

Fotos: Guilherme de Paula

(1)Guilherme de Paula Salgado tem 19 anos e é estudante de engenharia ambiental na UFF.
Tem visitado muitos habitats, sobretudo em Minas Gerais.


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