Orchid News # 34
XIX WOC


Gêneros da sub Stanhopeinae que necessitam de um estudo monográfico:
Polycycnis, Acineta, Houlletia, Peristeria e Cirrhaea
                                                                                                       por Rudolf Jenny



A subtribo Stanhopeinae consiste de cerca de 26 genera somando um total de 400 espécies.

Acineta Lindl.
Acropera Lindl considerado como um subgênero de Gongora
Archivea Christenson & Jenny conhecido apenas por material de herbário, monoespecífico, extinto.
Braemia Jenny gênero monoespecífico, segregado de Polycycnis
Brasilocycnis Gerlach sinônimo de Lueckelia, segregado de Polycycnis
Ceratochilus Loddiges sinônimo de Stanhopea
Cirrhaea Lindl.
Coeliopsis Rchb.f. gênero monoespecífico
Coryanthes Hooker
Embreea Dodson segregado de Stanhopea
Endresiella Schlechter sinônimo de Trevoria
Gerlachia Szlachetko segregado de Stanhopea
Gongora Ruiz & Pavon
Gorgoglossum Schlechter monoespecífico, sinônimode Sievekingia
Horichia Jenny gênero monoespecífico
Houlletia Brongniart
Jennyella Lückel & Fessel segregado de Houlletia
Kegelia Rchb.f. sinônimo de Kegeliella
Kegeliella Mansfeld
Lacaena Lindl.
Lueckelia Jenny gênero monoespecífico, segregado de Polycycnis
Lueddemannia Rchb.f.
Lycomormium Rchb.f.
Meliclis Rafinesque sinônimo de Coryanthes
Nauenia Rchb.f. sinônimo de Lacaena
Neippergia Ch.Morren sinônimo de Acineta
Panstrepis Rafinesque sinônimo de Coryanthes
Paphinia Lindl.
Peristeria Hooker
Polycycnis Rchb.f.
Polycycnopsis D.L.Szlachetko
segregado de Polycycnis
Schlimia Planchon & Lindl.
Scleropteris Scheidweiler sinônimo de Cirrhaea
Sievekingia Rchb.f.
Soterosanthos Lehmann ex Jenny monoespecífico segregado de Sievekingia
Stanhopea Frost ex Hooker
Stanhopeastrum Rchb.f. monoespecífico segregado de Stanhopea
Tadeastrum Szlachetko segregado de Stanhopea
Trevoria F.C. Lehmann
Vasqueziella Dodson monoespecífico gênero

Alguns destes gêneros são muito bem conhecidos em cultura e algumas espécies destes gêneros são amplamente cutlivadas. Espécies de Stanhopea e Gongora são na maioria dos casos fáceis de cultivar e florescem facilmente mesmo quando sob condições não tão adequadas. Alguns estudos monográficos dos gêneros incluídos nesta subtribo foram publicados nos últimos 20 anos

Acineta Lindl. 2 estudos parciais publicados recentemente
Archivea Christenson & Jenny monoespecífico
Braemia Jenny monoespecífico
Coeliopsis Rchb.f. monoespecífico
Coryanthes Hooker monográfico estudo monográfico por GERLACH
Embreea Dodson parte de estudo monográfico Stanhopea
Gongora Ruiz & Pavon estudo monográfico por JENNY
Horichia Jenny monoespecífico
Lacaena Lindl. estudo monográfico por JENNY
Lueckelia Jenny monoespecífico
Lueddemannia Rchb.f. estudo monográfico por JENNY
Paphinia Lindl. estudo monográfico por JENNY
Sievekingia Rchb.f. estudo monográfico por JENNY
Soterosanthos Lehmann ex Jenny monoespecífico
Stanhopea Frost ex Hooker estudo monográfico por JENNY
Vasqueziella Dodson monoespecífico

No caso de gêneros monoespecíficos como Soterosanthos Lehmann ex Jenny, Coeliopsis Rchb.f., Archivea Christenson & Jenn, uma revisão não se faz necessária. Novas espécies dos gêneros antes considerados monoespecíficos Embreea Dodson e Lueddemannia Rchb.f. foram descritas nos últimos dois anos. Coeliopsis, Lacaena, Lycomormium e Peristeria são consideradas por alguns autores como possuirem sua própria subtribo, descrita como Coeliopsidiinae.
Stanhopeastrum, Tadeastrum e Gerlachia foram segregadas de Stanhopea, descritas ou reativadas como o caso de Stanhopeastrum, em 2006, por Dariusz SZLACHETKO. As separações estão baseadas em aspectos puramente morfológicos e foram feitas antes a nível de subgênero e seções por GERLACH. Aceitá-los significa reativar ou elevar a um nível genérico alguns outros grupos como Acropera (subgênero de Gongora), Portentosa (subgênero de Gongora). Basicamente, isto não mudaria o quadro da subtribo já que também tem o suporte dos dados de DNA. Mas isto mudaria as divisões do nível subgenérico para o nível genérico e criaria um grande número de novos nomes e sinônimos sem nenhuma nova percepção. Dados de DNA mostraram que algumas espécies anteriormente integradas em conhecidos gêneros foram corretamente separadas em seus próprios gêneros como, por exemplo, Polycycnis ou Houlletia vittata em Braemia vittata, Polycycnis breviloba em Lueckelia breviloba e Stanhopea rodigasiana em Embree rodigasiana.
Por algumas razões, será difícil revisar os poucos gêneros restantes na subtribo com poucas espécies, sendo isto verdade para o gênero Acineta, Cirrhaea, Polycycnis, Houlletia e Peristeria. Em primeiro lugar, a maior parte das espécies destes gêneros são raramente vista em cultivo e estas plantas são cultivadas sem informações sobre a origem, as mais conhecidas são muito freqüentemente etiquetadas como vindas da "América do Sul" ou “Peru”. São plantas raramente encontradas em cultivo porque não são fáceis de serem encontradas na natureza, apenas algumas formam uma massa de população, a maior parte ficando isoladas. As espécies são freqüentemente difíceis de serem cultivadas com sucesso e muitas delas não têm flores muito atrativas (como, por exemplo, espécies de Cirrhaea). Uma outra razão é a regulamentação do CITES.
Por outro lado, estas plantas são comparativamente difíceis de serem vistas nos herbários, assim sendo, nós precisamos desesperadamente de material. Baseado no fato de que gêneros como Acineta, Polycycnis ou Cirrhaea parecem ser, de uma maneira geral, difíceis do ponto de vista taxonômico e, juntamente pelas razões mencionadas acima, é compreensível que não tenhamos ainda um estudo compreensível disponível.


Cirrhaea saccata
     Cirrhaea

Cirrhaea é um gênero endêmico para o Brasil, 21 espécies e variedades foram descritas desde a primeira feita por LINDLEY, em 1832, com a espécie-tipo Cirrhaea loddigesii. Quase todas as espécies são bastante similares e algumas são separadas unicamente pelo colorido de suas flores. O problema começou quando plantas apresentaram flores de duas diferentes espécies na mesma inflorescência. Embora isto pareça não ser um problema de flores unisexuais como encontrado no gênero Catasetum, certamente, acabou com o sonho de uma tarefa simples de manter algumas espécies separadas neste gênero relativamente pequeno. O gênero precisa desesperadamente de uma revisão adequada.


Polycycnis ornata Parsons
     Polycycnis

Heinrich Gustav REICHENBACH descreveu, em 1855, o gênero Polycycnis baseado em Cycnoches barbatum Lindley, o tipo do gênero é Polycycnis barbata (Ldl.) Rchb.f.
Duas espécies foram retiradas e recombinadas em seus próprios gêneros monoespecíficos com base em dados morfológicos e de DNA, Polycycnis vittata para Braemia vittata por JENNY, em 1985, e Polycycnis breviloba para Lueckelia breviloba por JENNY, em 1999.
Esta última foi descrita no mesmo ano de Brasilocycnis breviloba, a publicação foi feita algumas semanas mais tarde depois do gênero Lueckelia assim sendo, o nome Brasilocycnis se tornou um sinônimo.
Em um artigo publicado recentemente ZLACHETKO separou 4
Polycycnis tortuosa
espécies como pertencentes ao gênero Polycycnopsis. Alugmas das cerca de 20 espécies descritas são extremammente similar sendo questionável se elas representam "boas" espécies, finalmente.
.
   Polycycnis gratiosa





Acineta chrysantha
     Acineta

Ao contrário de Cirrhaea, Acineta is gênero mais popular cultivo, especialmente nas América Central e do Sul, este fato não quer dizer que as plantas cultivadas estejam corretamente identificadas. Acineta foi descrita por John LINDLEY, em 1843, a espécie tipo do gênero é Acineta superba que foi nomeada por REICHENBACH, em 1863, e é baseada na antiga Anguloa superba Humboldt, Bonpland & Kunth de 1815. Foi nomeado um total de cerca de 31 espécies e variedades e um primeiro estudo do gênero feito por Rudolf SCHLECHTER foi publicado, em 1917, em Orchis. Dois estudos mais modernos porém incompletos foram publicados por GERLACH, em 2001, e por CHRISTENSON, em 2006.
Acineta humblottii
.O aspecto vegetativo de todas espécies do gêneros é muito similar, as principais diferenças são encontradas na morfologia do labelo o que não é visível na maior parte das publicações.


Houlletia lansbergii
     Houlletia
Houlletia foi descrita por A.BRONGNIART, em 1842, com a espécie-tipo Houlletia stapeliaeflora. Hoje nós temos cerca de 27 espécies e variedades nomeadas, a maior parte das variedades estão apenas representadas pela formas de cor, alguns taxons como Houlletia lansbergii Rchb.f. e Houlletia trigrina Linden ex Lindley estão representando uma mesma espécie. Uma espécie, Houlletia vittata (mais tarde Polycycnis vittata) foi transferida para Braemia vittata, em 1985. Rudolf SCHLECHTER publicou em 1915 o primeiro estudo do gênero e separou as espécies conhecidas até então em duas seções, Euhoulletia e Neohoulletia, ele escreveu que, talvez, as duas seções deveriam ser separadas em gêneros próprios. A opinião de SCHLECHTER estava baseada puramente nos aspectos morfológicos, dados recentes de DNA dão suporte à este ponto de vista e asssim, o
Houlletia tigrina Parsons
grupo Neohoulletia foiseparado como Jennyella por Emil LUECKEL e Hans FESSEL, em1999 e duas outras espécies foram transferidas par Jennyella por SZLACHETKO, em 2007.


Jennyella lowiana


Peristeria elata
     Peristeria

Peristeria é muito bem conhecida por uma espécie que está no apêndice 1 da lista do CITES embora, na verdade, não seja uma planta ameaçada: Peristeria elata, a orquídea-pombo.
Esta espécie cresce como terrestre em áreas deflorestadas e se torna mais e mais abundante em tais áras.
O gênero foi descrito opr William Jackson HOOKER, em 1843, a espécie-tipo é Peristeria elata.
Depois de HOOKER cerca de 23 espécies e variedades foram descritas.
Assim como na Acineta, as diferenças entre as espécies
Peristeria lindenii Parsons
estão, principalmente, na estrutura do labelo que , normalmente, só é mostrada em parte nas ilustrações. Além disto, algumas espécies são extremamente variáveis em cor. Peristerias – com exceção da Peristeria elata – são muita raramente vistas em cultivo e parecem ser difíceis de serem mantidas vivas por muito tempo.

Conclusão:
Alguns gêneros desta subtribo precisam realmente de um estudo monográfico e para isto nós dependemos de material e informações sobre estas plantas. Nós precisamos de flores dissecadas e coletaas e de informações sobre a origem, habitat e distribuição. Informações sobre os polinizadores seriam muito importantes embora sejam difíceis de serem obtidas e dependem inteiramente de pesquisa em campos. Análises de fragrância podem ser feitas a partir de plantas em cultivo, partindo do princípio de que as plantas estejam em flor e que o equipamento necessário esteja disponível, dados sobre o DNA podem ser também obtidos de plantas em cultivo. Em todos os casos, é preciso saber que a espécie foi analizada ou estudada e, em conseqüência, a planta precisa estar documentada, seja em forma de material herborizado, flores coletadas e/ou ilustrações.

Fotos: R. Jenny

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