Cleiton Vaz

Meio ambiente: impactos e perspectivas


O desenvolvimento tecnocientífico acelerado das últimas décadas tem gerado como conseqüência a disposição de inúmeros compostos químicos no meio ambiente. Milhares de novas fórmulas são criadas diariamente para aplicação em medicamentos, herbicidas, pesticidas, alimentos, roupas e novos produtos, sem levar em consideração os impactos que serão gerados no ambiente, a degradação em novos compostos ou as conseqüências da sua não degradação, com a acumulação nos ecossistemas.
Os impactos ambientais são quaisquer alterações das propriedades físicas, químicas, biológicas, culturais e socioeconómicas do meio ambiente, decorrentes direta ou indiretamente das atividades antrópicas, podendo afetar a saúde, a segurança e/ou a qualidade dos recursos naturais. O homem, responsável por praticamente todos os compostos tóxicos que visam ao aumento da produção agrícola e ao desaparecimento de doenças clássicas com a aplicação de novas drogas, também se torna vítima da situação com o surgimento de novas doenças, mais agressivas e difíceis de tratar.
As vias de contaminação vão desde o ar, radiação, alimentos e água com incontáveis xenobióticos. Pode-se observar que existem várias relações de causa-efeito entre enfermidades e ambientes ou hábitos potencialmente tóxicos, sendo um dos mais conhecidos o hábito de fumar, que causa várias doenças, entre elas o câncer e o enfisema pulmonar.
É contundente a necessidade de entendimento de dose e de concentração; a primeira depende da massa corpórea do indivíduo e a segunda da quantidade de substância presente em determinado veículo (água, solvente, alimento etc).
Considerando-se que muitos compostos não sofrem degradação no ambiente ou quando sofrem geram um composto ainda mais tóxico que o inicial, é notória sua situação de acúmulo nos ecossistemas, como por exemplo o DDT e PCBs, ambos compostos aromáticos clorados. O DDT foi intensivamente utilizado após a Segunda Guerra Mundial na agricultura e na saúde pública, fornecendo resultados excepcionais que permitiram salvar milhões de vidas. Contudo trata-se de um composto pouco biodegradável e que se acumula na gordura de organismos vivos, chegando ao homem por meio das cadeias alimentares. Isso se repete quando o tema são os PCBs, amplamente utilizados recentemente como fluido para condensadores elétricos, plastificantes para tintas tipográficas e aditivo em vernizes marinhos.
A emissão de compostos tóxicos aumentou significativamente a capacidade agressiva ao ambiente, tornando as patologias muito mais interligadas a fatores físico-químicos e ambientais que microbiológicos, fazendo com que o meio ambiente seja o agente mais significativo para os estados de mal-estar das populações.
Estima-se que mais de 10% dos casos de todas as doenças estão interligados a fatores ambientais. Com relação à água, pode-se afirmar que ela é responsável por 1,7 milhão de mortes a cada ano, o que é equivalente à queda de dez aviões Jumbo todos os dias, sendo 90% dos passageiros crianças. A projeção para 2050 é de que o planeta terá uma população total de 8,9 bilhões de pessoas no mundo e cerca de 4 bilhões delas talvez tenham de viver em países com escassez crônica de água (não apenas de quantidade, mas principalmente de qualidade).