César Wensel

A conservação da flora por meio de cruzamentos seletivos


Willian George Ward (1812-1882) diz mais ou menos o seguinte: no mar, quando vem o vento forte, o pessimista acredita que ficará pior, o otimista acredita que o vento vai virar e o realista ajusta as velas.
Neste século XXI soou o alarme; um tal de aquecimento global ameaça dizimar a terra, milhões passam necessidade, e na mídia se diz que a cada 30 segundos morre uma criança de fome na África. Eu creio que se fizermos os cálculos não deve sobrar muita gente neste mundo, não. Na minha opinião, é necessário chamar a atenção para os danos que estamos causando à nave terra, a qual está gritando e esperneando que a água vai acabar, que os pólos vão derreter etc. Nós, que amamos a natureza e, especialmente, as orquídeas, temos feito a nossa parte produzindo orquídeas e oxigênio nos últimos 52 anos.
Nos laboratórios do mundo inteiro se produzem cada vez mais plantas com melhor qualidade, sejam ornamentais, alimentícias, medicinais etc, e há sempre a tentativa de inibir a extração desta ou daquela parte da flora. Em nosso laboratório realizamos ao longo de muito tempo uma seleção de algumas plantas e poderíamos até nos comparar com cirurgiões plásticos de orquídeas ao transformarmos, eu não diria o feio, mas o belo em mais belo ainda. Deparamos constantemente com os puristas que querem sempre ter as plantas nativas, mas a conscientização vem demonstrando cada vez mais que a prática da extração é economicamente inviável e, é claro, com riscos à saúde. Quem coleta plantas comete crime inafiançável.
O melhoramento das espécies é irreversível; as plantas são cada vez mais belas, mais brilhantes e mais precoces. Isso certamente em alguns casos provoca confusão com aqueles que vêem em uma exposição uma planta que custa R$ 500,00 e dizem: "lá no meu sítio ou na minha fazenda tem muito dessa daí", e então chegam os oportunistas de plantão que vão até o local, quase sempre sem ordem do proprietário, e devastam as matas retirando tudo que encontram. Tolice acreditar que isso vai acabar. Está na hora de ajustarmos as velas.