Delfina de Araujo

As espécies brasileiras do gênero Oncidium e seus híbridos naturais e artificiais





O uso de espécies brasileiras de Oncidium em híbridos interespecíficos produz excelentes resultados mesmo quando se trata de espécies de seções diferentes. Essa utilização está praticamente restrita às seções Crispa, Synsepala e Concoloria.
A seção Crispa é uma escolha natural para a produção de híbridos principalmente porque sua progênie é muito florífera (algumas com mais de 50 flores). Na maioria das espécies de Oncidium o labelo é a parte mais vistosa da flor, entretanto nessa seção não somente o labelo, mas também as pétalas e sépalas são vistosas e largas, e tais características são transmitidas para a progênie. O elevado número de híbridos naturais nessa seção (oito no total, sem contar os que nunca foram descritos) mostra sua alta capacidade de cruzamento, especialmente no que diz respeito ao Oncidium crispum.
O cruzamento do gênero Brassia com as espécies da seção Crispa pode ser considerado como bem-sucedido, produzindo híbridos muito vistosos e com manchas que se espalham sobre os segmentos de uma maneira bem atrativa. Brassia injeta a tolerância ao calor, o que é perfeito para nosso clima subtropical. O Oncidium perde sua bela forma, mas por outro lado faz com que os segmentos da Brassia se encurtem, tornando-os mais redondos e coloridos e aumentando o número de flores por haste.
A seção Synsepala compete com a Crispa pela preferência para ser utilizada em cruzamento, e a característica almejada nesse caso é o labelo muito vistoso e totalmente amarelo. Em primeiro lugar encontra-se Onc. varicosum var. rogersii, variedade escolhida por sua capacidade de ser muito florífera, mas principalmente pelo fato de ser predominante, transmitindo para a progênie o labelo grande, amarelo e vistoso. Oncidium flexuosum, outra espécie dessa seção, é uma das mais populares e cultivadas do gênero. Sua utilização aumenta o número de flores assim como a tolerância a diferentes temperaturas.
Seção Concoloria é a terceira mais usada em cruzamento, e o Oncidium concolor é praticamente a única espécie utilizada cuja característica dominante é o tamanho do labelo. A escolha dessa espécie é devida à intensa cor amarela do seu labelo. O emprego de espécies de outras seções é restrito.