Elzira Maria Bagatin Munhoz

Trilhas interpretativas e seu papel na educação e sensibilização ambiental



Trilha é sinônimo de pista, vestígio, rastro, vereda, trilho. Sua função inicial seria a de suprir a necessidade de deslocamento das populações. Atualmente as trilhas adquiriram um novo significado: são consideradas um meio importante de contato com a natureza, especialmente para as comunidades urbanas, cumprindo um papel de educação e sensibilização ambiental. Nesse sentido, as simples picadas na mata, ou caminhos abertos na floresta, evoluíram para as trilhas interpretativas, entendidas como percursos traçados de acordo com metodologias e critérios específicos, em áreas de interesse (ambiental, social ou cultural) com atrativos que estimulam o envolvimento sensorial ou intelectual dos usuários, de acordo com os objetivos a que se propõem.
Dessa forma, existem as trilhas cênicas (scenic trails ou wilderness trails), aquelas de evidente interesse contemplativo, em regiões de significativa beleza, e que podem ser percorridas a pé, de carro ou de bicicleta. Normalmente elas são exploradas para turismo e lazer, e na região de Joinville podemos citar a Estrada Dona Francisca.
Outra categoria é a das trilhas de aventura, nas quais o atrativo é a possibilidade de atividades consideradas "radicais", que atendem públicos específicos e que atualmente são de grande procura.
O terceiro e principal tipo são as trilhas interpretativas (Living spaces), percursos feitos geralmente a pé por caminho já existente e previamente delimitado, em local que favoreça a observação dos mais variados aspectos do ambiente natural ou antrópico (SAUL, 1993). Esse tipo de trilha é o mais encontrado em parques naturais, nos roteiros históricos das cidades e também nos Centros de Estudos e Pesquisas Ambientais da Univillc (CEPAs). O principal objetivo é estimular a percepção do meio ambiente e a integração entre o homem e a natureza, contribuindo para a conscientização ambiental e para a preservação dos recursos naturais. Nesse sentido, as trilhas interpretativas são instrumentos pedagógicos, com caráter educativo, e podem ser auto-interpretativas ou dirigidas/monitoradas.
As trilhas auto-interpretativas são caminhos traçados em sítio natural, degradado ou não, e servem como explicação sobre o ambiente. Nelas são utilizadas placas e sinalização que transmitem aos usuários a mensagem desejada e, portanto, precisam de mais investimento na estrutura física e de informação.
Já as trilhas monitoradas são percorridas com acompanhamento de monitores treinados para orientar os visitantes. São normalmente otimizadas pelo uso de vivências interpretativas, atividades lúdicas e educativas que levam à reflexão a respeito da relação homem-natureza e pelo uso de marcos interpretativos (landmarks).
Independentemente da categoria, as trilhas interpretativas são importantes recursos pedagógicos, principalmente para crianças e adolescentes, além de serem agentes transformadores e multiplicadores de informações, tanto ecológicas quanto da valorização dos ambientes naturais, e estimularem a percepção, a curiosidade e a criatividade dos usuários.
Seja qual for o objetivo, deve-se ter em mente dois princípios:
a) a trilha é sempre um meio, nunca um fim;
b) toda trilha em área natural provoca impactos.
Nesse sentido, é de extrema importância a escolha criteriosa do melhor trajeto para a implantação das trilhas, buscando minimizar o impacto ambiental decorrente desse processo e também do uso que será feito posteriormente. Da mesma forma, deve-se atentar para as condições de acesso e para o conforto dos usuários, que precisam ser informados a respeito das principais características ou atrativos das trilhas que percorrem. Tais cuidados são importantes, já que as próprias trilhas representam um novo impacto do homem na natureza, de forma tanto física como visual, sonora e até mesmo olfativa.
Por outro lado, ao mesmo tempo as trilhas constituem meios de canalizar o impacto do homem e restringi-lo a um itinerário estabelecido e conhecido, permitindo seu contato com áreas naturais de maneira otimizada e controlada. Para tanto, é necessária a estimativa do potencial de utilização da trilha, com base em metodologias específicas, sendo as mais empregadas o estudo da capacidade de carga e o estudo do limite aceitável de câmbio - LAC.
Ambos os procedimentos têm por objetivo sugerir "a quantidade de pessoas que um lugar pode suportar, em um tempo determinado, sem que esta presença cause dano ao ambiente ou à satisfação do usuário-" (CIFUENTES, 1992).
Buscando o melhor uso das trilhas interpretativas, em sua elaboração devem ser consideradas as seguintes etapas: planejamento, levantamento de dados e informações, mapeamento e identificação de características, implantação, manutenção e constante monitoramento e avaliação do processo.

Referência:
CIFUENTES, M. Determinación de capacidade de carga turística en áreas protegidas.
Turrialba, Costa Rica: CATIE, 1992. Série Técnica. Informe Técnico n. 194. 22 p.