Fábio de Barros

Diversidade de orquídeas



As orquídeas constituem uma família de vegetais, cientificamente denominada Orchidaceae. Trata-se de uma das maiores famílias entre as Fanerógamas (plantas que produzem flores), com cerca de 25.000 espécies naturais, além de híbridos produzidos artificialmente pelo homem que devem beirar os 30.000. Orquídeas podem ser encontradas em todos os ambientes vegetados do nosso planeta, embora sejam nitidamente mais numerosas nas regiões tropicais, onde predominam espécies epífítas.
As orquídeas são sempre herbáceas, mas abrangem espécies que podem ter apenas alguns milímetros de altura até alguns metros de comprimento. Quanto ao modo de crescimento, elas podem ser terrestres, epífítas, rupícolas, saxícolas, humícolas ou saprófitas. Suas flores são adaptadas à polinização por diferentes agentes, incluindo pássaros (beija-flores) e insetos de várias ordens e tamanhos diversos. A grande variação morfológica das orquídeas está intimamente relacionada com a capacidade de explorar diferentes tipos de ambientes, e essas duas características decorrem de uma alta taxa de evolução na família. Provavelmente a evolução na família Orchidaceae foi pautada por adaptações cada vez mais especializadas em direção à polinização entomófila (por insetos) e ao epifitismo. Entre as adaptações mais conspícuas à polinização por insetos se destaca a presença, nas flores, de um labelo, que é uma pétala diferenciada, geralmente mais colorida e destacada.
Já em relação às adaptações ao epifitismo, destaca-se a presença comum de um órgão intumescido, denominado pseudobulbo, que representa um reservatório de água c nutrientes, e a ocorrência de um tipo especial de metabolismo fotossintético, conhecido como metabolismo CAM (abreviatura de Crassulacean Acid Metabolism). Por causa das diferentes adaptações e dos diversos ambientes ocupados, as orquídeas muitas vezes estão entre as famílias mais representativas, em número de espécies, em qualquer inventário florístico realizado em regiões tropicais e subtropicais, embora nunca constituam um elemento muito conspícuo quando se pensa na fisionomia da vegetação. Efetivamente, vários inventários florísticos realizados no Brasil trazem as orquídeas entre, pelo menos, as cinco famílias com maior número de espécies, muitas vezes sendo a primeira, quando se trata de áreas cobertas por vegetação florestal.
A diversidade das orquídeas pode ser encarada tanto sob o ponto de vista das floras locais como sob o ponto de vista da família como um todo. No primeiro caso, destaca-se a grande quantidade de espécies no ambiente. No segundo caso, chama a atenção a grande variedade de formas exibidas pelas espécies da família. De fato, embora a maioria das pessoas, quando se fala em orquídeas, tenha em mente uma planta com flores grandes, coloridas e com formato característico pela presença de um labelo colorido, os formatos de flores das orquídeas são impressionantemente variados. E as partes vegetativas não ficam atrás em variação de formatos.
Há uma terceira maneira de se encarar a diversidade das orquídeas, mas numa esfera bem mais especializada: a variabilidade entre os exemplares dentro e entre populações de cada espécie.
Certamente essas três maneiras de encarar a diversidade estão fortemente relacionadas. Todas têm a ver com adaptações evolutivas presentes na família e representam, de certa maneira, apenas diferentes níveis de abrangência.
Como se poderia perceber cada uma delas, então?
No caso da multiplicidade de formatos dentro da família, basta visitar uma exposição de orquídeas ou folhear um livro sobre elas para perceber o número imenso de diferentes tipos de plantas. Quanto à diversidade em floras locais e regionais, basta visitá-las para encontrar a família Orchidaceae sempre entre as mais representativas. Já no caso da variabilidade de espécies determinadas, entre e dentro de populações, a percepção do fenômeno pode depender de técnicas bem mais sofisticadas que a simples observação visual, necessitando de metodologias de avaliação genética ou morfométrica dos indivíduos.