João Carlos Ferreira de Melo Júnior

Floresta Atlântica: da importância ecológica às ações de restauro ambiental




A floresta atlântica, considerada um dos mais importantes e ameaçados conjuntos de ecossistemas do mundo e com cobertura original que se estende desde o Estado do Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul, sustenta a maior biodiversidade entre as florestas tropicais, abrigando cerca de 20.000 espécies de plantas que se distribuem em diferentes densidades populacionais.
A floresta é extremamente complexa, e sua dinâmica está assentada, entre outros fatores, na interação planta x animal. Os animais são responsáveis pela manutenção das diferentes espécies de plantas nos ecossistemas por meio de sua participação nos processos de polinização e dispersão de sementes. Além disso, ela apresenta uma grande relevância porque mantém nascentes e fontes, regula o fluxo dos mananciais d'água, ajuda a regular o clima e a temperatura, assegura a fertilidade do solo e protege as escarpas da serra e as encostas de morros da erosão.
Contudo historicamente essa floresta sofre um contínuo processo de degradação por causa de inúmeras atividades antrópicas que transformam grandes áreas vegetadas em pequenos fragmentos descontínuos. Tal alteração na paisagem desencadeia diversos processos lesivos à sobrevivência dos organismos que ali vivem, quebrando a dinâmica natural daquele ecossistema e sua capacidade de auto-regulação.
Nesse sentido, faz-se necessária a adoção de ações e medidas preventivas e mitigadoras, assim como a recuperação das áreas degradadas em ambientes florestados com alta diversidade, com base em uma avaliação ecológica minuciosa. Para tanto, um processo de restauração não deve ser visto como isolado, mas como integrante de uma paisagem com muitos ecossistemas naturais e antrópicos, além de considerar os conceitos de permeabilidade da matriz, fragmentação, conectividade da paisagem, corredores biológicos, fluxo gênico e de organismos.
Todo plano de restauração requer um perfeito entendimento das peculiaridades das espécies a serem empregadas; portanto, antes de iniciar a atividade do plantio, deve-se observar quais espécies vegetais necessitam de cuidados especiais em relação aos fatores de insolação e solo.
Por fim, é relevante frisar que os métodos de restauração devem ser elaborados de forma que seus resultados estejam próximos às características originais da floresta, garantindo a permanência da biodiversidade e o ressurgimento das complexas relações ecológicas pertinentes à sua dinâmica natural.