Lou Christian Menezes

Laelia purpurata




Descoberta em 1846 por François Devos no litoral da então província imperial de Santa Catarina, ou seja, na ilha de Santa Catarina, atual Florianópolis, capital do Estado, a Laelia purpurata nos deixou o legado que envolve o mistério da data de sua coleta.
Longe de seus habitats no sul do Brasil, a Laelia purpurata floriu pela primeira vez em cultivo nas estufas da firma James Backhouse and Sons, em York, na Inglaterra. Nesse mesmo ano ela foi exibida pela Royai Horticultural Society, em Londres, proporcionando seu estudo e sua descrição pelo botânico John Lindley, cuja publicação foi feita pelo jardineiro e arquiteto Joseph Paxton, na obra Paxton's Flower Garden, 3: 111-112, tab. 96, 1852.
O botânico inglês John Lindley criou o gênero Laelia em 1831, sem contudo esclarecer a etimologia desse nome. Acredita-se que tal designação se refira ao nome de uma vestal virgem ou das mulheres da família Laelius, estadista romano e amigo de Ciprião, o Africano.
Além de descrever o gênero, Lindley foi também o responsável pela primeira classificação das espécies de Laelia, em 1842, estabelecendo duas seções: Grandiflorae, na qual as flores possuem pétalas maiores que as sépalas, e Parviflorae, em cujas flores as pétalas e sépalas são do mesmo tamanho. Um outro estudo foi publicado por Pfitzer em 1889, apresentando cinco seções que objetivavam a acomodação de muitas espécies novas descritas depois da classificação de Lindley. Todavia foi Schlechter, em 1917, quem elaborou um novo sistema classificatório que perdurou até nossos dias e do qual várias proposições ou acomodações foram feitas.
No contexto moderno atual, os orquidologistas Cássio van den Berg e Mark W. Chase [Sophronitis purpurata - Lindleyana, 15 (2): 115-119, 2000], Guy R. Chiron e Vitorino P. Castro Neto [Hadrolaelia purpurata -Richardiana, 2 (1): 4-28, January 2002], Campacci [Brasilaelia purpurata
- Colet. Orquídeas Brasileiras, 4 (pré-anexo): 100, 2006], Guido Bracm [Chironiella purpurata - Richardiana 6 (2): 109, 2006] e Cássio van den Berg [Cattleya purpurata - Neodiversity 3: 3-12, March 2008] publicaram novas revisões para o gênero Laelia. Tal disparidade de nomes reforçou nosso posicionamento de continuar tratando a espécie no contexto tradicional e cultural de sua identificação no Brasil, ou seja, como Laelia purpurata Lindley & Paxton.
Entre todas as exposições que se perpetuaram ao longo do tempo tendo como destaque a Laelia purpurata, a Festa das Flores em Joinville é considerada um marco estadual e nacional de exaltação da espécie, embora nos dias atuais outras amostras voltadas especificamente para uma nova linhagem de plantas selecionadas, obtidas por meio de melhoramento genético, ocupem o ideário dos grandes colecionadores de Laelia purpurata.
Foco de inúmeras adjetivações em homenagem a sua fascinante beleza e representatividade no âmbito da rica flora brasileira de orquídeas, a Laelia purpurata se tornou a flor emblemática do Herbário Barbosa Rodrigues, em Itajaí, Santa Catarina, em 22 de junho de 1942. Todavia a mais nobre distinção outorgada a Laelia purpurata foi a de flor-símbolo do Estado de Santa Catarina.

Nos seus habitats na mata atlântica, as populações de Laelia purpurata estão seriamente ameaçadas de extinção pela devastação da natureza. A produção de plantas in vitro, geneticamente melhoradas, reduziu a pressão humana sobre os habitats e gerou renda aos antigos coletores de orquídeas. Flores de alta qualidade, do ponto de vista de textura, cor e forma, tornaram menos atrativa a retirada de plantas dos seus ambientes naturais. Laelia purpurata é um espetacular
exemplo do que aconteceu no Brasil nesse contexto.