Cynthia Hering Rinnert (1) / Luciano Soares (2) / Luiz Paulo de Lemos Wiese (3) / Karine Kohl (4) / Isabel Cristina Zattar (5) / Janine Lucia Rosa (6) / Camila Luiz Lohmann (7)

Uso racional de plantas medicinais




As pessoas utilizam plantas medicinais baseadas no conhecimento empírico, transmitindo oralmente esse saber geração após geração. Contudo, por causa da falta de respaldo científico quanto à sua utilização, inúmeras plantas podem originar, a curto ou longo prazo, problemas de saúde ou prevalência de intoxicações.
O objetivo da oficina é difundir a fitoterapia com base no conhecimento tradicional, apresentando-a como uma alternativa terapêutica segura desde que usada com cautela e conhecimento científico apropriado.
A dificuldade na correta identificação das espécies e a substituição das terapias farmacológicas convencionais por plantas medicinais podem prejudicar a eficácia e a segurança da terapia, trazendo problemas à saúde pública. Para usar plantas medicinais devemos nos preocupar em garantir que estamos empregando a espécie correta. Existem muitas confusões relacionadas à identificação botânica: plantas de espécies diferentes são conhecidas pelo mesmo nome popular (Melissa officinalis e Lippia alba - cidreira), espécies diferentes apresentam semelhanças morfológicas (Cymbopogon citratus e Cymbopogon nardus), ou ainda a mesma espécie é chamada por diversos nomes populares (Vernonia condensata - boldo, boldo brasileiro, figatil, fel-de-índio), que variam conforme a região do país.
Além de identificar corretamente a planta, devemos também empregar a parte correta para a obtenção do chá, uma vez que em certas plantas as substâncias ativas se concentram em algum órgão específico (Chamomilla recutita - capítulos florais; Anethum graveolens - frutos; Mentha spp. - folhas). Os chás medicinais apresentam formas distintas de preparo, determinados pela planta em questão e pelo fim a que se destinam.

Há três formas principais de preparar chás: maceração, infusão e decocção.
Na maceração coloca-se a planta em contato com o solvente (geralmente água) e filtra-se após um tempo definido.
Na infusão a água quente é acrescida à planta rasurada, deixando-se por alguns minutos num recipiente fechado.
Na decocção coloca-se a planta na água em aquecimento até a fervura.
Cada chá deve ser preparado considerando-se a quantidade correta de planta, a forma de preparo e a posologia de utilização. Deve-se preparar o suficiente para o consumo imediato, pois armazenar o chá preparado pode comprometer sua conservação e, por conseqüência, sua segurança e efeitos. O chá não deve substituir um tratamento prescrito pelo médico e tampouco se recomenda utilizá-lo por longos períodos. O uso de um chá para tratar algum problema precisa ser acompanhado dos seguintes cuidados: ter a certeza de que o problema é simples e que o chá é o melhor tratamento disponível; avaliar se o chá está funcionando como pretendido, caso contrário o médico deve ser imediatamente procurado; avaliar se não se está tratando o sintoma de um problema mais grave, cuidando para não mascarar esse sintoma e adiar um tratamento adequado; certificar-se da identidade botânica da espécie a ser empregada, uma vez que o uso incorreto de uma planta pode trazer danos importantes ao organismo; obter informações seguras sobre como preparar o chá; ter os cuidados adequados na coleta e higienização das plantas antes de usá-las; ficar atento para o aparecimento de reações adversas, já que as plantas causam esses efeitos tal qual os medicamentos; caso esteja se tratando com algum medicamento prescrito pelo médico, alertá-lo de que pretende iniciar o uso de chá medicinal, pois existem muitas ocorrências de interações medicamentosas envolvendo plantas medicinais.
Os chás medicinais podem ser uma alternativa efetiva e menos agressiva para tratar alguns problemas de saúde, mas, da mesma forma que outros recursos farmacológicos, pode trazer reações adversas e toxicidade prejudicando ainda mais o estado de saúde do usuário, ou mesmo causando doenças sérias.


(1)Professora do departamento de Farmácia da Univille.
(2) Professor do departamento de Farmácia da Univille

(3) Professor do departamento de Farmácia da Univille
(4) Graduanda do curso de Farmácia da Univille
(5) Graduanda do curso de Farmácia da Univille
(6) Graduanda do curso de Farmácia da Univille
(7) Graduanda do curso de Farmácia da Univille