A Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies da Flora e da Fauna Ameaçadas de Extinção (CITES) e a Comunidade Orquidófila
entrevista com o Dr. Phillip Cribb

 

 

ON: O senhor é considerado como uma pessoa que tem uma opinião favorável à Convenção Internacional sobre o Comércio de Espécies da Flora e da Fauna Ameaçadas de Extinção. Entretanto, em sua palestra, o senhor que disse que comprovou ser uma ferramenta menos útil do que havia sido suposto. Por que??
PC: Eu não sou um defensor do CITES mas um pragmático e me preocupo com a conservação de orquídeas. CITES foi ratificado por 170 ou mais países e, conseqüentemente, o mundo orquidófilo precisa trabalhar com o CITES para assegurar que ele funcione em benefício da conservação das orquídeas. A natureza do CITES, através da qual ele é interpretado e operado diferentemente em muitos países, causou problemas para horti-cultivadores e cientistas. Nós também vemos contrabandistas operando livremente quando as autoridades sabem o que eles estão fazendo, não há justiça nisto e o resto de nós sofre.

ON: De que maneira o CITES poderia ser modificado para se tornar mais eficiente?
PC: Melhor entendimento e melhor treinamento das autoridades alfandegárias e de controle poderia ser um bom começo.

ON: O senhor também falou sobre a dificuldade que os cientistas encontram quando eles trabalham com plantas da lista das espécies ameaçadas. O senhor é de opinião que eles deveriam ter alguma facilidade no sentido de obter os certificados para estudo. De que modo isto poderia ser feito?
PC: CITES permite o registro de instituição para que espécimes possam ser trocados mas poucas instituições em países ricos em orquídeas são registradas a despeito dos pedidos para obter o registro de seus governos. Presume-se que estes governos tenham medo de perder o controle da operação. Na realidade, muitas instituições em países desenvolvidos trabalham estreitamente ligadas com instituições estrangeiras e a falta de registro impede realmente o trabalho de identificação de material e troca de boas informações para a conservação de espécies nativas.

ON: Os críticos do CITES mencionam a inclusão de híbridos. Como pode um híbrido artificial estar em perigo?
PC: Eles foram incluídos porque não se espera que os funcionários das alfândegas possam distinguir espécies de híbridos. Entretanto, se você tivesse acompanhando as mais recentes mudanças, híbridos artificiais de Phalaenopsis, Vanda, Dendrobium e Cymbidium foram retirados da lista e podem ser legitimamente comercializados sem CITES. Outros, com certeza, seguirão o mesmo caminho.

ON: Frascos de seedlings foram removidos do CITES, assim eles não estão mais sujeitos a restrições. Entretanto a divisão de uma planta é considerada propagação artificial e pode ser vendida no comércio internacional. Isto não é uma incoerência?
PC: A exclusão de seedlings em frascos era fácil de ser implementada. Divisões são menos fáceis de serem identificadas. Entretanto, elas podem legalmente comercializadas com o certificado do CITES. Se a desregulamentação de híbrido prosseguir como esperado, deixará de ser um problema.

ON: De que maneira as pessoas interessadas em orquídeas (cultivadores e cientistas) pode ajudar no sentido de promover o melhoramento do CITES?
PC: Agindo com responsabilidade quando comprar plantas. Comparecer como observadores nos Congressos sobre CITES que ocorrem a cada dois anos. Fazendo lobby e fornecendo aos governos exemplos bem embasados para o melhoramento e mudança das regras do CITES e sua implementação.

ON: O senhor gostaria de acrescentar alguma coisa?
PC: No passado, a reação freqüentemente irracional e mal informada da comunidade orquidófila ao CITES prejudicou nosso trabalho no sentido de melhorar o CITES em benefício da comunidade de orquídeas num sentido mais amplo. Pontos de vista construtivos são mais úteis do que os negativos.


ON: Muito obrigada, Phillip Cribb.

Foto de Sergio Araujo

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