Orquídeas na India


Dra. Jyostna Devi é professora do Departamento de Agricultura Biotecnológica, da Universidade de Agricultura de Assam, Jorhat, Índia. Tendo já publicado 30 pesquisas, participou como palestrante do 12o. EOC (Congresso Europeu de Orquídeas, em Copenhagen e da 18a. WOC, em Dijon. Atualmente, ela lidera o Projeto de Pesquisa de desenvolvimento da tecnologia de colheita de orquídeas e outras flores.
   




ON: Qual é a sua formação acadêmica?
JD: Eu estudei Agricultura e sou mestre em Reprodução Vegetal e Genética. Sou Ph. D. em cultura de tecido de orquídeas. Atualmente, trabalho como Professora Associada na Universidade de Agricultura de Assam, Jorhat, Índia.

ON: Poderia nos dar algumas informações sobre seu país?
JD: A Índia é a terra do poderoso Himalaia, de rios místicos, de praias ensolaradas, de flora e flora únicas, de amanhecer e por do sol dourados. Desde as empolgantes estações nas montanhas aos antigos monumentos, das peregrinações sagradas até o Tajmahal, a Índia é tudo isto. Existe uma unidade em meio à diversidade com diferentes heranças culturais, uma plêiade de línguas, costumes e vestimentas. É um grande país medindo 3214 km no sentido norte/sul e 2933 km no sentido leste/oeste com uma área total 3287263 km².

ON: E com referência às condições geográficas e do clima?
JD: A Índia é abençoada com uma diversidade eco-geográfica regional com variadas condições climáticas que são determinantes para o crescimento das orquídeas. A parte continental compreende 7 regiões fisio-geográficas: i) Cadeias de montanhas incluindo o Himalaia, ii) Planície Indo-ganges, iii) O deserto, iv) O Planalto Central Peninsular, v) A costa leste, vi) A costa oeste, vii) As orlas marítimas e as ilhas.
Devido à vastidão, as condições climáticas são variadas. A Índia possui, principalmente, 3 estações por ano - chuvosa (Junho-Novembro), verão (Abril-Julho) e inverno (metade de outubro- Fevereiro).
A maior parte das orquídeas estão confinadas às montanhas onde são distribuídas desde o sopé até 4300m em faixas climáticas que vão desde o clima tropical até o clima temperado. As orquídeas contribuem com 9 % das plantas floríferas do País.


ON: Quais são os gêneros que vegetam na Índia?
JD: Cerca 1200 espécies pertecentes a 165 gêneros foram registradas para a Índia. Gêneros como Acampe, Acanthephippium, Aerides, Agrostophyllum, Arundina, Bulbophyllum, Calanthe, Cleisostoma, Cypripedium, Coelogyne, Cymbidium, Dendrobium, Eria, Goodyera, Liparis, Phalaenopsis, Paphiopedilum, Renanthera, Rhynchostylis, Vanda, Habenaria, Pleione, Phaius, Pholidota crescem na Índia.

ON: A maior parte é epífita ou terrestre?
JD: Em sua maioria, as orquídeas da Índia são epífitas e vegetam nos troncos das árvores.

ON: Quais são os mais importantes gêneros e quais são as espécies endêmicas?
JD: Os gêneros mais importantes são Dendrobium, Rhynchostylis, Cymbidium, Coelogyne, Vanda, Aerides, Paphiopedilum, Arundina, Renanthera etc.
Mais de 50 species estão ameaçadas de extinção enquanto outras como Calanthe pachystalix, C. whiteana, Coelogyne abolutea, C. assamica e Phaphiopedilum charlesworthii já estão extintas. Algumas delas são espécies raras como Anocetochilus crispus, Bulbophyllum leopardinum, B. lobbii, Calanthe alpina, Dendrobium crystallinum, Paphiopedilum fairrieanum, Vanda coerulea etc.


ON: Sua palestra versou sobre o gênero Dendrobium quantas espécies existem na Índia?
JD: 16 espécies.

ON: São espécies de clima frio ou quente?
JD: Tanto orquídeas tropicais quanto subtropicais são encontradas na Índia.

ON: Qual a maior ameaça para as orquídeas de seu País?
JD: Coleta inescrupulosa nas florestas é uma das razões para o desaparecimento das orquídeas. Cultivo errôneo, incêndios florestais, desmatamento são também responsáveis pelo desaparecimento das orquídeas.

ON: O governo fornece algum tipo de ajuda para a conservação ?
JD: A consciência para a preservação de nossas espécies nativas está sendo despertada e o desmatamento está sendo fiscalizado. O Governo tem dado ênfase à preservação in situ com a criação de parques nacionais, santuários naturais e reservas. O cultivo ex situ tem sido utilizado para promover a conservação das espécies raras e ameaçadas.





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