À procura do verdadeiro Pleurothallis
Por Dr. Alec M. Pridgeon - Inglaterra


Por dois séculos, os taxonomistas de orquídeas souberam que Pleurothallis formava em conjunto artificial sem caracter morfológico que pudesse ser usado para definí-lo ou distinguí-lo de outros gêneros da subtribo Pleurothallidinae. As análises filogenéticas em curso, baseadas na utilização de três regiões de genes diferentes, mostraram o caminho para uma reestruturação estável em oito grupos para os quais os nomes de gêneros existem, o que reflete as relações corretamente identificadas por numeros taxonomistas. Com a instalação da base genética de Pleurothallis, nós podemos colocar, pela primeira fez, as questões sobre a evolução dos caracteres e a biogeografia desta subtribo.

Dr. Alec M. Pridgeon é membro da Sainsbury Orchid of the Royal Botanic Gardens, Kew, e co-autor de Genera Orchidacearum, uma monografia em diversas volumes da família Orchidaceae. Provavelmente é mais conhecido no meio orquidófilo como o antigo editor do American Orchid Society Bulletin (atualmente Orchids), Lindleyana e The Illustrated Encyclopedia of Orchids.



Classificação de Bulbophyllum baseada nos dados morfológicos e moleculares
por Barbara Gravendeel
- National Herbarium Nederland, Universiteit Leiden Branch - Holanda

O gênero pan-tropical Bulbophyllum Thouars tem 1200 espécies descritas. O nome deriva da palavra latina “bulbus”, que quer dizer com o formato de bulbo e da palavra grega "phullon” que significa folha e se refere ao formato esférico de seus pseudobulbos em cujas partes superiores a folha ou as folhas encontram-se implantadas.
Outros caracteres pelos quais o gênero é facilmente reconhecido são os pseudobulbos com nó único, inflorescência basal e labelo móvel. Um estudo baseado nas seqüências do DNA foi realizado para reconstruir as subdivisões baseadas na filogenia do gênero Bulbophyllum e afins. As questões estão focadas na biogeografia e na taxonomia.
Qual a origem e data do Bulbophyllum ? Os gêneros separados de Bulbophyllum representam unidades evolutivas independentes? As seções de Bulbophyllum com status controvertido merecem um status de gênero como certos taxonomistas conclamam enquanto outros contestam?
Um estudo baseado seqüência do DNA foi realizado para reconstruir uma subdivisão filogeneticamente baseada de Bulbophyllum e gêneros próximos. As perguntas que eu quero responder com esta filogenia são focalizadas no biogeografia e na taxonomia. Eu estou interessada em: (1) onde Bulbophyllinae originou (Ásia, África, Madagascar ou América do Sul) e (2) quando este aconteceu (antes ou depois dos resfriamentos climatológicos de Eocene). (3) se os gêneros separados em Bulbophyllinae (tal como Drymoda, Pedilochilus, Sunipia e Trias) estão representando unidades evolucionárias independentes e 4) se as seções de Bulbophyllum com status taxonômico controverso (tal como Cirrhopetalum) merecem o status genérico enquanto alguns taxonomistas (Lindley, Garay) reivindicam mas outras (Reichenbach f., J.J. Smith, Seidenfaden, Vermeulen) discordam.

Dr. Barbara Gravendeel obteve seu PhD em 2000 com o estudo de morfolofia e sistemática molecular de Coelogyne, em Herbário National de Holanda - Universidade de Leiden. Ela realizou análises dos progenitores de híbridos naturais de Pleione e análises biogegráficas de Coelogyninae. Atualmente, trabalha na Dutch Science Foundation na filogenia de Bulbophyllum.

Aerides (Orchidaceae): Filogenética molecular e morfologia floral
Por Alexander Kocyan (1), Ed F. de Vogel (2), Elena Conti (3), Barbara Gravendeel (4)


O gênero Aerides inclui 19 espécies epífitas ou litófitas que se estendem desde o Himalaia e através de todo o sudeste Asiático. As seqüências de um marcador nuclear (ITS) e dois marcadores de cloroplastos (matK, trnL-F) de 14 Aerides e 13 grupos de táxons foram geradas para reconstruir as relações filogenéticas dentro do gênero. A análise de seqüências do marcador do cloroplasto revelou que Aerides é monofilético. Entretanto, a topologia entre as espécies de Aerides contradiz a classificação a nível secional por Christenson (1987) baseado em caracteres morfológicos. As cópias múltiplas de regiões ITS foram identificadas, sugerindo a homogeneização incompleta das unidades ribosómicas ou a origem de híbridos de algumas espécies. O desenvolvimento floral de Aerides difere levemente do modelo padrão das monandras já que a sépala abaxial aparece antes das pétalas abaxiais (Aerides krabiensis) ou mais ou menos simultaneamente com elas, enquanto que, geralmente, as pétalas abaxiais aparecem antes da sépala abaxial. O desenvolvimento do ovário é iniciado durante a curvatura da antera. Os estágios iniciais de desenvolvimento mostram uma estrutura não-diferenciada (tipo saco). Logo após, o ovário torna-se estruturado. Na flor madura, o ovário é unilocular contendo milhares de óvulos que têm seu desenvolvimento parado em um estágio inicial. No antese, a maioria de espécies de Aerides mostram ' Saftdecke” mais ou menos proeminente ou 'tampa do néctar' na base do calcar. Esta estrutura pode ser uma proteção contra os pingos de chuva, a evaporação ou aos ladrões do néctar. Um clade é caracterizado pela perda deste carácter.

(1) Dr. Alexander Kocyan rabalha como pesquisador de pos-doutorado no Instituto de Sistemática Botânica Universidade de Munique. Para sua tese sustentada em 2001, ele estudou a morfologia floral nas orquídeas Apostasioidae na Universidade de Zurique. Ele continua como pesquisador de post-doutorado em Leiden e em Zurique.
(2) Herbário Nacional da Holanda. Universiteit Leiden Branch, Holanda
(3) Instituto de Sistemática Botânica, Universidade de Zurich- Zurich, Suiça
(4) Instituto de Sistemática Botânica, Ludwig-Maximilians- Universidade de Munique

Classificação de Pleurothallidinae
Dr. Rodolfo Solano Gómez - Herbario AMO, México

A classificação de Pleurothallidinae foi recentemente alterada em função dos resultados da filogenia molecular. Não obstante, diversas destas mudanças foram baseadas em grupos deficientemente amostrados cujas apomorfias morfológicas são desconhecidas, conseqüentemente esta classificação filogênica não tem sido aceitada amplamente maior parte dos autores que ainda utilizam a classificação sistemática. Entretanto, esta última é baseada principalmente nos caracteres florais que são homoplásicos e parece ser de reduzida utilidade para inferir as relações entre os gêneros. Embora a informação obtida da anatomia, da palinologia e da morfologia vegetativa não é ainda adequadamente integrada à taxonomia de Pleurothallidinae, esta pode ser útil para a filogenia do grupo. Este tipo de dados, em complementação aos obtidos a partir das seqüências de DNA, são incluídos dentro de uma análise sobre Pleurothallidinae, na qual a amostragem é estendida aos gêneros que apresentam uma delimitação confusa (Pridgeon & Chase senso) tais como Anathallis, Pleurothallis, Specklinia e Stelis. Este estúdio também permite obter um sistema de classificação mais útil assim como as apomorfias para identificação dos gêneros.

Dr Rodolfo Solano Goméz nasceu em 1968, na cidade do México. Ele estudou biologia na Universidade Nacional Autônoma do México onde também se tornou Ph. D. Ele trabalhou muitos anos como pesquisador associado no Herbário AMO com Miguel Soto Arenas e Eric Hagsater. Atualmente mora na cidade Oaxaca City, onde é pesquisador do Instituto Politécnico Nacional e está estudando as orquídeas daquela região. Suas principais áreas de interesse são a Sistemática da subtribo Pleurothallidinae, taxonomia e conservação das orquídeas mexicanas e desde há alguns anos ele está preparando uma revisão taxonômica das espécies mexicanas. Ele é o co-autor junto com Alec Pridgeon e Mark Chase na filogenia molecular das Pleurothallidinae e, atualmente, está preparando a filogenia molecular de Stelis sensu lato.".

Diversificação das formas de vida e relações micorrízicas de Cymbidium: dados moleculares e anatômicos.
Por Tomohisa Yukawa, Kazumitsu Miyoshi, Jun Yokoyama, and William L. Stern


Cymbidium Sw., um gênero de orquídea distribuído através do leste e sudeste da Ásia até a Austrália, inclui cerca de 50 species. Este gênero mostra uma diversificação ecológica distinta e ocorre como terrestre, epífita e litófita. As espécies de Cymbidium da seção Pachyrhizanthe não têm folhas assimiladoras e têm, obrigatoriamente, uma existência nutricional micotrofa. Neste estudo, a correlação do entre vários caracteres morfológicos e anatômicos e caracteres ecológicos foi testada para a maioria de espécie de Cymbidium e de grupos relativos. Além disso, uma árvore filogenética molecular de Cymbidium (Yukawa et al. 2002) foi usada para examinar o confinamento filogenético destes caracteres. As seguintes idéias foram surgiram: (1) No C
ymbidium
, as formas vida litófita e terrestre são provavelmente derivadas de habitat epífito; (2) A obrigatória linhagem microtrófica, na seção Pachyrhizanthe de Cymbidium diverge de um progenitor terrestre. (3) a semente da espécie epífita mostrou uma capacidade hidrofílica mais elevada e de dimensões maiores do que aquela da espécie terrestre. (4) o tamanho da semente da espécie micotrófica diminui extremamente em comparação com as espécies fotossintéticas de grupos relativos. (5) o desenvolvimento dos rizomas ramificados só foi encontrado na espécie terrestre. Nós concluímos que este tipo do rizoma é a moradia principal para fungos micorriza. (6) neste gênero, o desenvolvimento de fibras esclerenquimatosas nas folhas é correlacionado ao grau de epifitismo. (7) a diferenciação do tecido da paliçada e o anfistomático é provavelmente adaptado ao stress de alta luminosidade porque as espécies que possuem estes caracteres habitam árvores em posições expostas. (8) Os fungos endomicorrízicos (tipo orquídeas) e fungos ectomicorrízicos (tipo árvore) foram encontrados nas raízes e/ou nos rizomas de Cymbidium. Embora terrestre as espécies de Cymbidium fazem simbiose com ambos os tipos de fungos, espécies epífitas mostram a simbiose somente com fungos endomicorrízidos (tipo orquídea). Por outro lado, espécies obrigatoriamente micotróficas fazem simbiose fungos ectomicorrízicos (tipo árvore).

Tomohisa Yukawa - Tsukuba Botanical Garden, National Science Museum, Tsukuba Japan,
Kazumitsu Miyoshi -Department of Biological Production, Akita Prefectural University; Akita Japan;
Jun Yokoyama - Department of Ecology & Evolutionary Biology, Graduate School of Life Sciences, Tohoku University, Sendai , Japan;
William L. Stern - Department of Botany, University of Florida, Gainesville - U. S. A.




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