Oncidium Sw.
Tribo: Cymbidieae
Subtribo: Oncidiniiae
Etimologia: Do grego = Onkos.
Olof Swartz, em 1800, nomeou este gênero com o nome de Oncidium em razão do pequeno calo situado na base do labelo que tem aparência de um pequeno tumor, intumescência e que em grego é Onkos







  Carlos Eduardo de Britto Pereira vem estudando o gênero Oncidium há 15 anos e baseado nestas pesquisas ele concluiu muitas coisas interessantes sobre sinônimos e ocorrências duvidosas de espécies em nosso País.
Ele considera que o estudo das espécies deve ser feito com base em três procedimentos:
primeiro, analisar o material original da descrição e todas as sinonimias,
segundo, examinar todo material de herbário, especialmente o do tipo e
finalmente, examinar muito material vivo originário de diferentes habitats.
E este foi o caminho que ele tomou para estudar o gênero Oncidium no Brasil: exame exaustivo de populações também em seus habitats, visitas a herbários para exame do material depositado, sobretudo o tipo e estudo das descrições. Assim ele pôde entender alguns pontos controversos sobre este gênero.
Sua opinião é resultante de um estudo sério cujo objetivo é um conhecimento maior sobre gênero e à medida que este conhecimento evolui, podem ocorrer mudanças de opinião visto que esta evolução provoca um entendimento mais amplo e uma revisão sobre o que já foi estudado, podendo desta maneira mudar o foco sobre o mesmo ponto de vista.
Leia estas considerações e entenda porque ele pode afirmar certos fatos e continuar em dúvida a respeito de outros, embora ele mesmo diga que esta é a sua interpretação e que não é, necessariamente, infalível.

Não deixe de ler também a entrevista apresentada na revista virtual Orchid News nº 10.




 
  Com referência à sua ocorrência no Estado de Goiás, Carlos Eduardo ainda não teve a oportunidade de estudar a espécie que ali ocorre para poder ter certeza, mas considera que é muito pouco provável que seja O. orthostates.
É uma espécie da Venezuela e ocorre no Brasil na região da fronteira, especialmente com aquele país, no estado de Roraima. Inclusive a planta desta espécie que ele ganhou foi coletada na Serra do Araca que fica no norte do Amazonas, fronteira com a Venezuela, da região de São Gabriel da Cachoeira, alto Rio Negro.




 
  Aspecto vegetativo
As espécies da seção pulvinata são caracterizadas por terem um pulvínulo no calo do labelo e a diferenciação das espécies é feita em função de seu formato. Daí a origem do nome. Em seus estudos sobre esta seção, Carlos Eduardo também se baseia no pulvínulo para diferenciar as espécies mas o estudo pode se basear também no lobo lateral, se é inteiro, serrilhado ou se é franjado.
O pulvínulo é uma protuberância com aspecto de uma almofadinha, como se fosse uma verruga, cabelinhos ou uns pontinhos para cima.
No O. divaricatum, em vez do ser contínuo, ele tem uma reentrância de cada lado, é como se ele fizesse uma orelha e outra orelha, o que pode ser mais ou menos acentuada. Isto é a devaricação do pulvínulo.
 
O. pulvinatum - Arquivo/Archive - Carlos Eduardo
No O. pulvinatum, é redondo,
O. sphegiferum - Foto/Photo: Sergio Araujo
já no O. sphegiferum é comprido
  As espécies desta seção têm outras características como o labelo trilobado e o lobo lateral normalmente arredondado.
Com referência ao aspecto vegetativo, ele nos informa que uma planta de O. robustissimum é completamente diferente do O. pulvinatum, do O. sphegiferum e do O. divaricatum.
O. robustissimum
tem uma folha coriácea porém carnosa, tem-se a impressão que se apertar, o dedo afunda.
O. divaricatum
tem suas características próprias, as folhas são mais arredondadas e a textura da folha é mais coriácea.
Já o O. sphegiferum é mais complicado. O que ocorre em Santa Catarina é como se fosse um O. harrisonianum grande com a folha dura. No Estado do Rio, há ocorrência de O. sphegiferum que parece um O. robustissimum pequeno, de folha mole. Enfim, existe planta que poderia ser O. pulvinatum ou O. sphegiferum mas que jamais seria confundida com o O. robustissimum por causa daquele tipo de folha carnosa, meio azulada que é diferente.




 
  O aspecto vegetativo é muito importante para saber a grupo pertence. Olhando a planta, Carlos pode dizer se a seção é Crispa, Pulvinata, Concoloria ou Paucituberculata. Mas quando se trata das seções Verrucituberculata, Oblongata e parte da Synsepala, não se pode distinguir unicamente pela planta.
 
O. concolor - Arquivo/Archive - Carlos Eduardo
Ele já testemunhou
ocorrência de O. concolor
com os bulbos tão grandes
que nunca imaginaria que fosse
esta espécie, parecendo ser o
O. crispum
.
 
 
Por outro lado, ele informa que O. crispum
pode ser uma planta enorme e também
uma planta pequena, dependendo do lugar
que está, se no sol, se num lugar frio,
mais úmido, mais seco.
Existem plantas de O. crispum, verde,
amarronzado, totalmente marrom, como
encontrado em Barbacena, no Estado de
Minas Gerais.
O. crispum - Arquivo/Archive - Carlos Eduardo  
  Pela planta dá para ter uma idéia da seção, mas fica difícil definir a espécie sem ver a flor embora existam algumas exceções.




 
  Os terrestres, O. batemanianum, O. sellowii,O. isopterum, O. montanum, O. pirarense, são realmente muito difíceis de serem distinguidos quando não estão floridos.
 
O. montanum - Arquivo Carlos Eduardo
 
O. pirarense - Arquivo Carlos Eduardo
 
O. montanum
 
O. pirarense
  Já o O. warmingii é mais fácil por ser diferente.
Ele tem o rizoma longo e o bulbo bem redondo e com espaço entre eles, tem-se o bulbo com uma folha, um pedaço de rizoma e depois outro bulbo.
A espécie descrita para o Espírito Santo, Oncidium majevskyi, também possui o rizoma longo e um bulbo que se assemelha ao do O. warmingii mas dá para perceber que são plantas diferentes.
 
O. flexuosum,
também tem rizoma
longo mas o seu bulbo
é achatado e é epífita.
O. flexuosum - Arquivo Carlos Eduardo




   
 
O. spilopterum - Arquivo Carlos Eduardo
O. spilopterum tem um formato muito característico, e, utilizando uma terminologia de orquidófilo, o tipo da saia do labelo e o balanço da flor são diferentes. Ele tem um calo muito complexo, em 95% das plantas é roxo escuro, violeta. A intensidade da cor é variável sendo que, às vezes você encontra um com calo branco mas mesmo com esta variação, vê-se que é O. spilopterum por causa do formato do labelo e à complexidade da calosidade. O desenho da flor é diferente e o labelo é grande demais para o tamanho dele, tornando-se franjado, bem característico. Em Goiás, tem também uma população de um Oncidium que é considerada como sendo O. spilopterum ainda não estudada por ele portanto não pode opinar a respeito.




   
  Até onde ele estudou, ele pode concluir que são duas espécies diferentes: O. ghillanyi na seção Synsepala e o O. spilopterum na seção Oblongata..
  De acordo com a taxonomia do gênero, a separação entre a seção Synsepala e a Oblongata é exatamente a diferença está nas sépalas laterais.
A Oblongata tem sépalas laterais livres e a Synsepala tem sépalas laterais concrescidas, isto já seria suficiente para justificar a separação das duas espécies. Ele considera que é necessário um estudo mais aprofundado sobre as duas espécies e gostaria de examinar mais plantas de O. ghillanyi, para ver se todas são realmente sinsépalas, as que ele viu, de diferentes origens eram sinsépalas. Além disto, O. spilopterum dá na Serra do Cipó e O. ghillanyi dá na Serra do Itambé.
Ambos habitats, bem afastados entre si, foram visitados pelo pesquisador.
O. spilopterum - Arquivo/Archive Carlos Ediardo
O. spilopterum
     




 
  Tem um calo bem característico, é mais fácil da reconhecer embora tenha as suas variações.




 
  Garay e Stacy consideraram O. caldense e O. ramosum como sendo a mesma espécie mas concordando com Pabst, Carlos Eduardo considera como duas espécies diferentes. O. caldense pertence à seção Oblongata, mesmo grupo do O. spilopterum. O. ramosum e O. donianum são da seção Verrucituberculata.




 
 
O. pirarense - Arquivo/Archive - Carlos Eduardo
Garay & Stacy na Sinopse do Gênero Oncidium e Pabst & Dungs os consideravam como sendo a mesma espécie, mas Carlos Eduardo considera-os diferentes sobretudo no que diz respeito ao calo. O. pirarense tem este nome porque foi descoberto em Pirara, na Venezuela e foi encontrado também na região de Diamantina por Carlos Eduardo. Baseado no desenho do tipo desta espécie, ele conclui que esta espécie é válida e diferente do O. montanum.
O. montanum - Arquivo/Archive - Carlos Eduardo
 
O. pirarense
 
O. montanum




 
  O. haematochrysum é sinônimo de O. flexuosum. O O. haematoxanthum é, na verdade, o O. flexuosum variedade haematoxanthum e tem o pulvínulo amarelo-limão.




 
 
O. edwallii - Arquivo/Archive - Carlos Eduardo
Espécies completamente diferentes, inclusive o colorido.
O.
hians tem um labelo de colorido forte, metade vermelho, metade amarelo.
O.
edwallii é amarelo esverdeado,tem uma flor pequena, mas sem graça com formato diferente.